Universidade Federal de Diamantina e USP de Ribeirão Preto desenvolvem nova tecnologia  para PRODUÇÃO DE BIODIESEL

 

Pesquisadores do LADETEL (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas das  USP Ribeirão Preto) e das Faculdades Federais Integradas de Diamantina-MG (FAFEID), desenvolveram nova tecnologia para a obtenção de Biodiesel a partir de óleos vegetais de baixa qualidade, com altos índices de ácidos graxos, além de mono e diglicerídeos. Este processo permite a conversão total de qualquer tipo de óleo em Biodiesel, aumentando em até 40% a eficiência em alguns casos. Esses catalisadores de fase sólida são preparados a partir de vários sais inorgânicos com características ácidas suportados em areia ou  carvão ativado, o que permite uma maior adsorção (contato) dos ácidos graxos com o catalisadores.
Vale ressaltar que esses ácidos graxos não são convertidos em Biodiesel pelo processo convencional de transesterificação, ficando desta maneira como sub-produto do processo de produção do Biodiesel, o que apresenta em alguns casos perdas em até 50%. A grande vantagem desta nova metodologia é sem dúvida permitir que esses catalisadores após serem utilizados sejam reciclados, ativados e re-utilizados diversas vezes, o que barateia muito o processo de obtenção de Biodiesel Etílico ou Metílico a partir de ácidos graxos ou de óleos de alta acidez. O grande desafio vencido pelo grupo foi conseguir com que esses catalisadores funcionem a temperatura ambiente, pois os mesmos já haviam mostrado bons resultados quando irradiados em microondas ou aquecidos convencionalmente, mas esses dois processos se mostraram muito dispendiosos apesar dos ótimos rendimentos.
Dessa maneira o ano de 2005 já começa trazendo bons fluidos visto que o grupo coordenado pelo Prof. Dabdoub (LADETEL) em parceria com o Prof. Sandro Barbosa (FAFEID-MG), que já trabalham no desenvolvimento do biodiesel no vale do Jequitinhonha, saem novamente a frente na busca de novas tecnologias, o que vem a calhar com um produto final de ótima qualidade e com 100% de eficiência na produção de Biodiesel.

Fonte: BiodieselBrasil

 

Os alemães e o biodiesel

 

O biodiesel desenvolvido através dos técnicos da USP de Ribeirão Preto, e que mistura álcool, óleo vegetal e catalisador ao óleo diesel, já é assediado no exterior antes mesmo de ser devidamente regulamentado no próprio Brasil. Por aqui, o Congresso Nacional, em análise do projeto que implanta o combustível alternativo, ainda discute se haverá ou não a obrigatoriedade de o biodiesel substituir gradativamente o diesel. No Senado, tiraram o item de obrigatoriedade. A Câmara Federal retomou. Já se vê por aí que o tema ainda renderá muitas discussões até sair ‘da gaveta’.
O jornal econômico Valor trouxe, em sua edição de ontem, reportagem em que o embaixador alemão em Brasília, Prot von Kunow, anuncia o interesse de seu país pelo biodiesel brasileiro. Os alemães já usam o combustível de forma contida. Mas ele é processado a partir de uma semente oleaginosa (a colza). Não há como obter escala. O biodiesel brasileiro, conforme o diplomata, surge como energia renovável (já que é gerado a partir de óleo vegetal e álcool) por preços baixos.
O embaixador lembra que o interesse por ora é retórico. As negociações de exportação do biodiesel são atualmente impossibilitadas devido à baixa produção brasileira. Mas não deixa de constatar que o combustível alternativo veio para ficar. Falta acertar apenas aqui dentro do país.

Fonte: Jornal a Cidade

 

ANALISTA NÃO VÊ BIODIESEL COMPETITIVO

 

O analista do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Rafael Schechtman, é bastante pessimista quanto à consolidação do biodiesel como uma alternativa na matriz de combustíveis brasileira. Para o consultor, o governo falhou ao investir no programa de produção de biocombustível como fonte de renda para famílias pobres, pois o diesel gerado a partir de plantas como a mamona e a soja nunca terá um preço competitivo para entrar no mercado de forma efetiva.
"Não há como existir produção em escala de biodiesel para cumprir a meta de mistura determinada pelo Ministério nem existe saída para a sua comercialização que não seja por meio de subsídios do governo", afirma Schechtman. A decisão de subsidiar a produção foi tomada pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será efetivada com cortes escalonados nos tributos que incidem no setor. O pacote de incentivo tributário ao programa prevê reduções nas alíquotas de PIS e Cofins.
Schechtman é irredutível em sua análise de que o Programa Nacional do Biodiesel não trará benefícios nem para a matriz energética, nem para a população. "Como programa social, acredito que o governo tem meios mais interessantes de gerar renda para os brasileiros". No sentido da diversificação das fontes de combustíveis, o gás natural ainda aparece como a melhor alternativa na avaliação do analista. Segundo ele, o investimento em gás natural é necessário para o crescimento do Brasil e este setor deveria ser priorizado. Schechtman lembra que desde a sua constituição a Petrobras prioriza a exploração do petróleo, e ressalta que deveria almejar menos a auto-suficiência na produção de petróleo e mais a diversificação exploratória

