Biodiesel evitará guerra por petróleo, diz Lula  

 

O entusiasmo de Lula com o programa é tamanho que, em discurso, ele disse que, além da importância econômica e social, o programa terá caráter pacifista, porque evitará guerras que tenham o petróleo como motivo.

O governo homologou em Cássia (MG) a usina Sayminas Biodiesel (Grupo Biobras) como a primeira a comercializar o combustível, produzido a partir de girassol e nabo forrageiro.

Enquanto Lula fazia a homologação no sudoeste de Minas, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), abastecia na capital mineira, em um posto de bandeira ALE, o primeiro veículo movido a diesel com a mistura de biodiesel -o presidente acompanhou via satélite.

O programa brasileiro de biodiesel, denominado "Plantando Combustível", foi definido por Lula como a inauguração "de uma nova matriz energética" brasileira com ganhos não apenas econômicos mas também sociais, já que o programa está, inicialmente, todo sustentado na produção das oleaginosas por pequenos agricultores, muitos das regiões mais pobres do país. E Lula foi além, pegando carona no discurso do ministro Roberto Rodrigues (Agricultura), que falara pouco antes do presidente.

"Estamos dando um sinal ao mundo de que, em um futuro bem próximo, o petróleo não será motivo para que haja guerra no mundo ou para que um país consumidor não invada um país produtor", disse ele, remetendo à lembrança da invasão do Iraque pelos Estados Unidos -embora o governo norte-americano nunca tenha admitido que seria esse o motivo do conflito.

Batismo de fogo

Lula disse ser "muita responsabilidade fazer com que o programa tenha a dimensão" desejada. Classificou o dia de ontem como o do "batismo de fogo".

Citou o programa brasileiro do álcool do passado para dizer que "aprendemos como lição e vamos começar a corrigir os erros", desde já, com o novo programa. Ainda sobre o álcool, afirmou que o governo trata essa questão "com seriedade" e que a prova é que a indústria automotiva voltou a produzir carros movidos a álcool.

O presidente, que disse ser otimista a ponto de imaginar que, daqui a alguns anos, todos os veículos no Brasil serão movidos a biodiesel, afirmou que este "não é um programa do governo Lula, é um programa de uma nação chamada Brasil", e que, daqui a dez anos, "seja quem for o presidente", haverá essa confirmação.

Comercialização

Inicialmente, o Brasil comercializará a mistura na proporção de 2% de biodiesel para cada litro de óleo diesel. Isso vai representar uma economia anual de US$ 425 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) com o menor consumo de diesel mineral, segundo a ministra Dilma Roussef (Minas e Energia).

Até 2007, a mistura será opcional. Com o incremento do programa, a meta do governo é ampliá-la para 5% a partir de 2008, percentual que, segundo Roussef, passará a ser obrigatório no país, como ocorre hoje com a mistura de álcool anidro na gasolina.

As pesquisas com o biodiesel indicaram que o produto não altera o desempenho dos veículos movidos a diesel e não acarreta dano aos seus motores.

Fonte: Folha de São Paulo - Paulo Peixoto

 

ANP quer incentivar debate sobre programa do biodiesel  

 

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quer incentivar o debate sobre a implantação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Uma das idéias é organizar fóruns regionais, a começar pelo Nordeste.

Em reunião nesta quarta-feira, o diretor-geral em exercício da ANP, Haroldo Lima, os diretores John Forman e Newton Monteiro e superintendentes da agência ressaltaram a necessidade de promover a inclusão de pequenos e médios produtores, além de garantir a qualidade do novo combustível e captar financiamento para o programa.

A ANP publicou, no final do ano passado, a regulamentação que estabelece a especificação do biodiesel e a estrutura da cadeia de produção, distribuição e comercialização do combustível para uso comercial em todo o país, por meio da adição de 2% ao diesel derivado de petróleo (B2).

Essa mistura poderá ser feita pelas refinarias ou pelas distribuidoras de combustíveis, a exemplo do modelo adotado para a adição de álcool anidro à gasolina comercializada pelos postos revendedores.

O biodiesel é um combustível renovável que pode ser produzido a partir de oleaginosas como mamona, soja, dendê, palma e girassol. A adição de 2% de biodiesel não exigirá alterações nos motores movidos a diesel.

Fonte: O Globo Online

 

Incerteza cerca a produção de mamona para biodiesel  

 

As dificuldades para comercializar a produção de mamona e problemas climáticos no Nordeste estão trazendo dúvidas a agricultores e indústrias sobre o sucesso da produção de biodiesel no país neste ano.

No Rio Grande do Norte, a Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó (Cersel), tinha planos para ampliar a área de mamona de 2,3 mil hectares para 3 mil neste ano, mas os 130 produtores ainda não começaram a plantar. José Mariano Neto, presidente da cooperativa, diz que a incerteza sobre a venda da produção desestimula a produção. "E a falta de chuva também preocupa", afirma.

Em 2004, a Petrobras assinou convênio com a Emater-RN para a compra da produção de 3 mil dos 10 mil hectares plantados no Estado. Domingos Cabral, gestor de mamona da Emater-RN, diz que desde então a empresa comprou apenas 30 toneladas. "A falta de organização dos produtores atrapalhou o início do projeto", observa.

