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Biodiesel já tem decreto de regulamentação |
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Decreto presidencial publicado no Diário Oficial regulamenta a Lei do Biodiesel
e permite a adição do produto ao óleo diesel em quantidade acima de 2%, quando
for utilizado em frotas cativas ou específicas, como os veículos de uma empresa.
Também está liberada a mistura acima de 2% para transporte aquaviário ou
ferroviário, geração de energia elétrica e uso industrial. O uso do
biodiesel
nestes casos dependerá de autorização da Agência Nacional do Petróleo , Gás
Natural e Biocombustíveis (ANP), a quem caberá expedir normas complementares
sobre o assunto.
Fonte: O Estado de São Paulo - 25/05/2005
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Plantadores de cana do Brasil
transformam-se em produtores de combustível
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Em Catanduva,
Brasil
- Há não muito tempo, os moradores desta exuberante região produtora de cana no
Sudeste do Brasil precisavam ficar de olho atento no preço do açúcar nos
mercados mundiais para saber se os fazendeiros locais contratariam ou demitiriam.
Mas, atualmente, a maioria das pessoas nesta pequena cidade rural parece mais
preocupada com o preço do petróleo. E por um bom motivo: desde que os preços
mundiais do petróleo começaram sua enorme escalada no início do ano passado, a
demanda por combustíveis alternativos mais baratos como o etanol derivado de
canade- açúcar disparou, ajudando a encher o bolso dos produtores brasileiros de
cana ao mesmo tempo em que os tornava menos vulneráveis às oscilações do mercado
de açúcar.
"O etanol está
caminhando para se tornar um commodity como o petróleo, e o preço do petróleo é
um dos principais motivos", disse José Fernandes Rio, diretor da Usina
Cerradinho, uma das oito usinas de açúcar e destilarias de etanol espalhadas por
Catanduva, que está investindo de forma pesada para aumentar a produção.
A demanda
crescente por etanol --ou álcool, como a maioria dos brasileiros o chama-- está
alimentando um boom de investimento na indústria de cana-de-açúcar do Brasil não
vista desde a crise do petróleo dos anos 70.
Naquela época,
a ditadura militar do país buscou reduzir a dependência do caro petróleo
estrangeiro oferecendo ricos subsídios e incentivos fiscais para os usineiros
refinarem a cana em etanol, ao mesmo tempo em que financiavam a construção de
uma rede nacional de distribuição para o combustível.
Apesar de o
nervosismo do petróleo estar novamente ajudando a estimular a nova onda de
investimento na indústria de cana do Brasil, desta vez o governo não está
pagando a conta. Cheios de dinheiro devido à recuperação dos preços mundiais do
açúcar nos últimos anos, muitos usineiros estão gastando seus próprios recursos
e fazendo empréstimos bancários para melhorar o atendimentos aos mercados
estrangeiros.
Segundo uma
recente pesquisa da ProCana, um grupo de pesquisa em Ribeirão Preto que monitora
a indústria do açúcar e do etanol, R$ 12,5 bilhões já foram reservados para 40
novas usinas e destilarias ao longo dos próximos cinco anos. Grande parte do
dinheiro será gasto aqui no Oeste do Estado de São Paulo, uma região que já
abriga dezenas de usinas de açúcar, gerando perto de 100 mil empregos em um
setor que emprega mais de 1 milhão de pessoas.
"De todas as
diferentes ondas de investimento que o setor já experimentou, esta é claramente
a mais sólida de todas", disse Maurílio Biagi Filho, um executivo da CrystalSev,
um grande conglomerado de açúcar e etanol que está dando os retoques finais em
um terminal de etanol de US$ 10 milhões no porto de Santos.
"As pessoas têm
dinheiro para investir, e tanto a demanda doméstica quanto externa está em alta",
acrescentou Biagi, cuja família está no ramo de açúcar desde 1920. "Todos os
ingredientes estão lá."
Há não muito
tempo, o futuro do etanol não parecia tão brilhante. No auge da campanha
pró-álcool do governo em meados dos anos 80, carros movidos apenas a etanol
representavam quase 90% das vendas de carros novos no Brasil. Mas o consumo
doméstico de etanol começou a cair de forma constante nos anos 90, quando fracas
safras de cana e os altos preços do açúcar provocaram uma escassez de álcool que
enfureceu os motoristas, levando muitos a voltarem a carros movidos a gasolina.
Então, três
anos atrás, uma grande montadora começou a vender carros no Brasil movidos tanto
a gasolina ou etanol, ou qualquer combinação dos dois. Atraídos pelo baixo preço
do álcool -- que custa pouco mais da metade do preço da gasolina-- os
brasileiros têm comprado estes chamados carros "flex fuel" (bicombustível) aos
montes, ajudando a reviver o mercado doméstico de etanol.
Hoje, todas as
grandes montadoras no Brasil oferecem estes veículos híbridos, que agora
representam 33% das vendas de carros novos, um número que alguns analistas
prevêem que poderá chegar a 80% até o final do próximo ano. Graças à
popularidade do motor flex fuel, o consumo doméstico de etanol deverá saltar 50%
nos próximos cinco anos, o que fará com que um crescente percentual da safra
anual de cana do país será usada para produzir combustível.
Neste ano, por
exemplo, um número recorde de 57% da safra será destinada à produção de etanol,
em comparação a menos da metade em anos recentes, segundo a Datagro, uma firma
de consultoria de açúcar e cana com sede em São Paulo.
"As pessoas
costumavam dizer que nossa única chance de vender mais etanol seria aumentando
as exportações", disse Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica, a maior
associação do país de produtores de açúcar/etanol. "Isto mudou do dia para a
noite com os carros flex fuel."
