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Entrevista /
Eduardo campos Apoio público ao biodiesel é essencial |
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-13/06/2005
O
Brasil teve a primeira patente mundial para a produção de um combustível de
origem vegetal para motores diesel no fim da década de 70. Mas eram tempos do
Proálcool e o projeto acabou ficando para trás. Coube à Europa, anos mais
tarde, iniciar a utilização do biodiesel
em larga escala. Decidido a recuperar esse espaço no setor, o Governo federal
lançou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que agrega 14
ministérios em uma série de iniciativas visando a implantação da produção do
combustível e o seu espaço no mercado nacional. A estruturação desse novo
horizonte no cenário energético nacional passa principalmente pela formação de
núcleos de pesquisa, que garantam o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas em
todas as etapas da cadeia produtiva do
biodiesel. Ciente do papel fundamental no
apoio a essas iniciativas, o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo
Campos, garante que não faltará apoio do MCT aos estudos que rebatem
diretamente no desenvolvimento dessa área. Em entrevista ao DIARIO DE
PERNAMBUCO, Campos afirmou que o programa está voltado
principalmente para a inclusão social, incorporada na geração de renda nas
áreas rurais do semi-árido nordestino, beneficiadas pela necessidade de
produção agrícola de plantas como a mamona, capazes de fornecer os óleos
empregados na fabricação do biodiesel.
DIARIO DE PERNAMBUCO - Por que o Governo federal decidiu que este era o
momento para lançar o Programa do Biodiesel?
Eduardo
Campos - O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel atende,
primordialmente, ao objetivo da inclusão social. Ele não responde a uma
emergência energética, como se deu no caso do Proálcool. A meta do Governo é
promover a geração de empregos e a distribuição de renda nas regiões mais
carentes do País, beneficiando especialmente a agricultura familiar e o
pequeno produtor. Mas o biodiesel
também é importante por outros motivos. Entre eles, pela melhoria da qualidade
do ar nas grandes cidades, por ser o
biodiesel um combustível mais "limpo";
a oportunidade que tem o País de desenvolver tecnologia na área de energias
renováveis e a economia de divisas, com a redução das importações do óleo
diesel.
DIARIO - Quais os investimentos previstos para estimular a produção
nacional?
Campos - A proposta é que o programa seja auto-sustentável, tanto
técnica como economicamente. Mas estão previstos mecanismos de estímulo à
produção. No Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), os investimentos, em
2004/2005, somam R$ 14,51 milhões em recursos dos Fundos Setoriais de Ciência
e Tecnologia, para aplicação em ações como o desenvolvimento de sementes, esta
realizada em parceria com a Embrapa, e co-produtos do
biodiesel (glicerina,
torta, farelo etc.), testes e ensaios de motores, capacitação de laboratórios
e formação de recursos humanos especializados. O MCT é o responsável pela
coordenação da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, que tem a
finalidade de consolidar o sistema gerencial de articulação dos diversos
atores envolvidos na pesquisa, desenvolvimento e produção de
biodiesel.
DIARIO - Hoje, o Brasil ainda importa óleo diesel. Quanto o País poderá
economizar com a produção de biodiesel?
Campos - Atualmente, 10% do diesel consumido no Brasil são importados.
Este combustível é utilizado principalmente no transporte de passageiros e de
cargas. Sua comercialização anual é da ordem de 38,2 bilhões de litros, o que
corresponde a 57,7% do consumo nacional de combustíveis veiculares. Com a
mistura inicial de 2% de biodiesel
ao diesel, cria-se um mercado potencial para a comercialização de 800 milhões
de litros de biodiesel/ano,
representando uma economia em divisas de cerca de US$ 160 milhões.
DIARIO - Quantas fábricas serão necessárias para que o País atinja a
produção de 800 milhões de litros necessários para a mistura de 2%?
Campos - A meta do programa é atingir essa produção em três anos.
Atualmente, quatro plantas estão autorizadas a produzir e comercializar
biodiesel,
perfazendo cerca de 50 milhões de litros/ano. Outras plantas já submeteram
pedidos de autorização à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), o que deverá agregar, ainda neste ano, volume
correspondente à metade da meta de 800 milhões de litros.
DIARIO - O presidente Lula defendeu a descentralização das fábricas de
biodiesel.
Como descentralizar de forma equilibrada, de modo que as plantas não se tornem
"elefantes brancos" ?
Campos - A proposta do programa é que se faça a distribuição do
biodiesel na
região onde o combustível foi produzido e com o aproveitamento da matéria-prima
local no processo industrial. A chamada "geração distribuída" agrega
eficiência econômica, ao reduzir principalmente os custos de transportes nas
várias etapas da produção, e cria empregos. Esse é o conceito a que o
presidente Lula faz referência. Industrialização, cultivo da matéria-prima
e distribuição ao consumidor final contemplados na mesma região.
DIARIO - O convênio para a primeira fábrica de
biodiesel com
financiamento público, em Pesqueira, foi assinado esta semana. Quantas mais
podem ser implantadas em Pernambuco?
E no País?
Campos - O apoio público ao
biodiesel é essencial, especialmente
nesse início de implantação da infra-estrutura tecnológica, produtiva e de
comercialização do biocombustível. Com certeza, outras iniciativas virão.
Projetos que prevêem a implantação de pólos de produção de
biodiesel no Vale
do Jequitinhonha (MG) e no Vale do Ribeira (SP), por exemplo, podem contar com
recursos privados e públicos, inclusive estaduais e municipais. Em Pesqueira,
a expectativa é que futuramente a unidade venha a ser ampliada para atender o
crescimento da demanda. O MCT está trabalhando em outras áreas em Pernambuco.
A cultura da mamona para a produção do
biodiesel terá, em pouco tempo, impacto
em outras cidades, como Caetés, Custódia, São Bento do Una e Caruaru. Se já
estivesse em operação, a planta de Pesqueira teria à sua disposição 2,5 mil
toneladas de mamona para produção imediata de
biodiesel.
DIARIO - Aliada às questões econômica e ambiental, o Governo aponta a
questão social como um dos pontos principais do programa. Como será feita a
inclusão social?
Campos - O biodiesel
é um importante instrumento de inclusão social na
medida em que permite a geração de empregos e renda no campo, especialmente
nas regiões mais necessitadas, como o Agreste e o Sertão de Pernambuco. Para
se ter uma idéia da importância social do programa, a renda anual líquida de
uma família que cultive no Semi-Árido nordestino cinco hectares com mamona,
com uma produção média entre 700 e 1,2 mil quilos por hectare, poderá variar
entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil. Considerando todas as famílias envolvidas no
programa, a expectativa é a de que a produção de matéria-prima para o
biodiesel
gere uma renda adicional de cerca de R$ 93 milhões por ano para o conjunto
dessas famílias. Isto sem falar da criação de postos de trabalho na
industrialização do óleo, transportes e distribuição.
DIARIO - Quantas famílias devem ser beneficiadas?
Campos - Estima-se que a produção de
biodiesel para
atender ao percentual inicial de mistura de 2% de
biodiesel ao diesel
irá gerar mais de 150 mil empregos, especialmente na agricultura familiar.
DIARIO - Qual o percentual efetivamente garantido para a agricultura
familiar na produção? Como se dará essa garantia?
Campos - O incentivo à agricultura familiar é o principal foco do
programa. Levantamentos apontam que, na safra 2004/2005, 84 mil hectares serão
cultivados com oleaginosas por agricultores familiares, para a produção de
biodiesel.
O cultivo da área total já envolve 33 mil famílias. Existe ainda a
possibilidade de os agricultores familiares participarem como sócios ou
quotistas das indústrias extratoras de óleo ou de produção de
biodiesel, seja de
forma direta, seja por meio de associações ou cooperativas de produtores.
DIARIO - O Pronaf vai contar com uma linha de R$ 100 milhões para
financiar a produção de matéria-prima. Esse dinheiro já está disponível? Como
os agricultores devem agir?