Neto, da Cersel, diz que a cooperativa deveria ter entregue as 1,5 mil toneladas produzidas à Petrobras, que se comprometeu a pagar, 30 dias após o recebimento, R$ 1 por quilo. Os produtores discordaram do prazo e venderam a safra a empresas da Bahia, a preços abaixo de R$ 0,80, mas à vista. "A Petrobras não faz adiantamento e os produtores precisavam do dinheiro", explica.

Ulisses da Costa Soares, coordenador do Programa de Biodiesel da Petrobras, concorda que os produtores não tinham estrutura para fazer a venda a prazo e considera "normal" esse tipo de problema no início do projeto. "O que se vê é que eles têm uma carência de gestão, de mão-de-obra qualificada e de recurso financeiro", diz Soares.

Ele diz que a Petrobras estuda um novo modelo de negociação e pretende fornecer sementes para plantio de 4 mil hectares neste ano. A companhia inaugura duas fábricas de biodiesel de mamona neste ano em Guamaré (RN). Juntas, as unidades, que absorvem investimentos de R$ 14 milhões, produzirão 2 mil litros por dia, podendo até triplicar o volume na fase comercial. Segundo Soares, não há previsão para o início da comercialização desse biodiesel.

Cabral, da Emater-RN, aponta a falta de chuvas como outro fator de desestímulo. Em 2004, dois terços da área já estavam plantadas em março. Neste ano, não houve plantio. "A estimativa era que o Estado alcançasse 20 mil hectares, ante 10 mil no ano passado. Mas, se não chover, não haverá plantio". Cabral observou que o índice de chuvas, historicamente de 400 milímetros, não chegou a 70 neste trimestre.

Nelson Côrtes da Silveira, diretor-geral da Brasil Ecodiesel, diz que a falta de chuvas afetou também o Ceará, onde a empresa fez acordo com agricultores para comprar a safra de 2 mil hectares. A empresa tem uma planta no Canto do Buriti (PI) e em Crateús (CE) e produz 5 mil litros por dia, mas enfrenta dificuldade para vender.

"Há uma dificuldade de fechar contratos no mercado interno e estamos tentando fazer acordos para exportar para Europa ou Canadá", diz Silveira. Neste ano, a empresa investirá R$ 48 milhões no biodiesel e prevê inaugurar, em julho, uma unidade no Piauí para produzir 25 mil toneladas por ano. Outras duas deverão começar a operar até 2007

Fonte: Valor Econômico - Cibelle Bouças

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 Lula: programa de biodiesel não vai repetir erros do passado  

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, ao inaugurar a primeira usina brasileira de biodiesel, que o projeto de produção do novo combustível está começando sem repetir os erros do passado. Ele lembrou que, na década de 90, o Pró-Álcool atendia praticamente 90% da frota de carros produzidos no Brasil, embora a produção de carros movidos a álcool fosse interrompida.

"O açúcar (matéria-prima do álcool) estava desvalorizado, o álcool já desvalorizado porque não tinha consumo", afirmou o presidente. "Estamos começando pequeno. Estamos começando com 2% do biodiesel nos motores de tratores, carros, caminhões, ônibus".

Lula disse que o incentivo à produção de álcool também tem sido foco de ações do governo. "Os produtores de álcool têm certeza de que o governo está tratando o álcool com seriedade. A indústria automobilística voltou a produzir carro a álcool", ressaltou o presidente.

Em relação à produção do biodiesel, Lula afirmou que o programa de incentivo à produção do novo combustível no país contará com o apoio logístico da Petrobrás para garantir a distribuição do produto em território nacional. Segundo Lula, a distribuição será o principal desafio para o sucesso do programa.

"É muita responsabilidade a gente fazer com que o programa do biodiesel tenha uma dimensão nacional e possa se transformar num combustível definitivo para o Brasil", disse o presidente.

"Quanto mais crescer o consumo mais aumentará a nossa responsabilidade de não permitir que uma brasileira, um brasileiro em qualquer lugar do Brasil que quiser colocar biodiesel no carro não consiga".

Inaugurada nesta quinta-feira (24), a Usina de Biodiesel Soyminas terá capacidade para produzir 12 milhões de litros do novo combustível por ano. A produção será a partir do girassol e do nabo forrageiro.

O biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de oleaginosas, como soja, mamona, dendê e girassol. Além de ser uma tecnologia limpa, ou não poluente, o biodiesel também tem vantagens econômicas.

O presidente Lula destacou que o Brasil ainda importa hoje cerca de US$ 2 bilhões de petróleo, matéria-prima do diesel comum. E, segundo ele, a produção da usina vai gerar R$ 9 milhões de reais por ano à economia do município.

Lula acrescentou que o projeto da usina está amparado em uma ampla parceria entre prefeitura, setor privado, governo federal e agricultura familiar. "No mesmo projeto conseguiu-se a associação entre uma fronteira de ponta do desenvolvimento, a energia renovável, e uma força secularmente esquecida na história brasileira, a agricultura familiar".

A produção da matéria-prima do biodiesel, de acordo com o presidente, já beneficia 200 famílias em Cássia. "Na próxima safra serão duas mil, e em três anos, 8 mil pequenos agricultores estarão integrados ao projeto", informou Lula. "O resultado disso tudo é fácil de prever: a multiplicação de renda, emprego, do bem estar e da cidadania, aqui e em mais 25 cidades do entorno", concluiu.

Fonte: Agência Brasil - ABr - Cecília Jorge e Michèlle Canes
 

 

 

 

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