Como nenhum
outro país possui uma rede de distribuição de etanol tão ampla quanto a do
Brasil, é improvável que os carros flex fuel venham a se tornar uma tendência
internacional tão cedo. Mas com os preços mundiais do petróleo se aproximando de
US$ 50 o barril, governos de todo o mundo estão à procura de formas de
substituir a gasolina pelo etanol.
Quase uma dúzia
de países, incluindo o Canadá, Suécia e os Estados Unidos, já começaram a
misturar etanol com a gasolina, uma prática que foi obrigatória no Brasil por
anos. Isto ajuda a colocar um freio nos preços nas bombas ao mesmo tempo em que
reduz as emissões de combustível, uma exigência para os países que assinaram
tratados ambientais como o Protocolo de Kyoto.
Outros países,
como a Austrália e a Tailândia, estão se voltando para o Brasil para ajudá-los a
desenvolver suas próprias indústrias de etanol, para alimentar a demanda por
energia mais barata na Ásia, especialmente por parte da China.
A Índia, a
segunda maior produtora mundial de açúcar do mundo, atrás do Brasil, também está
se esforçando para disseminar o uso do etanol, para reduzir sua dependência de
petróleo estrangeiro à medida que sua frota de automóveis cresce juntamente com
sua classe média.
Por ora, o
Brasil, com seus baixos custos de produção, abundância de terras e setor de
etanol já estabelecido, é quem mais está se beneficiando. Apenas no ano passado,
suas exportações de etanol triplicaram para quase US$ 500 milhões, à medida que
os preços do petróleo aumentavam, com os Estados Unidos e a Índia no topo da
lista de importadores.
E à medida que
cresce a pressão sobre a União Européia para cumprir a ordem da Organização
Mundial do Comércio para acabar com os subsídios ao açúcar, conseqüentemente
tornando a produção de açúcar menos lucrativa lá, mais produtores estrangeiros
de açúcar e empresas de comércio se voltarão para o Brasil para manter seus
negócios vivos.
Theo Spettman,
executivo-chefe da Suedzucker da Alemanha, a maior produtora de açúcar da Europa,
disse em um seminário em São Paulo, neste mês, que a empresa está à procura de
oportunidades de investimento no Brasil. Se ela se arriscar, a Suedzucker
seguirá os passos de empresas francesas como Louis Dreyfus, Tereos e Sucden, que
se estabeleceram no Brasil nos últimos anos.
"Os principais
membros da indústria do açúcar na Europa não vão deixar de ser grandes apenas
devido ao fim de seus subsídios", disse Josias Messias, presidente da ProCana, o
grupo de pesquisa que estuda o açúcar e o etanol.
"Eles sabem que
terão que investir aqui."
Fonte: New York Times - Todd Benson - 24/05/2005
Tradução:
George El Khouri Andolfato
Matéria Original
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No interior paulista
óleo de fritura ganha status de biodiesel (Ribeirão Preto) |
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Resíduo
de empresas como Carrefour é tratado e devolvido em forma de biocombustível
Após fritar um bife em sua casa, os restos de óleo vão direto da frigideira para
o ralo. Certo? Errado! Segundo especialistas, quando o óleo segue para a rede de
esgoto, encarece o tratamento dos resíduos em até 45%. Se chega aos rios, além
de contaminar a água, impermeabiliza seus leitos, favorecendo enchentes. São
argumentos como estes que mobilizam a população para encaminhar o óleo de
fritura para a reciclagem. Além de servir à produção de sabão, massa de vidro,
rações animais, o óleo usado chegou ao século 21 com status de base para o
biodiesel.
Dedicado à pesquisa para a produção de
biodiesel com óleos brutos e refinados, o
Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas do Departamento de Química
da USP de Ribeirão Preto (Ladetel) foi procurado em 2001 pelo McDonalds, que
queria doar o óleo de fritura gerado em suas lojas naquela região. "Na natureza
ele é um incômodo ambiental. Foi o que nos moveu", recorda o professor Miguel Dabdoub,
coordenador do Ladetel e presidente da Câmara Setorial de Bio-combustíveis
do Estado de São Paulo.
Segundo Dabdoub, Ribeirão Preto costuma receber centenas de crianças da área
rural para tratamentos médicos complexos. Muitas vezes, os familiares não têm
como ficar junto. Para ajudar, decidiu-se direcionar parte da venda deste
biodiesel a
dois grupos de apoio: um voltado às crianças transplantadas de medula óssea (Gatmo)
e outro, às crianças com câncer (Gaac).
Em 2004, foi a vez do
Carrefour, que ofereceu o óleo residual de 36 lojas no
Estado de São Paulo. "Os caminhões que entregam mercadorias retornam das lojas
para o centro de distribuição da empresa, em Osasco (SP) com o óleo residual. E
nós coletamos neste único ponto", detalha Dabdoub. Mesmo sem doar o óleo das
cozinhas industriais que fornecem as refeições dos funcionários, o resultado
superou a expectativa: mais 7 mil litros mensais. Segundo Dabdoub, parte do
biodiesel
já é retribuído ao Carrefour. As lojas de Pinheiros, na capital, de Osasco,
e de Ribeirão Preto,
recebem biocombustível para abastecer os geradores de energia elétrica, ligados
nos horários de pico.
Na rota da expansão, o programa tornou-se parceiro dos restaurantes de
diferentes campi da universidade de São Paulo (USP) e Estadual Paulista (Unesp).
Só o da USP de São Paulo chega a fornecer 2 mil litros semanais. O próximo passo,
diz Dabdoub, é atender estabelecimentos comerciais de Ribeirão Preto, que
forneceriam até 20 mil litros mensais, através do projeto Cata Óleo.
