No 215, ano 3, 18/08/2005 - Editor:M.Sc. Antonio C.F. Batista

maior evento  em Biodiesel. 

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 10/08/2005 -  A iniciativa pretende dentre outros objetivos reciclar informações e trazer ao debate um assunto que desponta nos cenários nacional e internacional como solução de inúmeros problemas ambientais, além da importância sócio-econômica, precariedade de normas regulamentadoras sobre a matéria, a defesa dos interesses públicos e sociais, e ainda, suporte às políticas públicas específicas.

Local: Câmara Municipal de São Paulo - Auditório Prestes Maia – 1º andar

 

Assuntos a serem enfocados no tema Biogás (29/08):

·          Explicação técnica do produto;

·          Relação meio ambiente;

·          Métodos de produção, extração e armazenamento;

·          Aplicações: geração de energia elétrica; térmica, transporte coletivo, usos residencial e não residencial;

·          Viabilidade econômica – custo / benefício

·          Legislação – Licitação; concessão; interesse de exploração pela PMSP e/ou particulares.

 

Assuntos a serem enfocados no tema Biodiesel (30/08):

·          Explicação técnica do produto;

·          Relação meio ambiente;

·          Métodos de produção, extração e armazenamento;

·          Aplicações: geração de energia elétrica; térmica, transporte coletivo, usos residencial e não residencial;

·          Viabilidade econômica – custo / benefício

·          Legislação – Licitação; concessão; interesse de exploração pela PMSP e/ou particulares.

 

Atenciosamente
Vereadora Myryam Athie – Líder do PPS

Tel: 6824-4673 ou 6824-4671 / Fax:3101-8910 – Suely / Milton

email: myryamathie@uol.com.br

 

BIOGAS    
Tópicos
EXPLICAÇÃO TÉCNICA DOS PRODUTOS  Ari Plosky  IPT - INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS  Superintendente
EXPLICAÇÃO DE METÓDOS DE PRODUÇÃO  João Wagner Silva Alves  CETESB     - Gerente de Questões Globais 
APLICAÇÃO Fernando Costa  / Alexandre Barros SOTREQ Gerente de Markenting
VIABILIADE ECONÔMICA Manoel Avelino UNIBANCO
LEGISLAÇÃO Maria Sylvia R Pereira e Marcia Donatti PMSP juridico secretaria  verde
 

BIODIESEL

   
Tópicos
EXPLICAÇÃO TÉCNICA DOS PRODUTOS e METODOS DE PRODUÇÃO Prof. Dr. Miguel J. Dabdoub Coordenador do Ladetel e presidente da Câmara Setorial de Biocombustíveis do Governo do Estado de São Paulo
RELAÇÕES ENTRE BIODIESEL E PMSP Helena  Werneck PMSP SP Casa Verde
APLICAÇÃO Engº Henry Joseph Jr Presidente da Comissão de Energia e Meio Amb da Assoc Nac dos Fabr de Veíc Automotores (ANFAVEA)
VIABILIADE ECONÔMICA Nivaldo Rubens Trama ABIODIESEL Presidente
LEGISLAÇÃO Werner Grau Neto Pinheiro Neto Advogados  Sócio da Área Ambiental

Mundo tem de se preparar para nova era do petróleo caro

 

16/08/05- Londres - Restam poucas dúvidas de que os preços do petróleo vão continuar elevados por um longo tempo, provavelmente quebrando novos e sucessivos recordes. As razões para esse cenário preocupante são bem conhecidas. A demanda mundial está crescendo, o aumento da produção é limitado e tende atingir um pico nos próximos anos e problemas como greves em países produtores, tensões políticas no Oriente Médio ou manutenções em refinarias, vão manter os mercados nervosos. A tese de que a alta dos preços é um mero "ciclo" alimentado pela recuperação econômica mundial vai dando espaço para a convicção de que estamos diante uma "nova era" de petróleo caro. Diante dessa perspectiva, governos, empresas e investidores tentam calcular o impacto sobre a economia mundial.

