www.biodieselbrasil.com.br - No 229, ano 3, 17/10/2005         

 

 

 

Estímulo ao biodiesel pode ser votado amanhã


04/10/2005- A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal pode votar amanhã o projeto de lei 5.690/05, do deputado Betinho Rosado (PFL-RN), que fixa um limite mínimo para a produção de biodiesel nas regiões Norte e Nordeste. Pelo texto, a fabricação do combustível nessas regiões corresponderá a pelo menos 20% do total do País. A proposta estabelece ainda que a produção deve contar com matérias-primas geradas pela agricultura familiar.

O biodiesel, na opinião do parlamentar, pode constituir uma alternativa para diminuir as disparidades inter e intraregionais e para erradicar ou diminuir a miséria do campo. A legislação em vigor fixa em 5% a porcentagem mínima obrigatória de adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor final, em qualquer parte do Brasil. O relator, deputado Osvaldo Coelho (PFL-PE), recomenda a aprovação do projeto, com emenda.

Reforma agrária

Outro destaque da pauta é o projeto de lei 3142/04, da deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), que assegura à mulher que seja chefe de família o direito de aquisição de terras públicas oriundas de ações discriminatórias ou de processo de desapropriação para assentamentos da reforma agrária. A proposta garante ainda a participação igualitária na composição das comissões agrárias responsáveis pelo encaminhamento dos pedidos de aquisição e desapropriação de terras e pelo processo de seleção dos beneficiários.

Pesca industrial

Outro projeto de lei na pauta (3933/04), do deputado Nilson Pinto (PSDB-PA), inclui a pesca industrial entre as atividades vinculadas ao setor rural para fins creditícios, fiscais ou tributários. A classificação beneficia as empresas que se dedicam exclusivamente à captura e/ou industrialização de pescados, ainda que efetuem essa atividade com matérias-primas de terceiros.

 

 

Ainda sem biodiesel

09/10/2005-A Petrobrás já recebeu da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) todas as informações que solicitou sobre a agricultura familiar na região Centro-Sul do estado. Os dados foram pedidos para que a

 estatal avalie a viabilidade de uma usina de biodiesel em São Mateus do Sul. Nos relatórios enviados à

 empresa, a Seab explica que é possível envolver até 50 mil famílias no projeto e que elas já estão aptas a fornecer soja para a Petrobrás. Outras duas culturas, amendoim e nabo forrageiro, potenciais fontes de óleo, seriam desenvolvidas com apoio técnico da Emater e Iapar. A fábrica de biodiesel teria capacidade para produzir 40 mil toneladas por ano e custaria R$ 15 milhões. A estatal ainda não bateu o martelo sobre o investimento.

Soja na mesa

Duzentos supermercadistas das Regiões Sul e Sudeste foram os primeiros brasileiros a provar pratos e sobremesas feitas com creme e condensado de soja. Os produtos, que substituem os tradicionais, de leite, são inéditos em larga escala no Brasil e estão sendo lançados pela cooperativa Cocamar, de Maringá. O público-alvo são as pessoas que buscam uma vida mais saudável e quem não tolera a lactose. O preço do creme de soja – o primeiro a chegar às gôndolas, nesta semana – é salgado: em média 15% a mais que o creme de leite. As ações de lançamento dos produtos, que levam a marca Purity, custarão R$ 1,7 milhão à cooperativa. Pesquisa da ACNielsen aponta que o consumo mundial de produtos à base de soja cresceu 31% entre 2003 e 2004.

 

 

Rodrigues lança Plano Nacional de Agroenergia

13/10/2005 - O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, lança nesta sexta-feira (14-06), a partir das 8h30, no Campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP), o Plano Nacional de Agroenergia. O projeto será apresentado pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvio Crestana.

O Plano faz parte do objetivo estratégico do governo federal para aumentar a produção de biocombustíveis,

 por meio do etanol, biodiesel, florestas energéticas, biogás e aproveitamento de resíduos e dejetos. A partir de 2008, será obrigatório o uso de 2% de biodiesel no diesel, o que representa quase 1 bilhão de litros de biodiesel por ano.