Uma das dificuldades é quantificar o potencial de óleo doméstico disponível para
a reciclagem, diz Dabdoub. A Organização das Nações Unidas propõe um descarte de
800 ml mês/família. Mas a expectativa da Ladetel é que no Brasil se gere no
máximo a metade deste volume. Também difícil é calcular o custo da reciclagem: o
processamento na Ladetel custa entre R$ 0,15 a 0,18 por litro, sem computar a
logística da coleta, o custo do óleo e a mão de obra especializada da USP.
Para Dabdoub, a reutilização do óleo pela população é uma questão de saúde
pública. "A cada reuso, o índice de acidez aumenta. É um perigo". Para o
professor, o problema decorre da falta de conhecimento. "Vi estabelecimentos
onde, quando não dá mais para reusar o óleo, ele é incorporado à massa de
salgadinhos". Através do Cata Óleo, explica, a Ladetel quer estimular a mudança
de hábito. "A contrapartida para a doação do óleo residual dos restaurantes e
bares do município será uma análise química. Se ele estiver num padrão aceitável
de acidez e próprio para o consumo humano, o estabelecimento ganhará um selo de
qualidade. Isso incentivará a melhoria no uso do óleo."
O laboratório também começa a estender o Cata Óleo para escolas e instituições
sociais. Um dos primeiros parceiros é o Núcleo de Educação Sócio-Ambiental Prof.
Leandro Eduardo de Souza, que iniciou as coleta e ações educativas em escolas em
Pontal (SP). "Vislumbramos projetos pelos quais a cada dez bombonas (10 mil
litros), doaríamos um computador para a instituição."
Outra iniciativa, envolve a Granol - fabricante de óleo vegetal com cinco
unidades industriais -, e redes de supermercado de médio porte do interior
paulista.
No início do mês, a rede Supermercados Bom D+, com lojas em seis municípios no
oeste do Estado, encerrou uma campanha de seis meses, por meio da qual os
consumidores trocavam 2 garrafas pet cheias de óleo de cozinha usado (4 litros)
por uma lata de 900 ml do óleo de soja Tupã. Ainda sem os números consolidados,
o diretor de marketing da rede, Fábio Oranges, indica que a coleta superou os 20
mil litros no período. Foi um projeto ganha-ganha, diz ele. Além de economizar,
o consumidor deixou de poluir a natureza. A rede deu sua contribuição ambiental
e atraiu consumidores. Já a Granol, que também realiza a mesma campanha em
outras duas redes paulistas, ganhou em imagem e na fidelização de clientes para
sua marca de óleo Tupã.
Fonte: Valor Econômico - Silvia Czapski -
24/05/2005
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Meta principal é escoamento de grãos
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A viabilidade da nova Transnordestina está ligada ao desempenho do agronegócio
nas regiões sudeste do Piauí e do Maranhão e oeste da Bahia. É o crescimento
dessa produção que dará volume de carga e rentabilidade para a ferrovia.
Eventual recuo poderá significar prejuízos.
Nos estudos feitos para embasar o projeto, ficou constatado que, na região a ser
atingida, a produção de grãos aumentou cinco vezes em dez anos e tem taxa de
expansão de 17,3% ao ano. A safra 2003/4 foi de 5,3 milhões de toneladas, e a
perspectiva para a safra 2010/11 é de 16,3 milhões de toneladas. A aposta é na
soja. A nova Transnordestina deverá ter capacidade anual para transportar 30
milhões de toneladas.
No futuro, se os trechos da ferrovia Norte-Sul que ligam Araguaína (TO) a
Estreito (MA) e Anápolis (GO) a Santa Isabel/Ceres (GO) forem construídos, a
aposta do governo é em uma ligação das áreas produtoras do Centro-Oeste com os
portos do Nordeste, via Transnordestina.
Essa ligação poderia ajudar a escoar, com competitividade, a crescente produção
de grãos do país. A safra nacional de soja duplicou nos últimos cinco anos e,
segundo os estudos feitos no projeto da Transnordestina, poderá duplicar
novamente até 2010.
A produção nacional de algodão aumentou 2,3 vezes em seis anos e poderá crescer
mais 2,6 vezes até 2010. A de milho aumentou 30% nos últimos seis anos e tem
perspectivas de crescer 46,4% até 2010. As opções atuais de logística para o
escoamento da produção, segundo o estudo, não darão conta desse crescimento.
Além dos grãos, foco principal da ferrovia, os investidores pretendem também
tirar proveito da carga gerada pela produção de gipsita (mineral que dá origem
ao gesso) em Pernambuco, na região de Araripina, com média de crescimento de 10%
ao ano.
O estudo aponta ainda para a viabilização da produção de álcool no Maranhão e no
Piauí, com possibilidade de exportação. Nos últimos dez anos, houve aumento de
três vezes na produção, com crescimento de 12,1% ao ano.
É destacada também a possibilidade de aumento da produção de frutas no Vale do
São Francisco, que poderia chegar a 125 mil toneladas em 2010. Além disso, a
ferrovia seria fonte de demanda para a produção de
biodiesel (produção
de diesel por meio da mamona, palma e outras plantas oleaginosas), um programa
que vem sendo incentivado pelo governo com isenções fiscais.
Fonte: Folha de São Paulo -
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - 24/05/2005
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MG corre contra o
tempo pelo biodiesel |
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A produção de 250 milhões de litros por ano do biocombustível (B2) a ser
acrescentado ao diesel de petróleo a partir de 2008, ano em que passa a ser
obrigatória a adição de 2% do óleo vegetal na mistura, depende ainda de uma
política estadual de Governo. A corrida é contra o tempo, segundo explicou o
coordenador do Programa de Biodiesel da Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural (Emater-MG), Amarildo Kalil. Ele estima uma economia, em
Minas Gerais, de US$ 40 milhões por ano na importação de óleo diesel com a
conquista da auto-suficiência na produção do B2 no Estado, além da criação
de 150 mil postos de trabalho só na agricultura familiar.