Muito se fala que se os atuais preços do barril estão muito próximos de representar um choque semelhante ao ocorrido ao choque de energia do final da década de 70. Mas o economista Lawrence Eagles, da Agência Internacional de Energia (AIE), em entrevista à Agência Estado, diz que essa comparação ainda é precipitada. Segundo ele, o preço médio anual petróleo atingiu seu nível mais elevado em 1980, quando o barril foi negociado a US$ 82,95, em termos reais, ou seja, preços de hoje. Ou seja, os preços correntes - na faixa dos US$ 60 - ainda estão distantes desse nível, embora um número crescente de analistas aposte que ele será alcançado, cedo ou tarde. Mesmo que o barril atinja o patamar de preços do choque dos anos 70, isso não significa que o efeito sobre a economia mundial será equivalente.

Eagles observa que ao longo dos últimos 35 anos o perfil do consumo do energético mudou muito. "A dependência de muitos países do uso do petróleo foi reduzida, com a aplicação de outras fontes energéticas", explica. "Há muitos outros fatores variáveis que precisam ser levados em consideração, desde técnicos como macroeconômicos." Essa mudança na intensidade do uso do petróleo tende a aliviar o impacto inflacionário da alta nos preços. Não há cálculos precisos para se saber qual o preço necessário para um "novo choque" levando-se em consideração essas mudanças. Mas certamente, como observa Eagles, seria necessário adicionar mais dólares ao preço médio registrado em 1980.

Embora a economia mundial ainda esteja pelo menos um pouco distante de um cenário semelhante ao choque do petróleo dos anos 70, o fato é que ela já está sendo penalizada pela escalada dos preços da commodity nos últimos dois anos. O economista-chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirma que os atuais preços vão reduzir em 0,8% o crescimento do PIB mundial em 2005 e alargar os déficits em conta corrente tanto em países ricos como nos emergentes.

Ele lembrou que estudos realizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial mostram que os preços do petróleo, que registraram a média de US$ 43,50 por barril em 2004, reduziram a expansão da economia mundial em 0,5%, no ano passado, como a AIE havia previsto. Birol disse que a produção de petróleo deverá aumentar no início de 2006, mas mesmo essa maior oferta não será capaz de aliviar a constante elevação do consumo.

Consumo menor

O assessor econômico sênior do banco de investimentos UBS, George Magnus, em artigo publicado no jornal Financial Times, afirma que os preços atuais ainda não colocaram a economia mundial sob um estresse ainda maior pelo menos por três razões. Os países desenvolvidos usam hoje cerca da metade de petróleo por unidade do Produto Interno Bruto do que usavam na década de 70. Além disso, observa o economista, os países produtores de petróleo, com os bolsos cheios de recursos, estão dando um estímulo à economia mundial. Suas importações cresceram 32% no ano passado e outros 22% no primeiro trimestre de 2005. "Países com grandes superávits no balanço de pagamentos investiram nos mercados de capitais globais, principalmente dos Estados Unidos, e assim ajudaram a sustentar os baixos níveis de taxas de juros de longo prazo", disse Magnus.

Mas o economista do UBS alerta que não pode haver espaço para complacência. O aumento nos gastos causado pela alta do petróleo ao longo dos últimos dois anos foi de cerca de 2,7% do PIB para os Estados Unidos. Entre outros fortes importadores de petróleo, a segunda maior vítima foi a África, com um custo equivalente a 2,3% do PIB, ou cerca de US$ 32 bilhões. Para a Europa, Estados Unidos, Japão, Ásia e América Latina, esses custos variam entre 1,7% e 2% do PIB.

Magnus calcula que caso o petróleo permaneça na casa dos US$ 60 por barril, o impacto daqui um seria uma queda entre 1% e 2% no PIB da Coréia do Sul, Taiwan, Turquia e África do Sul e de até 1% na China, boa parte da Europa, Japão e Estados Unidos. O déficit em conta corrente dos Estados Unidos seria ampliado em mais 1% do PIB. A transferência total de recursos dos países importadores para os produtores até 2007 é estimada em US$ 1,5 trilhão, ou 3,5% do PIB mundial.