Campos - O Ministério do Desenvolvimento Agrário é o responsável pelos
recursos do Pronaf e vem trabalhando junto aos pequenos agricultores para
acelerar a liberação desses recursos. Serão ainda desenvolvidas ações de
capacitação e assistência técnica agrícola, de forma a garantir a
sustentabilidade desses projetos.
DIARIO - Que incentivos serão dados aos empresários para adquirirem
matéria-prima junto aos agricultores familiares?
Campos - Um dos mecanismos que estão sendo criados é o Selo de
Certificação Social do Biodiesel. As empresas produtoras de
biodiesel que
possuírem o selo terão tratamento tributário e acesso a financiamentos de
forma diferenciada, se adquirirem matérias-primas de pequenos agricultores.
Neste caso, as indústrias de biodiesel
terão que garantir a compra da matéria-prima, a preços pré-estabelecidos,
oferecendo segurança aos agricultores familiares. O uso comercial do
biodiesel
terá apoio do BNDES e o Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em
Biodiesel prevê financiamento de até 90% para projetos com o Selo Combustível
Social e de até 80% para os demais projetos. Os financiamentos são destinados
a todas as fases de produção do biodiesel,
entre elas a agrícola, a de produção de óleo bruto, a de armazenamento, a de
logística, a de beneficiamento de subprodutos e a de aquisição de máquinas e
equipamentos homologados para o uso deste combustível.
DIARIO - O Proálcool prometeu a melhoria de vida para os pequenos
produtores, mas acabou beneficiando apenas os usineiros, segundo opiniões
dentro do próprio Governo. O que é necessário ter no programa do
biodiesel para
evitar a repetição dos erros do Proálcool?
Campos - Hoje não vivemos uma crise de combustíveis, como aconteceu no
passado, quando a Opep diminuiu radicalmente a produção de petróleo, gerando
uma crise global. É claro que não podemos desprezar o desenvolvimento
industrial em larga escala de um novo combustível, ainda mais quando este
apresenta vantagens econômicas e ambientais. Mas o programa tem foco na
agricultura familiar. Ele foi estruturado sob três pilares: ampliar a
participação da energia renovável na matriz energética brasileira; reduzir as
importações de diesel e promover a inclusão social. Para garantir o sucesso
desse último pilar, foram criados vários mecanismos tributários e creditícios,
que, considerando as matérias-primas utilizadas e as regiões onde são
produzidas, incentivam a agricultura familiar e o pequeno produtor.
DIARIO - Como fazer para queo conhecimento produzido pelos
pesquisadores chegue aos agricultores familiares? Há algum programa de
assistência técnica previsto?
Campos - O MCT fomenta pesquisas em parceria com 22 estados, o que
permite uma ampla difusão dos conhecimentos adquiridos, assim como a formação
de multiplicadores, cujo papel é apoiar todas as etapas das cadeias produtivas
em formação nas diferentes regiões do País. Quanto aos programas de
assistência técnica rural, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o
Ministério da Agricultura vêm trabalhando diversas ações, em conjunto com suas
delegacias regionais, o Incra, organizações não-governamentais etc.
DIARIO - Existirá algum meio de se fiscalizar a mistura óleo diesel/biodiesel
de modo que seja possível constatar que realmente existem 2% de
biodiesel presentes
na mistura? Isso será fundamental quando a obrigatoriedade começar a valer,
dentro de três anos.
Campos - Sim. No momento, a ANP está implantando um sistema para
monitorar os percentuais e a qualidade da mistura.
DIARIO - Como o consumidor final terá garantia de um produto de
qualidade?
Campos - A ANP já estruturou todo o arcabouço de regulação e
fiscalização do biodiesel.
O MCT, por sua vez, está viabilizando atividades que compreendem a
complementação da infra-estrutura laboratorial e a formação dos recursos
humanos especializados que atuarão no sentido de garantir a qualidade do
biocombustível.
DIARIO - O presidente Lula afirmou que o Brasil conta com as qualidades
para se transformar no maior fornecedor mundial de combustíveis renováveis.
Quando isso será possível?
Campos - Já estamos exportando álcool para o Japão. A exportação de
biodiesel
será crescentemente estimulada em função da preocupação com a redução da
emissão de gases causadores do efeito estufa e do esgotamento das reservas
mundiais de petróleo. Para se ter uma idéia do potencial desse mercado, a meta
da União Européia, até 2005, é de que 2% dos combustíveis consumidos sejam
renováveis; em 2010 este percentual deve ser de 5,75%.
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Projeto Biodiesel quer incentivar
reaproveitamento de óleo |
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11/06/2005 - Anna
Regina
Pesquisadores do Projeto Biodiesel Brasil, do depto. de Química da USP
de Ribeirão Preto, querem incentivar a população e os comerciantes da cidade
a reaproveitarem óleo de cozinha usado para a fabricação do biodiesel.
O Projeto é desenvolvido dentro do Departamento de Química da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, mais especificamente no
Ladetel, Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas.

Os pesquisadores do Ladetel querem convencer donas-de-casa e
proprietários de bares, lanchonetes e restaurantes a doar o material que seria
jogado fora para o laboratório aplicar nas pesquisas com o óleo combustível.
Para isso, um seminário está sendo organizado para os próximos 45 dias, reunindo
representantes do Ladetel, da Prefeitura, da Associação Comercial e
Industrial e do Nesa (Núcleo de Educação Sócio-ambiental), uma OCIP (organização
civil de interesse público), além de parceiros do Projeto Biodiesel Brasil.
“Nosso objetivo é firmar parcerias tanto com o grande como com o pequeno
fornecedor”, afirma Antonio Carlos Ferreira Batista, pesquisador do
Ladetel.
Atualmente, o projeto conta com a colaboração de aproximadamente 30 parceiros
que fornecem mensalmente 10 mil litros de óleo de cozinha.
A capacidade, porém, está bastante ociosa. “Hoje no Ladetel temos condições
de processar de 30 a 40 mil litros de óleo por mês”, aponta o pesquisador.
Os pequenos fornecedores respondem por 20% das doações atualmente. Há três meses,
a lanchonete Pastel & Cia. passou a fornecer todo o óleo descartado na casa para
a USP. São 30 litros por mês, retirados da fritadeira, que vão direto para as
bombas do Ladetel, explica o funcionário Alcino Roberto da Silva.
A utilização do óleo de cozinha usado na fabricação do biodiesel começou há 2
anos, quando os pesquisadores da USP Ribeirão descobriram o potencial do produto
enquanto matéria-prima. O restaurante universitário do campus da USP de
Ribeirão foi o primeiro estabelecimento a fornecer óleo de cozinha para o
Projeto Biodiesel Brasil.
“Descobrimos vários métodos, até em conjunto com a Universidade Federal de
Diamantina, porque a acidez desse óleo varia muito”, aponta o pesquisador.
“Quanto mais ele é utilizado, mais ácido ele fica”, explica Batista. Por
isso, reaproveitar óleo de fritura é prejudicial à saúde. “Os melhores óleos
são os de restaurantes de universidades públicas utilizados apenas uma vez
devido a uma política de educação alimentar”.
Quando o óleo é utilizado seguidas vezes, ele necessita passar por um tratamento
antes de ser transformado em biodiesel. O Ladetel também cuidou de desenvolver
esta tecnologia.
Além dos males à saúde, o óleo usado também representa prejuízos para o meio
ambiente e para o bolso do consumidor. “O descarte na rede de esgotos
encarece em 45% o tratamento dos resíduos, e quem paga a conta é o contribuinte”,
alerta.
Os interessados em fazer doações para o projeto biodiesel podem entrar em
contato com os pesquisadores do Ladetel pelo telefone:
(16) 602-3734 ou pelo
e-mail antonio@biodieselbrasil.com.br ou andressa@ biodieselbrasil.com.br.
O site do projeto é www.biodieselbrasil. com.br .
Óleo “sujo” se transforma em combustível
A própria USP e a rede de supermercados Carrefour são hoje os principais
fornecedores de óleo de cozinha para o Ladetel.