Fonte: Gazeta Mercantil

 

Desafios do biodiesel

 

O governo vê o biodiesel como um projeto econômico, ecológico, e também como um projeto social. Mas a falta de regras pode atrapalhar os planos...
O Brasil precisa tomar o cuidado de evitar os erros do passado do pró-álcool. O primeiro erro é ser economicamente insustentável e depender sempre dos cofres públicos.
Hoje, a produção do álcool é lucrativa, mas durante todo o tempo que durou o chamado pró-álcool, os produtores recebiam subsídio do governo. O tesouro chegou a gastar o equivalente a R$ 2 bilhões para manter o programa.
O segundo erro é fazer um programa ambientalmente insustentável. Uma das razões da existência do biodiesel é reduzir a emissão de carbono do combustível fóssil, ou seja, do petróleo.
O pró-álcool também foi feito para reduzir o uso dos derivados, porque havia falta de produto no mundo. Mas o álcool, que é um combustível limpo, acabava poluindo ainda mais, porque os usineiros usavam as queimadas como técnica de produção.
Isto, felizmente, está mudando. Uma das coisas boas é o uso do bagaço de cana, que usa como matéria-prima um rejeito da usina.
Se biodiesel não for bem feito, ele pode reduzir a poluição por um lado, mas aumentar pelo outro. É preciso demarcar a área em que será produzido para evitar, por exemplo, a invasão da soja na Amazônia e a completa destruição do Cerrado.
Hoje, os produtores de soja garantem que não estão ameaçando a Amazônia, mas os ambientalistas garantem que estão, sim. Que o governo faça o seu trabalho: regule e fiscalize.

Fonte: Bom Dia Brasil - Miriam Leitão

 

BIODIESEL DESPERTA INTERESSE DE ALEMÃES

 

Recém-lançado no país, com o objetivo de diversificar a matriz de combustíveis e gerar fontes alternativas de renda para o agronegócio, o programa brasileiro de biodiesel já desperta interesse no exterior e acaba de ganhar um aliado que poderá garantir o sucesso do empreendimento: a Alemanha informou que tem interesse em importar o produto.

Assim como as compras de etanol brasileiro, trata-se de um projeto de longo prazo, diz o embaixador alemão em Brasília, Prot von Kunow.

A Alemanha importa 97% das 100 milhões de toneladas de petróleo que consome todos os anos. Para ganhar competitividade, tanto o biodiesel quanto o etanol brasileiros precisam receber descontos nas tarifas de importação cobradas pela União Européia, mas as negociações com o Mercosul devem contemplar esse tipo de benefício.

"Para nós, que dependemos muito dos produtores de petróleo, é importante diversificar e o Brasil tem boa chance de oferecer energias renováveis por preços baixos", afirma o embaixador.

"Hoje temos alguma produção local e uma rede de distribuição de biodiesel", acrescenta Kunow, explicando que o combustível lá é feito a partir da colza - uma semente oleaginosa - e já usado em tratores e máquinas agrícolas, em proporções ainda baixas.

O governo alemão deverá avaliar a possibilidade de autorizar a mistura do etanol e do biodiesel aos derivados de petróleo utilizados em veículos automotivos. A motivação não é apenas econômica, para reduzir a dependência dos grandes produtores mundiais de óleo.

Vem também dos compromissos de diminuição dos níveis de poluição assumidos com a assinatura do Protocolo de Kyoto. "Temos uma preocupação muito grande com as questões ecológicas", diz Kunow.

Esse é o aspecto mais visível, mas não o único, de uma parceria que o governo alemão busca com o Brasil no setor de energia. O embaixador sublinha que a Alemanha está disposta a transferir tecnologia que permita ao país reduzir suas perdas com o transporte de eletricidade.

Segundo ele, a energia gerada por Itaipu chega a São Paulo com 30% de desperdício na transmissão. "A perda é muito alta e faz parte do custo de distribuição, mas temos tecnologia que permitem a economia de energia e podemos fazer parcerias com o Brasil."

No início de novembro, a Alemanha comunicou ao governo brasileiro que reformularia o acordo de uso pacífico da energia nuclear, assinado em 1975.

O entendimento viabilizou a construção das usinas Angra I e II e a compra de equipamentos da empresa alemã Siemens, para erguer Angra III.

A Siemens vendeu suas atividades na área nuclear a uma empresa francesa, e a Alemanha aprovou uma lei que prevê a eliminação de atividades nucleares para fins pacíficos.

Mas as novas parcerias no setor energético são uma prova, segundo o embaixador, de que o país quer manter o excelente nível de cooperação com o governo brasileiro.

Fonte: Valor Econômico - Daniel Rittner

 

 

Para maiores informações, visite o Portal Biodiesel Brasil,


www.biodieselbrasil.com.br