João Caminoto

 

Biodiesel: falta produção industrial e incentivo

 

16/08/05- A ampliação do uso de biodiesel na matriz energética brasileira, derivada em 43% do petróleo, depende de produção industrial do combustível e de incentivo tributário, analisou hoje o pesquisador do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da Universidade de São Paulo (USP) Antônio Carlos Batista.
A produção de biodiesel a partir de soja refinada custaria US$ 0,5 por litro sem impostos, calculou Batista, que apresentou palestra hoje no 4º Congresso Sul-Brasileiro da Indústria Automotiva. Se fosse utilizada soja não refinada, o valor cairia para US$ 0,38 por litro. O refino da soja custa entre US$ 120 e US$ 150 por tonelada, explicou o pesquisador. O produto derivado da mamona seria obtido por US$ 1,0/litro (sem impostos). O álcool custava o equivalente a quatro litros de gasolina quando começou, comparou.
Ele disse que duas empresas produzem biodiesel comercial atualmente e estimou que o nível de adição do combustível ao óleo diesel não deve chegar a 0,9% até o final do ano. A regulamentação da Agência Nacional do Petróleo para o biodiesel prevê a adição de 2% ao diesel (B2), que se tornará obrigatória em 2008. Para Batista, é viável cumprir o prazo de 2008.
No começo, a cultura mais utilizada deve ser a soja, por causa da grande oferta da oleaginosa, mas depois outras fontes devem fornecer biodiesel, como girassol, dendê e babaçu, projetou ele. A cultura com melhor desempenho na produção de biodiesel é o dendê, com o qual é possível obter 6 mil litros por hectare cultivado, indicou Batista. Com a mamona, é possível produzir entre 1,2 mil e 1,5 mil litros de biodiesel por hectare. O Brasil é um grande importador de dendê, que tem aplicação nas indústrias siderúrgicas, disse Batista.

 

    O embaixador do Biodiesel   

 

 13/08/05- Paes Landim
Deputado Federal e Professor licenciado da UnB


“O Governo Federal (...) irá assegurar a compra do biodiesel produzido pela agricultura familiar. A partir de agora, todo biodiesel (...) terá a sua compra garantida, através de chamada pública, por preços que remunerem adequadamente a cadeia produtiva”. Este trecho do pronunciamento do Presidente da República em Floriano, no dia 04 de agosto, por ocasião da inauguração da usina de biodiesel da Brasil Ecodiesel S/A, foi o teor mais importante de seu discurso, pois sem o devido incentivo governamental, o programa que revolucionará o Nordeste não teria condição de lograr êxito.

Em Floriano, ao deparar com o Embaixador Jório Dauster, não resisti: “Embaixador, você perdido nesse sertão?”. O Embaixador explicou-me que estava à frente do Conselho de Administração da Brasil Ecodiesel e fiquei mais confiante, ainda, na viabilidade do programa de aproveitamento da nossa mamona como fonte de biodiesel.
Jório Dauster é um dos maiores quadros da história do Itamaraty. O conheci na década de 80 do século passado, em Londres, como Embaixador permanente do Brasil junto à Organização Internacional do Café.

Integrei a delegação brasileira em uma das reuniões anuais daquela organização internacional e fiquei impressionado com a competência e a eficiência de sua atuação. A OIC foi o mais importante organismo internacional de defesa do café, que reunia grandes produtores e consumidores do café, do mundo inteiro, destacando-se do lado dos produtores o Brasil e a Colômbia, e dos consumidores os Estados Unidos.

O seu objetivo era evitar que o excesso de oferta do produto gerasse uma crise política de sustentação de seus preços, e o subseqüente desestímulo à sua produção. Daí o sistema de “quotas” previsto no tratado internacional que criou a OIC. Mas o que mais me impressionava era que embora o Embaixador Jório Dauster representasse o Brasil, era ele quem comandava o sistema de distribuição de quotas. Tal a sua competência profissional e o seu refinado conhecimento do mercado de café, que todos os países aceitavam as suas ponderações.

Com a vitória de Tancredo Neves, Jório Dauster foi designado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia, e o café perdeu o seu mais respeitado interlocutor no mercado mundial. Ainda nos anos 80, acompanhei o Embaixador Jório Dauster ao Panamá e à Colômbia, para tratar dos interesses do nosso país junto aos países produtores da América Latina.

Jório Dauster chegou inclusive a presidir o Instituto Brasileiro do Café e quando da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, os acionistas controladores e o Governo Federal se preocuparam em encontrar um nome que mantivesse o prestígio e a respeitabilidade da empresa internacionalmente para presidi-la. O nome escolhido foi o de Jório Dauster, que consolidou a imagem internacional da Vale do Rio Doce, agora sob o domínio do setor privado e transformada na mais importante empresa mineral do mundo.