Por mês, cada um repassa ao laboratório 4 mil litros do produto a ser utilizado
em pesquisa acadêmica.
O óleo vem de todos os campi da USP – Ribeirão, São Paulo, São Carlos,
Piracicaba e Pirassununga – e de todas as 36 lojas do Carrefour no
Estado de São Paulo.
Ao chegar no Ladetel,
o óleo é descarregado
e
vai para uma
área
de pré-tratamento, onde são separadas
a
parte útil e a parte não
útil.
Batista
explica que nem todo material é aproveitado. “De cada mil litros, aproveita-se
800”, comenta.
A sobra é repassada a empresas de sabão. “Às vezes, nós mesmos fazemos o
nosso sabão”, diz ele.
O óleo aproveitado é associado ao álcool e a um catalisador, e uma reação
química transforma os três componentes em biodiesel e glicerina.
O biodiesel é um combustível alternativo que pode ser utilizado em qualquer tipo
de motor movido a óleo diesel.
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Biodiesel e a
inclusão social Pronaf beneficia 38 mil famílias |
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-03/06/2005
A cada
1% de substituição de óleo diesel por biodiesel oriundo da agricultura familiar
podem ser gerados 45 mil empregos no campo
Governo federal vai lançar, através do Programa Nacional de Agricultura Familiar
(Pronaf), uma linha de crédito no valor de R$ 100 milhões voltada aos pequenos
produtores, com taxas de juros de 4% ao ano. O objetivo é incentivar o plantio
da matéria-prima para a fabricação de
biodiesel. Pelas contas do ministro de
Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, podem ser beneficiadas até 38 mil famílias,
sendo 30 mil apenas no Nordeste. Essa é uma das ações do Programa de Produção e
Uso do Biodiesel (PNPB) voltada para a inclusão social.
A inserção dos trabalhadores rurais no PNPB é apontado como o grande desafio do
projeto. De acordo com um levantamento realizado pela Comissão de Altos Estudos
da Câmara dos Deputados, cada 1% de substituição de óleo diesel por
biodiesel oriundo
da agricultura familiar geraria em torno de 45 mil empregos do campo e três
vezes mais na cidade. Ou seja, pelo menos 135 mil novos postos. Como daqui a
oito anos a mistura obrigatória no óleo diesel será de 5%, poderiam ser gerados
até 900 mil empregos dentro do programa.
"Temos uma grande oportunidade de transformar um
programa rentável do ponto de vista econômico, ambientalmente sustentável,
também em um grande programa de inclusão social. Esse é o aspecto que mais nos
interessa", afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão
Social, Rodrigo Rollemberg. Para o deputado federal Ariosto
Holanda, integrante da Comissão de Altos Estudos da Câmara, o programa tem
tudo para dar certo em todos os níveis, atendendo ao grande, ao médio e ao
pequeno produtor.
Apesar do entusiasmo, Holanda disse acreditar que existem algumas ameaças
ao projeto de inclusão social, especialmente no Nordeste. Segundo o deputado,
não foi possível garantir uma espécie de reserva de mercado para a Região. Para
ele, os produtores nordestinos deveriam ter, por lei, direito de fornecer pelo
menos 20% do biodiesel.
"O Centro-Sul tem um nível de organização muito maior. O grupo da soja
certamente vai avançar", declarou.
O deputado também chamou atenção para a falta dos trabalhos de extensão das
universidades e dos institutos tecnológicos para levar o conhecimento até o meio
rural. Mas o secretário Rodrigo Rollemberg garantiu que já existem
mudanças nesse sentido. Segundo ele, o Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) adaptou todas as suas modalidades de bolsas
também para a extensão.
Já o coordenador do biodiesel
no Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), Arnoldo Campos, lembrou o
Próálcool para falar sobre a necessidade de se colocar os pés no chão. "No
Próálcool se fez todo o discurso em favor do pequeno produtor, se falou em
minidestilarias, que foram implantadas no País. E hoje não temos nenhuma para
contar história, infelizmente", comentou.
Inserção dos trabalhadores rurais no programa de
biodiesel é apontada
como o grande desafio do projeto
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Júlio César é
a favor do subsídio para o biodiesel |
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-13/06/2005
O
deputado federal Júlio César Lima (PFL) disse ontem ser a favor do subsídio
para a produção de biodiesel,
a partir da mamona, e da manutenção das famílias envolvidas nas plantações nos
programas de transferência de renda e sociais do Governo Federal.
Ele afirmou que o Programa do Biodiesel tem duas finalidades: a inclusão social,
principalmente nas regiões do Nordeste, onde está metade dos pobres do Brasil; e
a diminuição da dependência do petróleo importado.
Júlio César Lima afirmou que pela produtividade da mamona, o preço do
biodiesel
vai custar o dobro do preço do óleo diesel vendido pela Petrobrás.
O deputado Júlio César disse defender o subsídio para a produção do
biodiesel
e sugeriu a criação de uma taxa do CCC, o mesmo que subsidia a compra e o uso do
diesel em termoelétricas da região amazônica, onde o sistema de energia não é
interligado ao nacional.
“O biodiesel
só será bem sucedido no Brasil se houver subsídio, a não ser que seja um
programa voltado para a exportação, já que o litro do combustível na Europa é
1,10 euros”, declarou o deputado federal Júlio César.(E.R)
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Agricultor vai
precisar de assistência técnica |
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13/06/2005
Menos de 5% dos agricultores familiares da Região Nordeste contam com algum tipo
de assistência técnica na hora de produzir. O número foi divulgado pelo
coordenador do biodiesel
no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Arnoldo Campos. O dado é
preocupante, explicou Campos, porque toda a cadeia produtiva que será
desenvolvida para dar sustenção ao programa do
biodiesel
vai exigir assistência técnica para que os produtores tenham qualidade na
produção, competitividade e custos compatíveis com a atividade.
Não é por acaso, portanto, que o acompanhamento técnico seja um dos requisitos
para as empresas que desejam receber o selo Combustível Social, lançado no mês
passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O produtor de
biodiesel que
possuir o selo terá acesso a alíquotas de PIS e Cofins diferenciadas, além de
melhores condições de financiamento junto ao BNDES e acesso preferencial às
compras governamentais de combustíveis. A BR distribuidora será parceira na
aquisição do biodiesel
com selo social.
O produtor interessado deve apresentar projeto específico junto ao MDA. "Um
empresário que queira investir em
biodiesel e tenha na agricultura
familiar seu fornecedor de matérias-primas terá a carga tributária reduzida na
proporção daquilo que ele comprar, podendo chegar a 100%", explicou
Campos. A isenção total vale para o uso da mamona e do dendê (palma)
produzidos nas regiões Norte e Nordeste e no semi-árido. Segundo ele, a medida é
importante para estimular uma rota de produção na pequena propriedade.
A segunda obrigação para o produtor é ter uma relação contratual com os
agricultores. De acordo com as regras, é preciso especificar as condições
comerciais que garantam renda e prazos compatíveis com a atividade. Desta forma,
o agricultor familiar vai plantar sabendo por quanto vai vender. Por último, vem
o acompanhamento técnico, que deve ser prestado pelo produtor aos agricultores/fornecedores.
"Sem acompanhamento não haverá benefício", disse Campos. O selo
terá prazo de validade de cinco anos, comauditoria anual.