“Hoje, nós temos só 3,2 mil hectares de mamonas plantadas para produzir o
óleo vegetal, quando precisaremos, daqui a duas safras, ou seja, em 2008, de
uma área de plantio de 425 mil hectares em Minas. É a extensão de plantio,
não só de mamona, mas também de nabo forrageiro, girassol, soja, caroço de
algodão e pinhão manso, necessária para que possamos ser auto-suficientes na
produção do B2", salientou Kalil.
Para chegar lá, de acordo com o coordenador do Programa de Biodiesel, serão
precisos créditos com taxas de juros reduzidas através do Banco de
Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e incentivo fiscal, como a redução do
ICMS, para que se desenvolvam plantas industriais para o processamento do
óleo vegetal. Kalil também deseja a criação de uma Câmara Técnica de
Biocombustível.
“O Governo federal está fazendo a parte dele", observou o coordenador, ao
citar a criação do selo social para o fabricante do
biodiesel, que se
beneficia com um pacote de medidas de incentivo ao processamento do óleo
combustível. No caso de Minas, segundo o coordenador do Pronaf, do
Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo de Campos, a indústria de biocombustível que comprar 30% dos pequenos produtores cadastrados ganha o
selo social. Ele permite a redução de custos por empréstimos junto ao BNDES,
desde que a empresa processadora do óleo mantenha um contrato mínimo de
compra com o produtor (no caso de Minas, 30%, no Nordeste, 50%) e preste
assistência técnica ao agricultor. “Assim, ele vai obtendo redução
progressiva de tributo (PIS/Cofins) por metro cúbico de
biodiesel até
zerar o imposto", observou Arnoldo de Campos.
Campos e Kalil participaram ontem do Ciclo de Debates da Assembléia
Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que tratou dos biocombustíveis. Além dos
dois coordenadores de programas de
biodiesel, o diretor do Departamento de
Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Ricardo de Gusmão
Dornelles também debateu o tema. Ele calcula que, dos 840 milhões de litros/ano
necessários para o consumo em todo país até 2008, 250 milhões demandarão de
Minas. “Atualmente, em Minas, só Cássia, no Sul do Estado, está operando,
mas sua capacidade é de 12 milhões de litros/ano. A Agropalma, em Belém, tem
capacidade para 8 milhões de litros. Mato Grosso e Piauí também têm plantas
em construção. Mas, até agora, a de maior capacidade é a do interior de São
Paulo, que poderá processar até 300 milhões de litros de
biodiesel por ano",
apontou Ricardo Dornelles.
Governo prevê investimento de US$ 125 mi até 2008
O diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério
das Minas e Energia estima investimentos de US$ 125 milhões em plantas
industrias de processamento de biodiesel
até 2008. “O BNDES deverá ser responsável por 90% do financiamento investido
nas plantas industriais". O coordenador do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, Arnoldo Campos informou que os juros para o fabricante que comprar
matéria-prima de agricultor enquadrado no Pronaf não deverá ultrapassar a 4%
ao ano.
Em 2013, a mistura de biodiesel
deverá saltar de 2% para 5%. “Até lá, pretendemos que Minas esteja
produzindo o suficiente para não perder mercado para outro estado", destacou
Amarildo Kalil, da Emater-MG. Segundo ele, além de Cássia, Barbacena também
está com planta industrial para produção de
biodiesel através
do nabo forrageiro. São Francisco, no Norte de Minas; Uberaba, no Triângulo;
e Varginha, no Sul de Minas, também desenvolvem projetos.
“Por se tratar de biomassa, o B2 não aumenta a concentração de CO2 no ar e
não emite enxofre, que provoca chuva ácida. Além disso, o agricultor poderá
utilizar subprodutos do nabo forrageiro, da soja e do girassol para produzir
ração e glicerina. Já no caso da mamona, servirá para compor adubo orgânico",
acrescentou o coordenador do Programa de Biodiesel da Emater-MG.
Fonte: Hoje em Dia - Roberta Moreira -
24/05/2005 |
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Desafio é a
composição de um preço competitivo |
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Produção de oleaginosas poderá ser feita pelos pequenos produtores
A
discussão sobre uma política de isenção de tributos federais e estaduais para a
composição do preço final do biodiesel
foi a tônica do debate, ontem, no primeiro dia do Seminário Biodiesel Brasil
2005, realizado no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. O evento é
coordenado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e tem o apoio do
Governo do Estado.
O biodiesel
é produzido a partir de óleos vegetais ou gorduras animais e é apontado como uma
alternativa ao óleo diesel, produto derivado do petróleo. Por ser um combustível
que não polui o meio ambiente e como fonte de energia renovável, é tido como uma
solução de graves problemas ambientais, como o efeito estufa e a poluição das
grandes cidades.
Além dos benefícios ambientais na sua utilização, o programa de produção e
comercialização do biodiesel
no país também sinaliza para benefícios sociais, econômicos e estratégicos. "É
uma saída muito importante em diversificação energética e possibilidade de
inclusão social, na produção de oleaginosas pelos pequenos produtores", disse a
secretária de Estado de Ciência e Tecnologia, Flávia Nogueira.
Na avaliação da secretária, a questão produtiva e os investimentos em tecnologia
para a viabilização do programa estão resolvidas, por meio de investimentos do
governo Federal e Estadual. "O desafio, do ponto de vista do governo do Estado,
é o da composição do preço final do produto, para que o preço do
biodiesel seja
competitivo, seja interessante para o consumidor", disse.