No seu discurso, o Presidente Lula disse que as instituições financeiras públicas, em especial o BNDES, está apresentando uma política de financiamento a todos os agentes da cadeia produtiva da mamona: seus agricultores, esmagadores e produtores do biodiesel.

Essa revolução do “ouro verde” em que poderá se transformar a mamona ocasionará um impacto de dimensões ainda não previstas na estrutura social, econômica e cultural do Piauí. O Presidente esclareceu que poderia ter escolhido a soja, o azeite de oliva, o girassol, mas fez questão da escolha da mamona para a produção do biodiesel para ajudar o Nordeste, em geral, e o Piauí em particular.

O que mais me encantou da Brasil Ecodiesel foi a sua ação educacional. A escola destinada às crianças na Fazenda Santa Clara, em Canto do Buriti, que recebe os filhos dos agricultores e esmagadores daquela cidade e de Elizeu Martins, deveria servir de exemplo para todas as escolas públicas do país. Crianças felizes e professoras realizadas no seu desiderato educacional. Como disse o Presidente Lula, “o projeto do biodiesel é um projeto ousado, é um projeto que vai permitir que a gente possa dar esperança à família brasileira”.
Jório Dauster é o executivo dessa esperança.

dep.paeslandim@camara.gov.br
paes.landim@meionorte.com

 

Cana-de-açúcar, um ícone a projetar o Brasil     

 

15/08/05- Próximos anos serão decisivos para o êxito do produto

Por Roberto Rodrigues e Luiz Carlos Corrêa Carvalho
"A maior ameaça à humanidade não é a maldade das pessoas más, é a passividade das boas." Martin Luther King

Os mecanismos divinos que fazem uma planta transformar a energia do sol em energia química que tanto gera alimentos quanto energia, são conhecidos. A análise individual das plantas nesse quesito mostra verdadeiros craques: plantas que conseguem maior transformação da energia solar. A cana-de-açúcar é, talvez, uma das maiores conversoras de energia, caracterizando-a como uma verdadeira fábrica de energia renovável e limpa.

O balanço de energia dessa planta, na produção de álcool, mostra que uma unidade de energia utilizada para esse fim gera de 8,3 a 10,3 unidades finais. É fantástico e, ao mesmo tempo, ambientalmente favorável: cada metro cúbico de álcool seqüestra 2,6 toneladas equivalentes de carbono, face as substituições da gasolina (pelo álcool) e do óleo combustível (pelo bagaço da cana). Ou mais: cada hectare com cana-de-açúcar produz, em termos líquidos, 60 barris equivalentes de petróleo, ou seja, em 5,5 milhões de hectares colhidos; atualmente no Brasil tem-se 900 milhões de barris equivalentes de petróleo/dia (metade do consumo diário total de petróleo no Brasil!). Ou mais: é o setor que usa os menores índices de herbicidas, pesticidas e fertilizantes, face o uso, respectivamente, da palha, de inimigos naturais, da vinhaça e da "torta" de filtro, entre outros sub-produtos. O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar e de álcool no mundo. Os próximos anos serão decisivos para o êxito da cana-de-açúcar. Como será o mercado mundial dos seus principais produtos (álcool e açúcar) nos próximos anos?

Nos próximos 10 anos, a demanda de açúcar crescerá cerca de 40 milhões de toneladas!

Nos próximos 10 anos, o etanol, que hoje não representa 2% do consumo de combustíveis no mundo, será cerca de 6% (em projeção conservadora); ou, de 42 bilhões de litros produzidos em 2004, saltará para 120 bilhões de litros!

Com relação ao açúcar, o Brasil deverá produzir a maioria desse volume crescente, pela questão "física" e competitiva; quanto ao álcool, como energia renovável, vale comentar.

A humanidade trocou, feliz, no início do século XX as carroças que poluíram as cidades com as fezes dos cavalos, por carros que vem aumentando a temperatura do planeta! Descobrimos isso ao final do século XX, quando já estávamos absolutamente viciados no petróleo. É claro que a mobilidade que ele nos proporcionou encantou a todos, e não abrimos mão dela! Mas também claro é que a nossa sociedade depende do petróleo como o homem em relação ao sangue que circula em seu corpo.