Palestrante

Ariosto Holanda
Deputado federal, acredita que o biodiesel
tem tudo para dar certo, atendendo do grande ao pequeno produtor. Mas acha que
faltou reserva de mercado para os nordestinos.
dep.ariostoholanda@camara.gov.br
Debatedores

Rodrigo Rollemberg
Secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social, acha que o Governo
tem uma grande oportunidade de promover a inclusão social, através de um
programa rentável e ambientalmente sustentável.
rollemberg@mct.gov.br
Arnoldo Campos
Coordenador do biodiesel
no Ministério de Desenvolvimento Agrário, alerta para a necessidade de se
colocar os pés no chão para que não se cometam os erros que levaram ao fracasso
do Próálcool.
vanessa.neiva@mda.gov.br
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Agricultor
necessitará de suporte |
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-13/06/2005
Para a cultura de mamona no semi-árido nordestino atingir
um nível ao ponto de suprir as necessidades das metas do programa nacional de
biodiesel,
o desenvolvimento da pesquisa é um dos pilares fundamentais. É preciso, porém,
implantar paralelamente suportes de assistência técnica, que garantam a
transmissão do conhecimento desenvolvido em universidades e centros de pesquisa
aos produtores rurais, levando-se em conta que a iniciativa do Governo federal
prioriza a agricultura familiar. O tema foi um dos principais pontos abordados
no debate da última palestra do seminário O Biodiesel e o Nordeste.
Para exemplificar a necessidade da assistência técnica, o pesquisador
Alexandre Hugo César Barros, da Embrapa Solos, usou o exemplo da
produção de sorgo em Pernambuco, que, de acordo com ele, foi praticamente
triplicada na última safra, na esteira de medidas nesse sentido. "Contratou-se
assistência técnica para preparar os projetos, para orientar os pequenos
produtores, com todo um aparato atrás e o sorgo hoje é uma realidade", lembrou.
"Para mim, a assistência técnica é a questão fundamental, mais do que a área de
zoneamento. Não existe cultura, principalmente para o agricultor familiar, sem
isso. Se não for assim, o programa da mamona está fadado ao insucesso",
alertou.
O assunto foi também reforçado pelos outros debatedores. "Os órgãos de
assistência são uma lacuna que está sendo sentida na pesquisa. O pesquisador, na
grande maioria das vezes, é muito bom para gerar tecnologia, mas muito ruim na
transferência ao produtor rural. Temos que ter sempre essa ponte entre o
pesquisador e o produtor", comentou Orivaldo Brunini, do Centro de
Ecofisiologia e Biofísica do IAC de São Paulo.
Mas é preciso também ter paciência para que as pesquisas resultem em resultados
práticos, de aplicação imediata. "As variedades utilizadas hoje, a nordestina
e a paraguaçu, foram lançadas entre 1998 e 1999, quando não se tinha muito
interesse em mamoneira. Foram direcionadas ao pequeno produtor, em pequena
escala. Hoje o que se procurasão 700 milhões de litros, um volume enorme. O
interesse em se fazer pesquisas para essa cultura cresceu, mas não é possível em
apenas dois anos se produzir variedades que atendam essa demanda. Vai demorar
algum tempo ainda", assinalou o pesquisador José Américo Bordini, da
Embrapa Algodão.
Para Sebastião Medeiros Filho, do Departamento de Fitotecnia da
Universidade Federal do Ceará, as iniciativas nesse sentido devem também
observar questões como as vocações regionais. "Quem trabalhava antigamente
com mamona já está aposentado e os filhos não têm o mesmo conhecimento. É
preciso haver uma reconsideração da vocação dos nossos produtores agrícolas e
também a vocação da região. Um local que hoje produz flores, onde o pessoal está
entusiasmado, ganhando dinheiro, não vai querer mudar para a mamona assim",
advertiu.
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Área de
zoneamento |
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-13/06/2005
É
preciso identificar o lugar com clima ideal para plantio
Variações pluviométricas do semi-árido nordestino podem afetar a produção de
mamona na região, segundo aponta zoneamento para o cultivo no Estado
As variações pluviométricas do semi-árido nordestino podem dificultar o
plantio de mamona nessa região. O alerta veio do engenheiro agrônomo e
pesquisador pernambucano Mário Adelmo Varejão Silva, autor da palestra Área
de Zoneamento de Risco Climático para a Mamona em Pernambuco, que fechou o
seminário O Biodiesel e o Nordeste no último dia 6. Exibindo uma série de
dados de zoneamento para o plantio de mamona no Estado, Varejão chamou a
atenção para a necessidade de se identificar locais onde as condições
adequadas para esse cultivo são mais perenes, investindo no aperfeiçoamento
dos meios utilizados para isso.
De acordo com ele, a variabilidade anual da chuva no semi-árido impede que
se estabeleça um calendário agrícola com aceitável probabilidade de sucesso,
que freqüentemente fica abaixo dos 40%. "O problema é muito sério. No
semi-árido de Pernambuco, especificamente, há uma dispersão do período
chuvoso no ano. Ele passeia despudoradamente ao longo do ano civil. Não
temos um clima bem comportado como o de São Paulo ou do Cerrado".
"Como exemplo, em Araripina, temos registros de 48 anos de dados
consecutivos, e, em 60% dos anos, os três meses consecutivos mais chuvosos
foram janeiro, fevereiro e março. Nesse caso, há uma grande chance de se
acertar a melhor época para o plantio. Mas, por outro lado, em Caetés, temos
5%, 5%, 20%, 10%... a gente diz o quê ao agricultor? Plante quando?",
questionou.
O Governo federal já avançou no processo de implementação do cultivo maciço
de mamona, sinalizando com incentivos de isenção fiscal para fabricantes de
biodiesel
que comprarem a produção de agricultores familiares. Mas as barreiras
naturais ainda precisam ser discutidas. "A palavra altitude está sendo
usada para integrar uma série de efeitos. O que de fato é ruim para a mamona
é o excesso de chuva e nebulosidade que geralmente está associado à região
litorânea no Nordeste. Na Índia, 86% da produção ocorrem a menos de 300
metros de altitude. No litoral do Nordeste, a região de baixa altitude é
justamente a mais chuvosa, onde existe umidade demais para a mamona. Em
locais assim, ela não vai reproduzir nada, vai ficar só desenvolvendo a
parte vegetativa", assinalou.
O zoneamento é o recurso disponibilizado aos agricultores no sentido de
orientar o plantio de um determinado cultivo, calculando riscos relativos à
região e à época escolhida, por exemplo. Por isso a necessidade de coletar
dados climáticos precisos e freqüentes, o que, até devido aos meios técnicos
disponíveis em regiões de pouco poder econômico, fica comprometido. "No
primeiro zoneamento da mamona feito pela Embrapa, foi considerada a
referência de nível de altitude da sede do município como representativa da
altitude de todo o município. Quando você considera a altitude da sede como
representativa do município, as coisas não funcionam direito, porque no
Nordeste em muitos municípios a sede fica embaixo e a área de mamona é mais
alta", explicou Varejão.
Entre as medidas necessárias para lidar com o problema, o pesquisador
elencou a atualização do acervo de dados pluviométricos do Estado, o
zoneamento da mamona em função dos riscos associados aos cenários
pluviométricos atualizados, a revitalização da assistência técnica rural e o
redirecionamento do planejamento agrícola e da pesquisa agronômica para a
variabilidade interanual da precipitação. "O clima do Nordeste é variável
e as secretarias de Agricultura dos municípios precisam se preparar para
isso. Em relação às condições ideais de plantio de mamona, precisamos
descobrir onde há um pouco mais de persistência e os zoneamentos ainda não
fizeram isso", afirmou.
"É preciso que haja uma política para dizer: 'se o ano está seco, pela
previsão do Inmet, os modelos matemáticos apontam que será um ano seco, as
secretarias de Agricultura devem dizer aos agricultores da região para não
plantarem a cultura tradicional, e orientar sua agricultura para outro
cultivo".
Clima do NE é variável, o que obriga as secretarias de Agricultura dos
municípios a se prepararem para enfrentar o problema. Os zoneamentos ainda
não apontam onde há condições favoráveis para o plantio
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Smith, biodiesel e
os senadores |
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João Lyra Neto-10/06/2005
É lamentável, sob todos os aspectos, a fala do presidente do BNB aos membros
da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado, quando afirmou que o BNB não
tem nenhuma linha de financiamento aberta para produção de
biodiesel de
mamona no Rio Grande do Norte. O BNB, pelo que se sabe, sempre esteve com os
seus recursos liberados para o setor industrial ou econômico, digamos com os
seus recursos liberados para o setor industrial ou econômico, digamos assim, na
área do Nordeste. Em audiência pública promovida pela Comissão do Senado o
presidente do Banco do Nordeste disse que os “técnicos da instituição tem
dúvidas sobre a segurança da produção, capacidade de fornecimento e
produtividade da lavoura”, no Nordeste. Isso, é realmente, lamentável,
quando se sabe que o BNB sempre esteve com as suas linhas de crédito disponíveis
para ajudar o empresariado rural.