De acordo com a secretária, é preciso que os Estados cheguem a um consenso sobre
a política de benefícios, que devem ser decididas por meio do Conselho Nacional
de Política Fazendária (Confaz). No ano passado, os estados de Mato Grosso e
Acre apresentaram uma proposta de redução do ICMS (Imposto Sobre Circulação de
Mercadorias) sobre o biodiesel,
mas que não foi aceita. Outro ponto importante, segundo a secretária, é uma
contrapartida do governo Federal nessa redução. "Os Estados sozinhos não vão
conseguir chegar a um preço competitivo", afirma, se referindo ao
comprometimento da arrecadação tributária.
Em dezembro do ano passado, o governo Federal autorizou a comercialização do
biodiesel,
inicialmente, para a mistura de 2%. Pela legislação, a partir de 2008 a mistura
de 2% passa a ser obrigatória. O aumento é gradativo, sendo que em 2013, o
percentual da mistura obrigatório será de 5%. "Nós temos que equacionar o
problema do preço, antes que seja obrigatória. Temos que trabalhar em cima da
carga tributária", disse o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico da
Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia, José Epaminondas.
De acordo com o secretário, em Mato Grosso o maior arrecadador de ICMS é o setor
de combustível. "É preciso um consenso dos Estados, por meio do Confaz, para a
redução nacional", afirma. Epaminondas avalia que também é necessário
estabelecer discussão entre Estados e governo Federal para a política de
benefícios de isenção de impostos. "Cada um tem que ceder um pouco", observa.
Fonte: Diário de Cuiabá - 24/05/2005
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Seguindo a tendência a Bahia
também lança sua Câmara Setorial |
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Durante o
Seminário do Biodiesel, realizado sábado, 21, no auditório do Sindicato Rural,
dentro da programação da 41ª Expoagro, aconteceu o lançamento da Câmara Setorial
do setor, numa iniciativa da Seprotur. O lançamento foi anunciado pelo
superintendente de Agricultura e Pecuária, da Secretaria de Estado de Produção e
Turismo, Ademar da Silva Junior.
O seminário foi promovido pela Embrapa Agrope-cuária Oeste, Embrapa
Transferência de Tecnologia – Administração de Agronegócios e Unigran, tendo
como parceiros o Sindicato Rural, Mapa e ANP (Agência Nacional do Petróleo), com
apoio do GPP (Grupo de Plantio na Palha). Como instituições de apoio, a Seprotur,
Sebrae, Seplanct e Ufms.
Segundo Euclides Maranho, coordenador do Curso de Administração em Agronegócio,
da Unigran , “o objetivo do seminário foi oportunizar aos produtores e técnicos
a percepção de uma nova alternativa na agricultura, que poderá proporcionar um
melhor aproveitamento dos recursos de produção, com uma conseqüente melhoria na
geração de renda”. Ele acrescenta que, “o evento buscou esclarecer alguns
gargalos que, ainda, dificultam o desenvolvimento de empresas para a produção de
biodiesel”.
Conforme o, também, técnico da Embrapa Agropecuária Oeste, “com a criação do
programa nacional de produção de Biodiesel pelo governo federal, cria-se também
uma nova oportunidade de negócios para o setor agrícola, uma vez que a matéria
prima a ser utilizada na produção do novo combustível, é toda produzida na
agricultura”. Observa que a região da Grande Dourados, por sua vez, tem
naturalmente um grande potencial na produção de oleaginosas, que poderão
contribuir para o atingimento das metas do programa.
Finalizando, Maranho destaca a importância do lançamento, durante o seminário,
da Câmara Setorial do Biodiesel de Mato Grosso do Sul. “A Câmara Setorial, ao
organizar os interesses da produção industrial, associados com a produção de
matéria-prima, vai favorecer um trabalho científico e de pesquisa de altíssimo
nível, deslanchando de vez a disponibilização do biodiesel”, conclui ele.
Fonte:
Diario MS -
Cláudio Xavier-23/05/2005
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União pode
sinalizar medidas de compensação |
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Para o coordenador de Comissão Executiva do Biodiesel da Casa Civil do
governo Federal, Rodrigo Rodrigues, é possível estabelecer esta discussão.
"No âmbito da Lei Kandir, em que há uma contrapartida da União na reposição
das perdas que os Estados têm com a exportação da matéria-prima", disse.
"O
governo Federal poderia sinalizar com alguma medida de compensação das
perdas da arrecadação, específica para o
biodiesel", avalia.
Na semana passada, o governo Federal sancionou a Lei 11.196, publicada no
Diário Oficial do dia 19 de maio, garantindo incentivos à produção do
Programa Nacional de Uso do Biodiesel no país. A nova legislação estabelece
alíquotas diferenciadas para contribuições sociais (PIS e Confins) aos
fabricantes de óleo combustível que comprarem matéria-prima de produtores
familiares, com redução de 100% para os produtos fornecidos pelos pequenos
produtores das regiões Norte e Nordeste e 68% para as demais regiões do país.
Mato Grosso se destaca no país com um grande potencial de produção do
biodiesel,
já que possui três ecossistemas (Cerrado, Amazônia e Pantanal) distintos,
propícios para a produção de diferentes espécies de oleaginosas, como a soja
e o girassol no Cerrado e a bocaiúva no Pantanal. A programação do Biodiesel
BR 2005 se encerra hoje. É o primeiro evento realizado no país sobre
biocombustível apresentando o potencial do país para se transformar numa
potência energética.
Fonte: Diário de Cuiabá - 24/05/2005
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sopa de pedras |

O
físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor emérito da Unicamp, fez
restrições graves ao entusiasmo oficial em torno do
biodiesel. Mostrou,
por exemplo, que tentar extraí-lo da soja equivaleria a trocar seis por meia
dúzia, já que para produzir um litro de diesel se gastaria um de gasolina.