Consórcio:

O projeto, liderado pela Embrapa, prevê a criação simultânea de um consórcio brasileiro de agronergia, que reunirá vários setores, como as indústrias de petróleo e automobilística, bem como um fundo voltado para o setor. Em parceria com universidades e principais empresas de máquinas agrícolas em atuação no País, a Embrapa está realizando testes e adaptações para que os motores dos tratores aceitem mistura de 5% a 20% de biodiesel (soja, mamona ou girassol). Durante o evento, haverá mostra de equipamentos e maquete do Pólo de Biocombustível que será instalado na Fazenda Experimental Areão, em Piracicaba.

Segundo o ministro Roberto Rodrigues, o biodiesel ganha em todo o mundo uma dimensão cada vez mais relevante. “Alemanha e França já trabalham com volumes significativos. A Alemanha, por exemplo, produz quase 1,2 bilhão de litros”, afirmou. Especialistas prevêem que, nas próximas décadas, o agronegócio mundial estará estruturado em quatro macro segmentos: alimentação, fibras, biomassa, plantas ornamentais e nichos especializados.

Rodrigues destacou o aspecto social do uso do biodiesel e citou o exemplo da mamona no semi-árido nordestino. A expectativa de ação social, a oferta de soja e o preço recorde histórico do petróleo são fatores destacados pelo ministro que devem impulsionar o biodiesel.

 

 

Bertin terá primeira usina de biodiesel a partir do sebo bovino

17/10/2005- Chiara Quintão - O Grupo Bertin anunciou sexta-feira a instalação da primeira usina de biodiesel produzido a partir de sebo bovino. A unidade, que inicia a operação em junho de 2006, será instalada em Lins (SP). Os investimentos iniciais na planta vão somar R$ 40 milhões, segundo informou o diretor de negócios de biodiesel e de higiene e limpeza do Bertin, José Luiz Toledo. Há duas semanas, a Dedini Indústria de Base foi contratada pelo frigorífico para fornecer os equipamentos da usina.

A fábrica terá capacidade produtiva de 100 mil toneladas de biodiesel, ou 110 milhões de litros. "Será a maior usina de biodiesel de sebo bovino do mundo", diz o vice-presidente da Dedini, José Luiz Olivério. Ele destaca que a planta poderá atender 14% da demanda nacional de biodiesel, considerando-se a mistura obrigatória de

 2% do biocombustível ao diesel a partir de 2008. Estima-se um consumo nacional de 800 milhões de litros de biodiesel para atender à parcela de 2%.

Segundo Olivério, a maior parte do biodiesel produzido será vendida ao mercado e a outra parte, consumida por máquinas agrícolas, caminhões e ônibus do grupo, que passará a ser auto-suficiente em combustível. "Vamos desenvolver testes com uso de misturas de 2% de biodiesel ao diesel e depois de 5%", diz Toledo. O custo de produção de biodiesel de sebo é 30% menor que o fabricado de óleos vegetais, de acordo com o vice-presidente da Dedini, mas o rendimento é, em média, 5% menor.Atualmente, o Bertin consome 120 mil toneladas de sebo bovino por ano, sendo metade de produção própria e metade adquirida de terceiros por sua divisão de higiene e limpeza. Para a fabricação de biocombustível, o frigorífico deve aumentar suas compras da matéria-prima. ‘Existe um excedente de 80 mil toneladas de sebo bovino no País, que, em alguns momentos, é exportado", afirma Toledo.

A planta de biodiesel do Bertin será flexível quanto à matéria-prima a ser utilizada, podendo utilizar óleos vegetais. Ele explica que será utilizado metanol em vez de etanol para a transesterificação, pois a combinação do sebo com etanol resulta em saponificação (formação de sabão). "Se fosse usado etanol, o biodiesel seria mais "verde", mas mesmo usando metanol, poderá contribuir para reduzir o efeito estufa", diz Olivério. A expectativa é que a usina consuma, nesse processo, 15 milhões de litros de metanol ano, produzido por refinarias da Petrobras.

A Dedini elabora seis orçamentos de plantas de biodiesel a partir de sebo bovino, com capacidades produtivas que variam de 12 milhões de litros/ano a 110 milhões de litros/ano. Cerca de 60 projetos de fábricas de biodiesel de óleos vegetais estão em avaliação pela empresa. A Dedini foi responsável pela construção da unidade do Grupo Agropalma, localizada em Belém, com capacidade de produção anual de 8 milhões de litros de biodiesel por ano a partir do óleo de palma.
 

 

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