Mas o fato é que, nessa festa embriagadora do petróleo, os ricos, já bêbados, abriram os portões aos pobres que também se embriagaram. O fato é que nos próximos 25 anos o mundo consumirá, em petróleo, o total que consumiu até hoje. Ou seja, o esgotamento se aproxima rápido. Tanto quanto o petróleo, o gás natural segue a mesma linha.

O pensamento lógico (não neoliberal, ou anárquico, ou de esquerda) é: toda, a humanidade caiu em uma terrível armadilha, assim como Ulisses e o canto das sereias.

Voltando à embriaguez, o armazém de vendas do petróleo que não se fechará cedo será o da Arábia Saudita, hoje com 2/3 das reservas da "bebida" não renovável. Assim, o preço vai para onde?

As opções, todas, passam pela avaliação ambiental (urgentíssima) e pela evolução tecnológica das alternativas: a lógica da defesa do meio ambiente não clama por alternativas únicas como o carvão mineral (finito e poluente) ou, na mesma importância, a opção nuclear (elevadíssimos riscos). Passará, sem dúvidas, pela opção renovável, com uma inteligente dose de transição energética juntamente com as fontes atuais não renováveis. Afinal, não se troca todo o sangue de uma vez!

É claro que a comodidade do petróleo não será totalmente abandonada. Afinal, não há como fazer isso. Mas vai requerer a visão integrada do processo. Como? A título de exemplo, o Brasil irá investir numa nova refinaria de petróleo na região nordeste do país. Porque não prepará-la para produzir mais produtos nobres para a petroquímica, deixando que o etanol e o biodiesel façam a substituição de produtos menos nobres como a gasolina e o óleo diesel? Seria um excelente referencial ao mundo, consolidando a imagem do Brasil como líder no campo da agricultura energética.

Nos próximos anos, o Brasil aumentará o seu consumo de etanol em novos 7 bilhões de litros, podendo exportar parcela semelhante ao mundo que, esperamos, acorde de seu "êxtase".

Não há mais o que esperar! Qual o sentido de urgência que temos?

Doce como o mel e combustível para a alma, a cana-de-açúcar terá, certamente, enorme número de produtos que serão produzidos em toda a cadeia equivalente da petroquímica e de derivados, na área de insumos modernos à agricultura, à farmácia e alimentos deliciosos, agregando renda, alimentando o homem e a sua qualidade de vida. Melhor, ainda, se a produção agrícola for desconcentrada.

O padrão Brasil de agricultura energética ganhará qualidade com maior inserção do sistema cooperativista, com maior distribuição da renda e pleno sistema sustentável.

Os tempos passam, os gênios perduram. Vale relembrar T.S. Eliot: "Nunca devemos parar de explorar. Ao fim de todas nossas explorações, voltamos ao começo e conhecemos o lugar pela primeira vez".

Roberto Rodrigues é ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Luiz Carlos Corrêa Carvalho é presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool

Paraná ganha novo centro de produção de biodiesel    

 

15/08/05- Curitiba – Nova estrela do agronegócio brasileiro, o biodiesel obtido a partir de óleos vegetais volta a ser destaque no Paraná, com o anúncio da segunda planta industrial, que será instalada em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. O novo complexo para a produção de biodiesel pertence a Expoglobe International e receberá investimento de US$ 6 milhões. A primeira planta de biodiesel do Paraná foi da Biolix, instalada em Rolândia, no Norte Pioneiro, que produz o combustível desde maio de 2004. Hoje, a unidade tem capacidade para processar 30 mil litros por dia e deve expandir para 100 mil litros por dia.

O anúncio oficial da nova planta será feito hoje, em Curitiba, durante o workshop Feisucro Biocombustíveis Paraná, promovido numa parceria entre a Alcântara Machado Feiras de Negócios e a Brasilagro. O evento, que conta com o apoio do governo do Paraná, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), tem como objetivo ampliar a discussão em torno dos biocombustíveis e, com isso, divulgar a Feira Internacional do Setor Sucroalcooleiro (Feisucro), que será realizada em novembro, em São Paulo.