O governo federal está apostando no efeito multiplicador que se obteria com
isenções fiscais para a produção de mamona, palma e dendê aprovadas na semana
passada por Lula e a ministra Dilma Roussef, das Minas e Energia. A decisão de
implantar uma unidade experimental para o
biodiesel na Usina do Xisto de São Mateus
do Sul é importantíssima. Foi ali que o Brasil dominou a tecnologia Petrosix de
exploração e que tem cedido a outros países.
Fonte: Folha de Londrina - 24/05/2005
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Rondônia terá
biodiesel |
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Em
2010 Rondônia poderá produzir até 100 mil toneladas de
biodiesel. A
previsão é da Associação Apanoé, de Pimenta Bueno que conseguiu
financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), estimado em R$ 200 milhões, para a execução de programas
sustentáveis. O Projeto Agro-Florestal, Biodiesel, Álcool, Produção,
Industrialização e Exportação retirará de plantas como o piquí, dendê,
graviola, mamona, girassol e da bata-doce, o combustível ecologicamente
correto.
O projeto está em fase de implantação. São 430 famílias que integram a
associação Apanoé. Estes agricultores terão 25 mil hectares reservados a
plantação das oleaginosas, para a extração do
biodiesel.
De acordo com o presidente da Apanoé, Luiz Adão Bispo, o projeto de produção
do combustível renovável gerará até 30 mil empregos indiretos, quando a
usina de beneficiamento estiver em funcionamento. “De forma direta, 10 mil
pessoas serão beneficiadas, com empregos - na plantação e colheita, ou no
processamento dentro da usina” afirma.
O contador, Romildo Fernandes da Silva, que realiza trabalhos de gestão
empresarial da associação, disse ao Diário, que não se trata de um projeto
utópico, mas de um sistema sustentável de geração de emprego e renda. “Os
produtores vão utilizar frutos típicos da região para a produção de um
combustível, que substituirá o diesel comum. E os 25 mil hectares que serão
utilizados para a produção serão devidamente reflorestados. Tudo isso consta
no projeto”, revela.
As instalações da fábrica de beneficiamento, cujos equipamentos estão
orçados em 16 milhões, teve início nesta semana. O prefeito Augusto Placa
solicitou que máquinas do DEVOP (Departamento Estadual de Viação e Obras
Públicas) realizassem a destocagem e desmatamento, onde será construída a
Usina de Beneficiamento.
A previsão é de que já em 2007 aconteça o beneficiamento da batata-doce, que
será transformada em álcool. As outras culturas, serão colhidas apenas em
2010, o que antecederá uma Lei aprovada pelo Senado Federal, a qual exige
que em cinco anos o percentual de combustível natural, misturado ao óleo
diesel, aumente de 2% para 11%. “Quando este novo percentual entrar em
vigor, a Usina da Apanoé já estará com produção suficiente para a exportar
para outros estados”, resume o contador.
Fonte: Diário da Amazônia -
PORTO VELHO - 24/05/2005
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Verde e social |
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Foi
assinada, pelo presidente Lula, a instrução normativa que autoriza a
criação do selo Combustível Social para o
biodiesel. A nova
legislação permite o estabelecimento de alíquotas diferenciadas para
contribuições sociais (PIS e Cofins) aos fabricantes de óleo combustível que
comprarem a matéria-prima de produtores familiares. Além disso, o
biodiesel
produzido a partir de mamona e dendê fornecidos por agricultores familiares
das regiões Norte, Nordeste e do semi-árido terá 100% de redução em relação
à regra geral de cobrança desses impostos.
Os
demais agricultores familiares de todo o País terão diminuição percentual de
89,6%. Esta medida beneficia diretamente o Piauí, que está descobrindo mais
uma vocação econômica através do plantio da mamona. Mais que isso, a criação
do selo valoriza a produção familiar da mamona, que deverá ser disputada
como nunca pelas empresas de biodiesel.
Considerando que a concentração da mamona está na região do semi-árido
piauiense, área que possui os piores indicadores sociais em todo o país e,
sobretudo, no Piauí; a criação do selo se torna uma medida ainda mais
valiosa. Desta forma, o selo identificará produtores de
biodiesel que
promovam a inclusão social e o desenvolvimento regional por meio da geração
de emprego e de renda para os agricultores familiares enquadrados nos
critérios do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
O
governo federal está apostando no crescimento gradual da nova cadeia de
combustível a partir do incentivo à inclusão social de agricultores
familiares e assentados da reforma agrária, principalmente no Norte e
Nordeste. As organizações da agricultura familiar, os movimentos sociais, a
rede oficial de assistência técnica e as organizações não-governamentais que
trabalham com a agricultura familiar também serão parceiros do Ministério do
Desenvolvimento Agrário na fiscalização e controle social do uso do selo,
que terá prazo de validade de cinco anos.
Haverá auditoria anual e a renovação será feita mediante a solicitação
apresentada ao Ministério antes do término do prazo de concessão do uso.
Assim, fica agora a esperança de que tal medida não acabe sendo mal
utilizada por pessoas de má fé.
Fonte: O Dia - 23/05/2005
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Brasil quer
transformar-se na fazenda do mundo |
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Aí na
França, a sua camiseta e o seu aparelho de televisão já são chineses. Quando
você acredita estar telefonando para uma agência perto da sua casa para
reservar uma passagem de avião, ou ainda para pedir conselho ao centro de
manutenção do seu provedor de Internet, é possível que o seu interlocutor
esteja de fato a milhares de quilômetros de distância, possivelmente numa
central de tele-marketing na Índia.
Amanhã, o frango assado que estará no seu prato e o açúcar que você
acrescentará no seu cafezinho têm fortes chances de serem brasileiros.
Isso não é nenhuma profecia esdrúxula e sim uma probabilidade muito séria
que o Brasil está se esforçando para concretizar com muita energia.