O BNB caracterizou-se como uma instituição disposta a financiar esse ou aquela
atividade agrícola ou industrial na Região Nordeste. Para tanto ele possui uma
volumosa soma de recursos do FNE para ajudar, prontamente, o setor agrícola e
industrial. Para não se sair com uma má impressão do Banco, o presidente do BNB
tentou minorar a situação ou, digamos assim, a perplexidade dos parlamentares,
quando disse está sendo feito um levantamento e que os percalços técnicos
poderão ser superados. Diga-se de passagem, o presidente Roberto Smith,
através do seu diretor Pedro Eugênio, tem aplicado muito dinheiro na
região em atividade agro-industriais e vem colocando o nome do BNB à altura para
o qual foi criado.
Ao lado da Sudene o BNB foi além de suas expectativas. E o presidente Getúlio
Vargas criou o BNB justamente para isso, ou seja, ajudar o Nordeste a
soerguer a sua economia. Então, no setor agrícola, para ajudar o semi-árido
aplicou muito dinheiro. A administração do economista Roberto Smith é bem
diferente, moralmente, do seu antecessor Byron Queiroz, que injetou muito
dinheiro para mais de uma dezena de inadimplentes e quase afunda o Banco do
Nordeste, A regiçai precisa, realmente, da ajuda do BNB e o óleo de mamona é um
tipo de exploração que precisa ou que merece ser atendida, convenientemente. O
Rio Grande do Norte precisa do BNB para desenvolver o seu setor agrícola e
industrial. Essa é a verdade. |
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Aposta para o
futuro |
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13/06/2005
O
Brasil vem sendo apontado como líder na produção do combustível ecológico
fabricado a partir de gorduras animais ou óleos vegetais para substituir o
petróleo quando as reservas mundiais acabarem
O petróleo vai acabar, é certo. Não há prazo definido, mas a perspectiva é
de que as reservas durem menos de um século. O que tem levado os países a
buscar outras fontes de combustíveis. O
biodiesel é a grande aposta mundial e o
Brasil vem sendo apontado como futuro líder na produção desse combustível
fabricado a partir de gorduras animais ou óleos vegetais. As primeiras
usinas começaram a sair do papel, impulsionadas pelo Programa Nacional de
Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), lançado há seis meses pelo presidente
Lula.
O programa estabelece que, em três anos, o óleo diesel vendido no País deve
ter 2% de biodiesel
adicionado em sua mistura. O Governo acredita que a utilização do
combustível ecológico vai, além de reduzir nossa dependência do petróleo,
colocar o País como um dos principais exportadores de biocombustíveis. Hoje,
o Brasil importa 6 bilhões dos 40 bilhões de litros de óleo diesel que
consome anualmente. Ao lado da importância econômica, o PNPB tem ainda como
objetivo a inclusão social. Até 900 mil empregos poderiam ser gerados em
áreas extremamente carentes, como o Semi-árido nordestino.
A idéia é que grande parte do plantio da matéria-prima fique a cargo dos
agricultores familiares. Em Pernambuco, o programa pode reerguer a cultura
da mamona, apontada como a principal fonte do combustível para o Nordeste.
Os benefícios do biodiesel
foram debatidos no seminário O Biodiesel e o
Nordeste, promovido pelo DIARIO DE PERNAMBUCO em parceria com o
Ministério da Ciência e Tecnologia, com apoio da Fundação Assis
Chateaubriand, no último dia 6, cuja síntese encontra-se neste caderno
especial.
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Feira
destaca tecnologias de produção |
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10/06/2005
Promover a difusão do conhecimento é um dos objetivos da mostra que estará
centrada na produção familiar
Rodada internacional de negócios, tecnologias para a agricultura familiar,
palestras sobre variados temas, cursos e minicursos para produtores rurais,
exposição de máquinas e equipamentos, mostra de flores, seminário de
agricultura orgânica, encontro de criadores de caprinos e ovinos e feira da
moagem. Esses são alguns dos atrativos da Agro Centro-Oeste 2005, feira de
negócios e tecnologias rurais promovida pela Faculdade de Agronomia da
Universidade Federal de Goiás, de 15 a 19 deste mês no Câmpus II da
instituição.
O coordenador da Feira, Edward Madureira Brasil, também diretor da
Escola de Agronomia, espera um público de 50 mil pessoas nos cinco dias da
mostra. Até ontem, cerca de 150 empresas haviam confirmado sua participação.
São fabricantes de máquinas e equipamentos, indústrias de defensivos
agrícolas, empresas prestadoras de serviços, entidades de produtores rurais,
órgãos públicos e instituições de ensino e pesquisa.
Edward Madureira evita falar em volume de negócios, lembrando que a
situação dos produtores de grãos e fibras não é das melhores. Contudo,
levando em conta a diversificação das atividades, dos produtos e dos
serviços a serem mostrados, a expectativa é muito positiva.
Programação
Instalada em área de 114 hectares no Câmpus II da UFG, a Agro Centro-Oeste
2005 contará, no total, com 305 estandes, auditório, praça de alimentação e
área para demonstração de cultivo agrícola e atividades pecuárias. O tema
central é Não são só os investimentos que fazem o campo crescer, com o
objetivo de mostrar aos produtores que, muitas vezes, uma tecnologia bem
aplicada pode aumentar a produção e a produtividade, melhorando os ganhos.
A programação é vasta e inclui palestras sobre temas diversos. No período de
16 a 18, será realizado o seminário de agricultura orgânica do Cerrado,
organizado pela Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Adao);
no dia 17, palestra sobre sistema de financiamento e apoio governamental; de
15 a 18, a Escola de Agronomia e a Agenciarural vão realizar minicursos como
produção de cachaça artesanal, produção de picles, derivados de tomate,
lingüiças e pururucas, processamento de frutas, derivados do leite,
derivados de soja para alimentação humana e aproveitamento integral dos
alimentos. O cultivo da mamona (para produção de
biodiesel) e o
resgate da cultura do alho são pontos a serem debatidos.
Outras atividades relevantes são a 7ª Rodada Internacional de Negócios,
coordenada pela Sebrae-Goiás, e, o 1º Circuito de Flores, incluindo cursos e
palestras sobre floricultura, bem como o 1º Encontro de Criadores de
Caprinos e Ovinos. A Embrapa vai mostrar diferentes tipos de equipamentos
desenvolvidos para atender os agricultores familiares.
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A política
nacional do biodiesel |
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-13/06/2005
Produção
de combustível ecológico vai requerer investimentos da ordem de R$ 330 milhões
Está
na lei. Dentro de três anos, todo o óleo diesel comercializado no País deverá
contar com 2% de biodiesel
em sua composição. Até lá, as fábricas devem ter capacidade para produzir, no
mínimo, 800 milhões de litros anuais desse combustível. O desafio é grande e,
segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME), deve requerer
investimentos de US$ 134 milhões (cerca de R$ 330 milhões) e a construção de
pelo menos 16 unidades de refino.
Meta de produção estabelecida pelo Governo vai exigir implantação de 16 novas
unidades de refino nos próximos três anos para atender lei, que exige adição de
2% ao óleo diesel.
Em oito anos, a adição obrigatória passará para 5%. E mais dinheiro será
necessário para bancar uma produção mínima de 2,3 milhões de litros e alimentar
o mercado nacional. Cerca de US$ 255 milhões (ou R$ 625 milhões), prevê o MME.
Outras 43 plantas de refino precisarão ser construídas. São números que chamam a
atenção. Mas o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do
Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Francelino Grando, não tem
dúvidas de que as metas serão atingidas dentro dos prazos estabelecidos.