Segundo o secretário da Indústria e Comércio de Campo Largo, Luiz Fernando Manazek, a Expoglobe International escolheu o município devido à proximidade de Curitiba e das montadoras, em São José dos Pinhais, bem como pela dilação de 50% no pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A Expoglobe International é fabricante do Petrocrystal, produto utilizado na otimização das condições físicas da combustão para elevar a eficiência energética, ao mesmo tempo que diminui categoricamente os níveis de todos os elementos poluentes resultantes da combustão. Esse produto está projetado para reduzir até 7% do consumo energético desde o início do uso, graças à sua incidência na eficiência da combustão. Com o tempo de aplicação este valor aumenta até 10% e 20%, quando se usa continuamente.

O produto da Expoglobe International também foi desenvolvido para reduzir a geração de gases que provocam o efeito estufa (GHG), levando quase a zero a emissão de gás carbônico, e diminuindo em 90% as partículas de carbono.

Desde dezembro de 2004, as distribuidoras de combustíveis e refinarias estão autorizadas a colocar 2% de biodiesel no diesel derivado de petróleo. Para adições superiores a 2%, é necessária autorização especial da Agência Nacional do Petróleo. O biodiesel é um combustível renovável que pode ser produzido a partir de oleaginosas como mamona, soja, dendê, palma e girassol.

Mirian Gasparin

 

Álcool: demanda puxa produção

 

Previsão é de que País produza 30 bi de litros de biodiesel por ano

 

16/08/05 - Evandro Fadel
CURITIBA - A previsão dos empresários e técnicos do setor sucroalcooleiro é que nos próximos 5 anos a demanda brasileira exigirá que o País salte de uma produção anual de 16,7 bilhões de litros de álcool combustível para cerca de 27 a 30 bilhões de litros. Isso significa ocupar mais 3 milhões de hectares com a cana-de-açúcar (hoje são 6 milhões), além de outros vegetais e frutas que possam contribuir na produção de biodiesel. "O dinheiro melhor empregado seria o de investimento no programa de biodiesel", afirmou o conselheiro da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), Maurilio Biagi Filho.
Ele esteve em Curitiba para um seminário em preparação à Feira Internacional do Setor Sucroalcooleiro (Feisucro 2005), que será realizada no Anhembi, em São Paulo, entre 7 e 10 de novembro. O setor possui hoje 321 usinas (todas com projetos de ampliação) e outras 45 em implantação. A média de crescimento foi de 13,2% em cada um dos últimos quatro anos. Com 3 milhões de trabalhadores, o setor movimenta US$ 20 bilhões anualmente.

Biagi Filho ressaltou que o Brasil é também o país que mais desenvolveu a tecnologia para a produção do etanol, exportando-a para vários países. "Se o Brasil implantar um programa de biodiesel, será uma potência mundial energética." Não se restringindo apenas à cana-de-açúcar, que é considerado o vegetal com maior poder para ser transformado em energia. As potencialidades são maiores em razão da previsão da Agência Internacional de Energia de que, até 2020, 30% da matriz energética mundial seja de biocombustíveis.

Coordenador do Projeto Biodiesel Brasil e da Câmara Paulista dos Biocombustíveis, o professor da USP Miguel Dabdoub não tem dúvidas de que o País será protagonista dessa onda mundial. "Mas não queremos que demore o que está demorando para atrair investimentos."

"Alguns países europeus já têm suas leis e estão implantando o programa com tecnologia desenvolvida no Brasil." Na Europa, a previsão é de que, até 2010, 5,75% da energia fóssil seja substituída pela renovável e, até 2020, 20% deve passar pelo processo.

Durante um workshop em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, o empresário peruano Manuel Cevallos, da Expoglobe International Inc., anunciou investimentos de US$ 6 milhões para construir uma indústria de autopeças e uma unidade de biodiesel. "Estou apostando no projeto brasileiro." Ele pretende pôr a indústria em funcionamento nos próximos 18 meses.
 

Também o biodiesel pode ser de cana

 

 16/08/2005  - Curitiba, 16 de Agosto de 2005 - Nos anos 70, o Brasil começou a substituir em larga escala a gasolina pelo álcool. Agora, cientistas pesquisam extrair biodiesel da mesma cana-de-açúcar.