Os especialistas da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o
Desenvolvimento (Cnuced) acabam de validar recentemente, afirmando que este
país --o quinto maior do planeta pela sua superfície-- poderia pretender
dentro de dez anos tornar-se o principal produtor agrícola mundial.
Embora o Brasil ainda esteja um nanico no plano do comércio internacional,
participando de 1% dos negócios apenas, as suas realizações no campo da
agricultura são desde já impressionantes: primeiro produtor e exportador
mundial de açúcar, de café, de suco de laranja, primeiro exportador
mundial de tabaco, de carne bovina e de frango, e segundo exportador de soja.
No total, ele sobe para o terceiro degrau do pódio, atrás dos Estados Unidos
e da União Européia. As suas exportações foram multiplicadas por dois no
decorrer dos últimos quatro anos.
Elas se destinam a atender os seus novos clientes, entre os quais a China, a
Índia, a Rússia e a África do Sul. Esta revolução em profundidade da
agricultura brasileira foi iniciada há cerca de dez anos, quando os seus
dirigentes optaram por liberalizar o setor e por orientar as suas atividades
para os grandes mercados de exportação.
Para tanto, foi adotado um modelo de alto desempenho, constituído por
grandes plantações de vários milhares de hectares, por uma mecanização
aprimorada e uma pesquisa agronômica pública de grande qualidade, a qual foi
colocada a serviço do setor privado.
A tudo isso, é preciso acrescentar ainda o custo pouco elevado da mão de
obra, o preço reduzido e a disponibilidade das terras. Por fim, houve as
desvalorizações sucessivas do real, próprias para dopar um pouco mais ainda
as exportações dos produtos brasileiros.
Fica fácil então entender por que este país se mostra tão agressivo na
esfera da Organização Mundial do Comércio (OMC), com objetivo de obter uma
liberalização dos intercâmbios agrícolas e o fim das subvenções que vêm
sendo praticadas em doses maciças pelos europeus e os americanos para
proteger os seus produtores.
No caso do açúcar --razão de europeus terem sido condenados em abril
pela OMC--, os produtores brasileiros são capazes de reduzir os preços pela
metade no mercado internacional.
Ao ascender ao poder, em janeiro de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva entendeu
prontamente que ele cometeria um erro gravíssimo caso entrasse em confronto
com o poderoso setor do agro-business.
Isso mesmo em nome da justiça social e do acesso à terra, que vinham sendo
defendidos desde sempre pelo Partido dos Trabalhadores (PT) do qual ele é
oriundo, e que é uma espécie de parceiro de luta do Movimento dos Sem-Terra
(MST). Não se mata assim a galinha dos ovos de ouro!
"Eu reconheço que eu estava preocupado quando Lula foi eleito", admite hoje
Carlo Lovatelli, o presidente da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag).
"Mas, eu estava equivocado. Apesar de ele não ter recebido uma educação
completa, ele tem um bom senso fantástico". Este "bom senso"
de Lula se
resume, para o ano de 2004, a um número: US$ 34 bilhões (R$ 83,27 bilhões),
ou seja, o excedente da balança comercial apenas para o setor da agricultura,
sem o qual as contas externas do país estariam até hoje no vermelho.
Isto equivale a dizer que esta máquina de arrecadar dinheiro vivo que
constitui atualmente a agricultura de exportação brasileira é essencial para
o governo, uma vez que ela lhe permite assentar a sua credibilidade
financeira nos mercados internacionais.
Sem este "colchão" de dinheiro, o ministro da Fazenda, Antonio Palloci,
provavelmente não teria conseguido anunciar, em março, que o país havia
decidido dispensar a assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O governo que gerencia essa riqueza, de mãos dadas com os grandes
fazendeiros --proprietários de extensas superfícies de terra, vê, portanto,
um futuro dos mais promissores para o Brasil.
Aliás, foi justamente um desses grandes fazendeiros que Lula procurou para
dirigir o ministério da Agricultura: Roberto Rodrigues, um grande plantador
de cana de açúcar da região de Ribeirão Preto, ao norte de
São Paulo.
"Nós acreditamos que o livre comércio nos oferece um belo futuro. Com a
condição de que os países ricos respeitem as regras do jogo e que eles nos
deixem aceder aos seus mercados", afirma o ministro.
Este credo, evidentemente, tem tudo para bater de frente com o eleitorado de
base de Lula, que ainda guardou na memória o discurso mais crítico do ex-líder
sindical. Nesse sentido, faltando 18 meses para a próxima eleição
presidencial, o Movimento dos Sem-Terra acaba de lembrar ao presidente os
seus compromissos anteriores.
A interpelação não diz respeito apenas à redistribuição prometida das terras,
num país que detém até hoje a palma de ouro das desigualdades --1% dos mais
ricos possuindo 45% das superfícies cultivadas ou cultiváveis. Ela questiona
também o espaço que podem esperar ocupar as fazendas familiares que produzem,
na sua maior parte, a alimentação de base da população.
Alegando a imensidão do território, os gigantes da soja e da cana de
açúcar, entre outros, afirmam que eles não estão se desenvolvendo em
detrimento dos pequenos produtores.
Mas, no decorrer dos últimos dez anos, as novas regras do jogo provocaram o
fechamento de um milhão de pequenas empresas agrícolas, das quais 95% tinham
uma superfície de menos de 100 hectares, o que reforçou o êxodo rural e a
concentração da pobreza nas cidades.
A pergunta que está sendo feita a Lula é ao mesmo tempo simples e crucial.