Ele
trata de rebater os questionamentos sobre o grande número de agentes envolvidos
no projeto, o que poderia dispersar energia. Lançado pelo presidente Lula
em dezembro de 2004, o Programa Nacional do Biodiesel conta com a participação
de 14 ministérios. "O programa está com uma coordenação geral. Para cada um
dos 14 ministérios, há metas estabelecidas, coordenadores responsáveis pela
ações e prazos", explicou Grando. O grupo gestor é coordenado pelo
Ministério de Minas e Energia.
Até o momento, o Governo federal destinou R$ 16 milhões, através do Ministério
de Ciência e Tecnologia. Parte desses recursos foi empregada na capacitação de
instituições em vários estados para a realização de pesquisas com espécies
adequadas para cada região e testes para a produção de óleo. Segundo o MCT, há
mais de 50 instituições envolvidas em 27 projetos de pesquisa. Elas integram a
Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel. Os estados também entram com uma
contrapartida, em muitos casos igual à do MCT.
Grando lembrou ainda que Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) abriu as linhas de financiamento para o médio produtor e o
empresário industrial. "Nesse momento, não existe demanda para a linha, o que
é muito natural, já que a lei foi promulgada nesses dias. Mas vemos de uma
maneira muito positiva essa disponibilidade". Disse ainda que o Programa do
Biodiesel deve visar às regiões onde a introdução dessa atividade econômica
traga maior benefício e sinergia.
Fábricas - A primeira planta de produção comercial de
biodiesel do País
começou a operar em março no município de Cássia, em Minas Gerais. A segunda foi
inaugurada pelo presidente Lula no final de abril, em Belém. A unidade paraense,
pertencente ao Grupo Agropalma, produz o óleo a partir do dendê e deve fabricar
8 milhões de litros por ano. Nos próximos meses, começa a operar a unidade da
Brasil Ecodiesel em Floriano, no Piauí, com a perspetiva de produzir até 25
milhões de litros do combustível por ano.
De acordo com Francelino Grando, muitas empresas vêm demonstrando
interesse em atuar no segmento. Uma delas é a Bom Brasil, com sede em Salvador,
que atua no setor ricino-químico, produzindo derivados de óleo de mamona. "Estamos
nos preparando para atuar no setor", disse o diretor-gerente da empresa,
Urs Adrian Hanzi. Segundo ele, a Bom Brasil vem dando apoio específico à
produção, chegando a assinar um protocolo na Bahia para garantir preço mínimo
aos pequenos produtores.
Na opinião de Hanzi, faltam ainda projetos para profissionalizar o
produtor e melhorar a qualidade da semente, por exemplo. Produtores
pernambucanos também poderão fornecer matéria-prima à Bom Brasil. "Mesmo
sabendo que Pesqueira possa eventualmente produzir
biodiesel, não
temos medo", afirmou o diretor, referindo-se à primeira fábrica com
financiamento público no País, que deve começar a operar até o final do ano. A
planta terá investimento de R$ 1 milhão, sendo R$ 950 mil do MCT.
A primeira etapa da fábrica prevê a produção de 75 mil litros de
biodiesel/mês,
extraídos de 2,5 mil hectares. No futuro, a produção e a área plantada devem
dobrar. Além dos agricultores de Pesqueira, a planta de
biodiesel pode
beneficiar a produção de mamona em outros municípios do Agreste, como Belo
Jardim, Poção, e do Sertão, a exemplo de Arcoverde e Venturosa. Até o final do
mês, o MCT deve divulgar a instalação de outras duas fábricas no Estado, nos
mesmos moldes da de Pesqueira.
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Embrapa comemora 30 anos de existência |
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Luciana Lobão -
11/06/2005
Comemorações/A entidade comemora o sucesso de projetos implementados no Estado.
Entre eles, o de desenvolvimento de sementes da mamona para a produção de
biodiesel
A
Embrapa Meio Norte completa, na próxima segunda-feira, 30 anos como unidade de
execução de pesquisa. Os trabalhos têm sido bem-sucedidos e ela está presente em
vários projetos no Estado, entre eles, o de desenvolvimento de sementes da
mamona para a produção de biodiesel,
o de implantação de uvas no Semi-Árido (município de Santa Rosa do Piauí), de
fruticultura irrigada, além de ter lançado o Laboratório do Mel, referência no
Brasil.
Como parte da programação está o lançamento do livro “Feijão-Caupi: Avanços
Tecnológicos”. O projeto do feijão-caupi é um dos mais bem-sucedidos da Embrapa
e está sendo implantado na região da mamona como uma alternativa a mais para
agricultores familiares.
De acordo com o site oficial da unidade de pesquisa, devido às suas
características de ciclo curto e tolerância ao estresse hídrico, o caupi ocupa
especial relevância no suprimento alimentar e na composição de renda familiar.
As áreas plantadas com a cultura, no Piauí e Maranhão, em 1998, somaram 259.830
hectares, representando 20% da área total colhida no Nordeste.
No dia 14 será inaugurado o setor de Apicultura de Castelo do Piauí. O
chefe-geral da Embrapa Meio Norte, Valdemício Ferreira de Sousa, em
entrevista recente, demonstrou grande expectativa em torno desse núcleo. Segundo
ele, o município será um entreposto de recebimento do mel.
Foi até contratado um novo pesquisador para atuar na base de Castelo.
Segundo a supervisora de comunicação do órgão, Maria Eugênia Ribeiro, a
programação abrange todo o ano, mas que se concentrará em junho em virtude do
fato de ser no dia 13 o aniversário de criação da unidade de pesquisa na região.
Desde maio tem havido eventos.
Em julho, por exemplo, será feito um dia de campo em Santa Rosa do Piauí, quando
vai acontecer uma primeira colheita de uva no projeto da Codevasf, após a
parceria com a Embrapa Meio Norte. As outras colheitas estão previstas para
agosto e setembro.
No próximo dia 14 vai acontecer ainda uma sessão solene na Câmara Municipal de
Teresina. No período de 15 a 18, ela estará presente no estande da 2ª Ferapi (Feira
de Produtos de Reforma Agrária do Piauí), na Praça Pedro II. Serão apresentadas
tecnologias da entidade.
Na sexta-feira está programada uma missa em Ação de Graças pelos 30 anos da
Embrapa Meio Norte. As solenidades mais importantes encerram em 25 de setembro
com a Expoapi.
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Pernambuco
recebeu R$ 500 mil para desenvolvimento de pesquisas na área |
-13/06/2005
Pernambuco recebeu, até o momento, perto de R$ 500 mil do Ministério de
Ciência e Tecnologia (MCT) para desenvolver pesquisas na área de
biodiesel. Muitos
desses trabalhos são realizados pelos pesquisadores da UFPE. Eles garantem que
produzir biodiesel
é fácil. O difícil é fabricar um combustível de qualidade. De acordo com o
coordenador do Laboratório de Combustíveis (LAC), Luiz Stragevitch, os
trabalhos são desenvolvidos em várias frentes.
A primeira engloba a produção. "Estamos trabalhando não só com o óleo de
mamona, mas também com o de algodão e a gordura animal", explicou
Stragevitch. Os pesquisadores também desenvolvem métodos alternativos para
a produção de biodiesel.
O processo utilizado hoje é o da transesterificação, que apresenta um grande
número de resíduos. O financiamento é do Banco do Nordeste.
"E temos projetos com a Petrobras para produzir lubrificantes
biodegradáveis e outros produtos para fortalecer a cadeia", contou Luiz
Stragevitch. Há ainda o trabalho na qualificação de recursos humanos.
Segundo Stragevitch, já foram formadas mais de 20 pessoas aptas a atuar
na cadeia produtiva do biodiesel.
Todos alunos do curso de engenharia química.