O biodiesel da cana - que pode ser misturado ao diesel comum - é, nos termos científicos, de via "etílica". Nos Estados Unidos, onde se produz biodiesel de milho, a via é a "metílica".

Para o Brasil, seria mais barato produzir biodiesel a partir da cana, mas o mercado internacional - leia-se EUA e Europa - só aceitam importar o produto metílico.

Se em 2008 o Brasil adicionar 2% de biodiesel ao diesel, a produção de combustível alternativo deverá alcançar 800 milhões de litros. A produção de biodiesel no Brasil - seja ela de soja, nabo forrageiro ou palma - ainda é incipiente, porém todos concordam que é hora de começar a produzir. Estima-se que em 2013 o mercado atinja 2 bilhões de litros.


Todas essas colocações foram feitas durante o workshop Biocombustíveis/Paraná realizado ontem em Campo Largo. O encontro serviu também para o anúncio da instalação do segundo projeto paranaense destinando a produzir biodiesel, da empresa norte-americana Expoglobe International Inc., que quer utilizar o produto como matéria-prima para lançar no Brasil o seu aditivo Petrocrystal, que aumenta o poder calorífero de motores diesel, gasolina e álcool, reduzindo o consumo de combustível. Segundo o peruano Manuel Cevallos, presidente e CEO da Expoglobe, o projeto desenvolvido pelo Laboratório de Desenvolvimento de Energias Limpas (Ladetel) da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto pretende utilizar uma cultura de inverno como o girassol para produzir 100 mil litros diários de biodiesel num investimento de US$ 6 milhões. Ele pretende instalar um projeto semelhante para produção de álcool combustível na República Dominicana, também com tecnologia brasileira.

Das cinco plantas de biodiesel que estão produzindo no Brasil autorizadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), quatro são pela via do metanol enquanto apenas a Agropalma, do Pará, utiliza o módulo etílico, a partir da folha de palma. As outras usinas estão instaladas em Minas Gerais e no Piauí. A de Minas Gerais, inclusive, está com problemas de operação e já foi autuada pela ANP. "Os custos com relação à matéria-prima são semelhantes em 80% dos casos em qualquer que seja a cultura escolhida", explica o professor Miguel Dabdoub, presidente do Projeto Biodiesel/Brasil e da Câmara Paulista dos Biocombustíveis, além de Coordenador do Ladetel da USP. Ele é o desenvolvedor da tecnologia para a produção de biodiesel que utiliza a rota etílica e irá implantar o projeto paranaense. Ele acredita que, por isso, a escolha do produto deva levar em conta as características regionais, mas que a cana-de-açúcar, pela tradição que o Brasil possui, é a melhor alternativa e que ela só encontra rival na folha de palma no seu poder de gerar energia.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Norberto Staviski)
 

Brasil se prepara para produzir biocombustível   

 

16/08/2005- Apesar de ser pioneiro, País está atrasado nos estudos de tecnologia e projetos seguem em ritmo lento

Curitiba A Agência Internacional de Energia prevê que até 2020 cerca de 30% da matriz energética mundial seja composta por biocombustível. O Brasil, que foi o primeiro País a produzir álcool combustível, está atrasado nos estudos e da tecnologia para abrir novos mercados e expandir a produção atual, que é de 16,7 bilhões de litros de álcool. A previsão é de que em 2010 sejam necessários entre 27 bilhões e 30 bilhões de litros para suprir a necessidade que o Brasil terá de abastecer, inclusive, o mercado automobilístico nacional que tem apostado nos carros bicombustíveis, que oferecem tecnologia para uso de álcool ou gasolina.

O setor sucroalcooleiro possui hoje 321 usinas (todas com projetos de ampliação) e 45 em instalação. A média de crescimento foi de 13,2% em cada um dos últimos quatro anos. Com 3 milhões de trabalhadores, o setor movimenta US$ 20 bilhões anualmente.