Será que o Brasil pode pretender se tornar "a fazenda do mundo" e garantir
ao mesmo tempo três refeições diárias para os milhões de brasileiros que não
têm acesso a uma alimentação suficiente, conforme havia prometido o
presidente quando ele lançou o programa "Fome zero"?
fonte: Le
Monde - Laurence Caramel - 24/05/2005
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Rio de Janeiro terá dois centros tecnológicos de energias renováveis |
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 O estado do
Rio de Janeiro terá dois Centros Tecnológicos Universitários de Energias
Renováveis, os primeiros do país deste tipo. Os projetos serão apresentados
pelo secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer,
durante o Congresso Mundial de Energias Renováveis, em Aberdeen, na Escócia.
Na ocasião, Victer apresentará, durante Palestra-Almoço, as perspectivas da
energia renovável no Brasil, a política energética e mecanismos de
financiamento e de incentivos adotados no estado para promover investimentos
em energias renováveis.
Na viagem, o secretário aproveitará a oportunidade para visitar as
universidades de Aberdeen e Robert Gordon, visando futuros Acordos de
Cooperação Técnica entre as instituições do Reino Unido e as universidades
estaduais do Rio de Janeiro. Para isso, a comitiva que vai ao evento contará
com representantes do Consulado Britânico do Rio de Janeiro e professores
das Universidades Estaduais do Norte Fluminense e do Rio de Janeiro, onde
serão criados os centros tecnológicos.
Nos Centros Tecnológicos de Energia Renovável, além de estudantes de
graduação e de pós-graduação realizarem pesquisas sobre energia solar,
eólica e biomassa, também serão instaladas unidades de demonstração,
operadas através de energias renováveis. O objetivo, segundo Victer, é
divulgar para estudantes os benefícios da utilização da energia limpa,
através de convênios com escolas para realização de visitas guiadas aos
Centros.
O evento, promovido pelo Governo de Aberdeen, a UNESCO e a WREN (World
Renewable Energy Network), acontece entre os dias 22 e 27 de maio. Neste
período, especialistas e pesquisadores internacionais, empresários do setor,
financiadoras e representantes governamentais discutirão participarão de
palestras e Workshops sobre energia solar, eólica, biomassa, Pequenas
Centrais Hidrelétricas e diversas outras fontes renováveis. O secretário
Wagner Victer foi o único representante de um governo da América do Sul
convidado a participar do Congresso como palestrante.
Fonte: Canal Energia - 24/05/2005 |
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Imposto menor |
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O
governo está mesmo disposto a incentivar o uso do
biodiesel. Na
semana passada, o presidente Lula assinou decreto isentando de PIS/Pasep a
produção de palma e mamona (usadas na obtenção do combustível). O benefício
é válido para os pequenos agricultores das regiões Norte e Nordeste. Eles
também terão à disposição linha de crédito no valor de R$ 100 milhões para
investir no cultivo. Os grandes agricultores não foram esquecidos. Para eles,
o desconto no tributo será de 31%.
Fonte: Isto é Dinheiro -
23/05/2005
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Governador Geraldo Alckmin conhece o trator Valtra movido a Biodiesel |
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Em visita ao
estande da Valtra no dia 19 de maio, o governador Geraldo Alckmin, de São
Paulo, fez questão de dar a partida a um trator movido a a biodiesel.
“São Paulo é a
Capital da energia limpa. O programa do biodiesel é de extrema importância
para o Estado e para o país. Ele estimula o uso de produtos agrícolas, troca
derivado fóssil por energia limpa e renovável, cria empregos e utiliza a
inteligência de universidades paulistas como a USP(LADETEL-Ribeirão Preto) e a Unesp(Jaboticabal)”, disse o
governador de São Paulo.
Trator para o
IAC
Criado em março
último, o Centro de Cana-de-Açúcar do Instituto Agronômico, sediado na
fazenda onde se realiza o Agrishow, tem como objetivo a geração de
tecnologias de ponta para o setor sucroalcooleiro.
Para apoiar as
pesquisas do novo centro, a Valtra do Brasil cedeu em comodato um trator de
140 cv durante o Agrishow 2005.
“O trator vai
nos ajudar nas experiências de campo, desde o plantio até a colheita. Com
uma equipe formada por 12 pesquisadores, 2 engenheiros agrônomos e 32
funcionários, o centro vai desenvolver novas variedades de cana e
tecnologias para o setor “, disse Marcos Landell, diretor do Centro.
Fonte: Valtra.com.br - 20/05/2005
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2O CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIODIESEL |
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1ª
BIODIESELWORLD
CONFERÊNCIA E EXPOSIÇÃO
DESENVOLVENDO O CONHECIMENTO E A INDÚSTRIA DO BIODIESEL
Maior evento do mundo em Biodiesel
- Palestras
- Discussões
- Networking
- Exposição de Tecnologias de Produção e Uso do Biodiesel
Além de apresentar o
2º CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIODIESEL
Local: Parque e Palácio do Anhembi
Data: 7 a 10 de Novembro de 2005
São Paulo – SP – BRASIL
· A Conferência e Exposição vão explorar o crescente interesse por biocombustíveis no mundo
· A Conferência contará com especialistas representando a indústria
internacional de biocombustíveis, representantes da comunidade acadêmica e
representantes de programas governamentais de biodiesel em diversos países
· A Conferência contará com a presença de especialistas na área de álcool e biodiesel como engenheiros, políticos, industriais e profissionais de marketing
· Os tópicos a serem discutidos incluem legislação energética e incentivos
governamentais para biocombustíveis, construção de plantas comerciais de biodiesel, fontes de matérias primas, conversão da biomassa, comercialização do biodiesel nos mercados de commodities e muitos outros tópicos relacionados com o
desenvolvimento da indústria do biodiesel
· Neste evento os participantes terão a oportunidade de observar as últimas
inovações na indústria do biodiesel, além de encontrarem líderes da indústria
nacional e internacional, líderes políticos e acadêmicos que estarão
participando da feira |
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