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Convênio
beneficia 8 mil famílias em 56 municípios |
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-11/06/2005
Cerca de 8 mil famílias vão plantar mamona para a produção de
biodiesel em 56
municípios da região do semi-árido. Os prefeitos dos 56 municípios se
comprometeram a apoiar o projeto de plantio de mamona em 16 mil hectares de
terras durante reunião realizada em Paulistana, cidade de 21 mil habitantes
a 453 quilômetros de Teresina, em solenidade com a participação do
governador Wellington Dias (PT), do prefeito do município e
presidente da APPM (Associação Piauiense dos Municípios), Luis Coelho (PMDB),
do gerente da Brasil Ecodiesel, Júlio Armando Martinez Henrique, do
coordenador de Agricultura Familiar da empresa no Piauí e Maranhão,
Ângelo Reverdosa, e do presidente da Federação dos Trabalhadores na
Agricultura do Estado do Piauí (Fetag), Adonias Higino.
O governador Wellington Dias afirmou que a plantação de mamona para a
produção de biodiesel,
que vai se compor em 2%, misturado com o óleo diesel, em 56 municípios, que
vão de Paulistana a Picos, é uma descentralização de um dos 15 arranjos
produtivos que o governo do Estado mais apoiou.
Ele afirmou que o programa de plantio de mamona para a produção do
biodiesel
começou com a fazenda Santa Clara da Brasil Ecodiesel em Canto do Buriti e
Elizeu Martins, as plantações foram expandidas para 14 municípios da região
de São Raimundo Nonato a Anísio de Abreu, onde 1.812 famílias começam este
mês a colheita do plantio em 3.624 hectares.
“Agora estamos expandindo para Oeiras, Paulistana e a meta é que em toda
a região que vai de Pedro II até o sul do Estado a gente possa ter
plantações de mamona como grande arranjo produtivo, onde os agricultores
familiares podem produzir e ter a garantia de compra”, afirmou.
O prefeito de Paulistana, Luís Coelho, disse que hoje, independente
de financiamento, já existem no município mais de mil hectares de terras
plantados com mamona.
“Paulistana já tem algum resultado em relação ao plantio da mamona. Isso
quer dizer que de tudo que o homem plantou em Paulistana só ficou a mamona.
O que a gente quer agora é estimular o plantio da mamona nos municípios
circunsvizinhos e que os prefeitos assinem o termo de adesão os querem
estimular em suas cidades o produção de mamona”, falou Luís Coelho.
O gerente da Brasil Ecodiesel, Júlio Armando Martinez Henrique,
afirmou que a meta é ampliar a produção de mamona para 10 mil famílias no
semi-árido do Piauí na safra de 2005-2006. “Devido à receptividade do
projeto, nós tivemos de rever as nossas metas. Nós tínhamos uma meta de 7
mil famílias e estamos esticando para 10 mil famílias”, afirmou.
A Brasil Ecodiesel começou a colher mamona em sua Fazenda Santa Clara há 15
dias e três carretas já foram enviadas para a usina de beneficiamento em
Crateús, no Ceará. Na fazenda, 619 agricultores que moram na região da
fazenda em células formadas por plantio, casas, hortas comunitárias e
galinheiros e plantações de feijão, plantaram 4.500 hectares de terras e
estão colhendo mil quilos de mamona por hectare.
Segundo o gerente operacional e agrícola da Fazenda Santa Clara da Brasil
Ecodiesel, a renda de cada agricultor ficou em R$ 450 a R$ 500 por mês e
ainda tem a colheita do feijão, plantado associado com a mamona. (E.R) |
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Mamona se adapta
bem ao semi-árido do Nordeste, mas plantio exige cuidado |
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13/06/2005
Em
sua palestra, Napoleão Beltrão também alertou para os cuidados que devem
ser observados para o plantio de mamona, uma planta que, apesar de adaptar-se ao
semi-árido nordestino, tem características em suas variedades atuais que a fazem
sensível a aspectos como a umidade, a nebulosidade e a temperatura. Todos esses
critérios, de acordo com ele, devem ser considerados quando se produz o
zoneamento, tabela na qual constam as regiões e épocas em que o plantio de um
determinado cultivo corre mais ou menos riscos. A preocupação foi esclarecer
todas as possibilidades acarretadas pela escolha do ambiente em que se vai
plantar.
"A altitude, na verdade, é um fator secundário, porque altera outros fatores
primários do clima, como a temperatura e a umidade relativa do ar. Não é que ela
não produza em baixa altitude. Ela produz, mas não como se estivesse acima de
600 metros", disse. "A mamona vegeta e produz em altitudes médias, em torno de
650 metros, e aí destacamos a Bahia, onde todos os 198 municípios zoneados estão
nessa altitude. Lá, não se planta mamona em baixas altitudes, como se quer fazer
em outros estados", afirmou Beltrão.
Beltrão lembrou também a recomendação da Embrapa aos agricultores de não
plantarem mamona em terrenos ao nível do mar, abaixo de 300 metros. "Muita
gente fala em estender o zoneamento para áreas de baixa altitude, mas isso é
muito problemático. A mamona é muito sujeita a várias doenças, principalmente as
causadas por fungo, sendo a mais importante o mofo cinzento, que, se o ambiente
permitir, praticamente liquida toda a produção", afirmou, acrescentando
ainda que, em baixas altitudes, devido à nebulosidade, a planta tem problemas de
reversão de sexualidade.
Outro ponto discutido foi a necessidade de organização da cadeia produtiva do
biodiesel,
da qual o plantio de mamona é considerado o ponto de partida.
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Lula vem ao Piauí em agosto inaugurar usina de
biodiesel |
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Efrém Ribeiro
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11/06/2005
Mamona/A
refinaria de biodiesel de Floriano tem capacidade inicial de produção de 30
milhões de litros produzidos a partir da mamona. A meta é alcançar 400 milhões
de litros, ajudando na meta do Governo Federal de produção de 1 bilhão de litros
de biodiesel para todo o Brasil.
O governador Wellington Dias anunciou ontem que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá inaugurar em agosto a refinaria
de fábrica de biodiesel
da Brasil Ecodiesel em Floriano.
Ele afirmou que o presidente Lula faz questão de participar da
inauguração porque os investimentos da Brasil Ecodiesel têm o apoio do Governo
Federal e do Governo do Estado.
“O presidente Lula confirmou que estará no Piauí, na primeira semana de
agosto, e vamos a Floriano para conhecer e participar da inauguração da primeira
fábrica de biodiesel
do Brasil, que tem como base de sustentação a mamona”, afirmou Dias.
A refinaria de biodiesel
de Floriano tem capacidade inicial de produção de 30 milhões de litros
produzidos a partir da mamona. A meta é alcançar 400 milhões de litros, ajudando
na meta do Governo Federal de produção de 1 bilhão de litros de
biodiesel
para todo o Brasil.
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Evolução das
pesquisas Brasil pode superar posição do Oriente Médio |
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- 13/06/2005
País
está sendo considerado promissor para substituição do combustível de origem
mineral
Se
hoje o Oriente Médio é considerado a região mais importante para o fornecimento
de combustíveis devido a suas reservas naturais de petróleo, dentro de algum
tempo essa primazia pode se deslocar para o Brasil. A quantidade de áreas
agrícolas cultiváveis está levando o País a ser considerado a bola da vez nesse
aspecto, com as perspectivas de substituir os combustíveis de origem mineral por
materiais produzidos a partir de óleos vegetais. Para que isso se concretize,
entretanto, ainda há um longo caminho a se percorrer, principalmente no
desenvolvimento da produção de matéria-prima para a fabricação do
biodiesel, o
combustível considerado o substituto do óleo diesel para as próximas décadas.
A produtividade no País de mamona, cujo óleo é considerado a principal fonte
para a obtenção de biodiesel,
entretanto, ainda se encontra muito abaixo das possibilidades, sendo, portanto,
necessário ampliar as pesquisas nessa área, que garantam mais conhecimentos
aplicáveis no plantio. Essas perspectivas deram o tom dasdiscussões na palestra
Evolução das Pesquisas de Novos Cultivares de Mamona para Cultivo no Nível do
Mar, proferida no seminário O Biodiesel e o Nordeste pelo professor e
pesquisador da Embrapa Napoleão Esberard Macedo Beltrão.
A diferença entre o que se produz pelos agricultores brasileiros e o potencial
da planta, de acordo com Beltrão, ainda é grande. "A mamona da variedade
chamada nordestina, bem irrigada, adubada, com cuidados contra pragas e doenças,
tem um potencial de produzir 12 toneladas de bagas por hectare. Já se chegou a
8,5 toneladas por hectare e se tem tirado com alguns produtores da Bahia em
torno de 5 toneladas por hectare. Mas a média do Brasil ano passado foi de 900
kg por hectare, que mesmo assim já representa um crescimento em relação à nossa
média histórica".
A mamona já foi uma cultura importante no semi-árido nordestino, até a década de
70, quando era aproveitada na indústria de produtos químicos. Viveu a decadência
e agora voltou a ordem do dia, a reboque do Programa Nacional de Biodiesel. Mas
o crescimento da produtividade ainda é necessário para se fazer frente às metas
do Programa, já que em 2013 o percentual mínimo de
biodiesel no óleo
diesel será de 5%. E a pesquisa, que pode melhorar a produção, é fundamental
para isso. "Precisamos de um horizonte de longo prazo nesse ponto, com
condições para pesquisa e transferência de conhecimentos aos agricultores e
outros componentes da cadeia produtiva", disse Pedro Carlos Gama da
Silva, pesquisador da Embrapa Semi-árido, um dos debatedores.
"Existe a necessidade de um forte investimento no desenvolvimento da
tecnologia de produção de matéria-prima, sem a qual não há agroindústria. Quem
deve fazer esse papel são as pessoas que estão envolvidas com a pesquisa
tecnológica agrícola", reforçou Ângelo Savy Filho, engenheiro agrônomo e
pesquisador do IAC, de São Paulo
O aumento das pesquisas sobre mamona, de qualquer modo, já começou, mas ainda há
uma demanda que não é atendida. Segundo José Maria Marques de Carvalho, do
Etene (EscritórioTécnico de Estudos Econômicos do Nordeste), órgão do Banco
do Nordeste, lá foram recebidos 863 projetos de pesquisa este ano, dos quais 148
foram aprovados. "Os investimentos já aumentaram na atual administração, mas
ainda temos uma demanda insatisfeita crescente", disse.
A falta de sementes no mercado, para ele, ainda é o maior empecilho para que a
mamona atinja seu potencial na agricultura brasileira. "Esse ainda é o grande
gargalo na questão da mamona, porque sem semente não há
biodiesel.
Entendemos que a Embrapa, institutos de pesquisa e universidades possam fazer
parcerias estreitas com os ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia,
com o Banco do Nordeste, através do Etene, para apoiarem projetos que financiem
a multiplicação de sementes", concluiu.
Produtividade da mamona ainda se encontra muito abaixo das possibilidades, sendo
necessário ampliar as pesquisas nessa área
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Cacaulândia
investirá em biodiesel |
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- 10/06/2005
Representantes da Emater, Idaron, Ceplac, empresários, líderes comunitários
urbanos e rurais, professores e estudantes, se reuniram nos últimos dias para
participar de uma palestra do técnico João Carlos Pereira Reis,
especialista em petróleo e fontes alternativas de combustível.
De acordo com o prefeito Adelino Follador, o interesse específico de sua
comunidade é com a produção do biodiesel,
obedecendo às normas previstas na medida provisória nº 227, e demais normas
regulamentadoras, a fim de criar mais uma alternativa de geração de trabalho e
renda para a população. Ele explicou que o objetivo desta reunião preliminar era
propiciar a discussão de um projeto embrionário de produção de
biodiesel-combustível
formado pela mistura, em diferentes proporções, de óleos vegetais com o óleo
diesel derivado de petróleo, que possa resultar numa grande indústria que vai
absorver a mão-de-obra local e simultaneamente promover o aproveitamento
racional dos recursos naturais.
O prefeito lembrou que, de acordo com o que prevê o Programa Brasileiro de
Biocombustíveis, o biodiesel
vegetal pode ser obtido de diferentes fontes, como soja, girassol, mamona ou
simplesmente de óleo de fritura doméstica.
Segundo o prefeito, o Município de Cacaulândia ainda não pode ter uma indústria
para produção deste combustível, mas pode plantar soja, mamona, girassol, etc.,
e montar uma cooperativa de apoio aos produtores para promoção da venda desses
produtos, até que seja montada a indústria, que vai gerar mais empregos e renda
paras quem produz.
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R$ 100 milhões para mamona |
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10/06/2005
O
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) disporá de
uma linha de crédito no valor de R$ 100 milhões, para incentivar o plantio,
cultivo e colheita da mamona, segundo anúncio do ministro da Ciência e
Tecnologia, Eduardo Campos. A oleaginosa é uma das principais matérias-primas a
serem utilizadas para a fabricação de
biodiesel, combustível não poluente a ser
adicionado ao óleo diesel.
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Governador
anunciará investimentos para os produtores da mamona |
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10/06/2005
O
governador Wellington Dias (PT) participa hoje (10), a partir das 11
horas, de reunião com produtores de mamona, no município de Paulistana (452km de
Teresina). O governador vai ver de perto o andamento dos projetos e anunciará
investimentos para o setor. No Piauí, existe o Núcleo de Produção Santa Clara,
da empresa Brasil Ecodieesel, que trabalha na cidade de Canto do Buriti.
Em agosto, o Governo do Estado viabiliza a vinda do presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, para a inauguração da fábrica de
biodiesel, na cidade
de Floriano. Os diretores da Brasil Ecodiesel, empresa que administra o
empreendimento, em recente visita ao governador Wellington Dias, no
Palácio de Karnak, manifestaram o interesse do grupo pela presença do presidente
na solenidade de inauguração.
De acordo com o gerente do empreendimento, Arlindo Pereira, a fábrica vai
produzir cerca de 90 mil litros de biodiesel
por dia à base do óleo de mamona. Também vai gerar, segundo ele, cem empregos
diretos e, contando com as famílias que vão trabalhar no processo de colheita de
mamona, vai proporcionar a ocupação da mão-de-obra de cinco mil a dez mil
pessoas, dependendo da quantidade de contratos de venda do produto.
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2º CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIODIESEL |
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1ª
BIODIESELWORLD
CONFERÊNCIA E EXPOSIÇÃO
DESENVOLVENDO O CONHECIMENTO E A INDÚSTRIA DO BIODIESEL
Maior evento do mundo em Biodiesel
- Palestras
- Discussões
- Networking
- Exposição de Tecnologias de Produção e Uso do Biodiesel
Além de apresentar o
2º CONGRESSO INTERNACIONAL DE BIODIESEL
Local: Parque e Palácio do Anhembi
Data: 7 a 10 de Novembro de 2005
São Paulo – SP – BRASIL
· A Conferência e Exposição vão explorar o crescente interesse por biocombustíveis no mundo
· A Conferência contará com especialistas representando a indústria
internacional de biocombustíveis, representantes da comunidade acadêmica e
representantes de programas governamentais de biodiesel em diversos países
· A Conferência contará com a presença de especialistas na área de álcool e biodiesel como engenheiros, políticos, industriais e profissionais de marketing
· Os tópicos a serem discutidos incluem legislação energética e incentivos
governamentais para biocombustíveis, construção de plantas comerciais de biodiesel, fontes de matérias primas, conversão da biomassa, comercialização do biodiesel nos mercados de commodities e muitos outros tópicos relacionados com o
desenvolvimento da indústria do biodiesel
· Neste evento os participantes terão a oportunidade de observar as últimas
inovações na indústria do biodiesel, além de encontrarem líderes da indústria
nacional e internacional, líderes políticos e acadêmicos que estarão
participando da feira |
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GALERIA DOS
CLIPPINGS BIODIESELBRASIL 2005 |
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