De acordo com Maurilio Biagi Filho, um dos pioneiros na implantação do Programa Nacional do ProÁlcool e presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira, para que o Brasil corresponda às expectativas nacionais terão que ser plantados pelo menos três milhões de hectares a mais de cana-de-açúcar até 2010. Atualmente são 6 milhões de hectares. Os Estados que têm mais tendência de suprir esta demanda são São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Outros Estados como Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também deverão receber novas lavouras de cana-de-açúcar. ''A cana é um produto completo porque produzimos com ela o açúcar, o álcool e fazemos com o bagaço o vapor necessário para termos energia elétrica sem precisar queimar petróleo'', ponderou o especialista.

O Brasil tem atualmente cerca de 50 novas usinas em andamento. Deste total, apenas três deverão ser projetadas para o Paraná (Terra Rica, Paraíso e Paranavaí). Biagi falou ainda sobre o biodiesel e o uso do álcool via etanol para produção do produto que poderia vir a substituir o diesel. ''Hoje o álcool combustível substitui a gasolina. É importante termos um outro combustível, que tem sido chamado de biocombustível, para substituir o diesel. Poderemos fazer isto de duas formas: via etanol ou via metanol'', complementou ele.

O professor Miguel Dabdoub, presidente do Projeto BiodieselBrasil e da Câmara Paulista de Biocombustíveis, aposta em outras culturas para a produção efetiva do biocombustível. Entre as mais rentosas estariam a palma africana (conhecida vulgarmente como ''dendê''). ''O Brasil não está progredindo como poderia por falta de incentivos. O País não pode perder o trem do progresso. Temos que rediscutir os marcos tributários, de preços e de competitividade, ou perderemos a liderança internacional'', pontuou ele. Algumas experiências estão sendo realizadas em todo o mundo. (Com AE)

Luciana Pombo
Equipe da Folha

 

 

Biocombustível

 

16/08/05- O nabo-forrageiro, a mamona, o girassol e a nabiça (uma variedade de nabo) são plantas oleaginosas que se tornaram alvo de pesquisa da Unesp -- Universidade Estadual Paulista, em Jaboticabal, SP, para um projeto de criação de biocombustíveis. Em parceria com a Ladetel - Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, da USP, em Ribeirão Preto, SP, os pesquisadores conseguiram um bom resultado durante mil horas de teste: o consumo dos tratores de 100 cavalos se mantém inalterado com a mistura de 50% de biodiesel e os outros 50% de diesel. "Confirmamos a eficácia e a viabilidade econômica desse combustível no campo", analisa Afonso Lopes, coordenador da pesquisa. Por enquanto, os resultados menos expressivos foram apresentados pela mamona. "A planta é viscosa e faz com que o funcionamento do motor fique abaixo do desejável", explica Lopes. Além da emissão de gases poluentes ser inferior na atmosfera (menos de 60%), o trabalho analisou itens como velocidade, potência, rotação de motor e tração do trator. A pesquisa das duas universidades colaboram com a implantação do Programa Nacional de Biodiesel. A proposta federal prevê a adição crescente de óleos de origem vegetal ao diesel, até chegar à proporção de 5% em 2012.
Tel. (16) 3209-2637, ramal 218.

 

País poderá importar biodiesel

 

13/08/05- Ferraz Jr.-O Brasil pode importar biodiesel de parceiros latino-americanos para garantir a oferta de 800 milhões de litros do combustível em 2008, quando passa a vigorar a obrigatoriedade da mistura de 2% do produto no diesel. A análise é do professor Miguel Dabdoub, presidente da Câmara Estadual de Biodiesel e coordenador do Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto. Ele é criador do programa BiodieselBrasil.
A produção anual brasileira de biodiesel, segundo Dabdoub, é de 40 milhões de litros e seriam necessários investimentos para construção de 10 grandes ou de 20 pequenas e médias unidades produtores. Existem autorizações da ANP (Agência Nacional de Petróleo), que regula o setor, para funcionamento de apenas quatro unidades.


Prazo - Segundo o professor, um ano é o prazo suficiente para instalação da unidade industrial de processamento do biodiesel e seriam precisos outros dois anos para implantação de cultivo agrícola voltada para a produção do biocombustível.


“É preciso que esses investimentos sejam realizados no segundo semestre para que haja tempo hábil do Brasil atender à demanda obrigatória a partir de janeiro de 2008 de forma auto-suficiente”. De acordo com a Lei 11.097, sancionada em janeiro desse ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mistura do biodiesel ao diesel é facultativa até janeiro de 2008, quando passará a ser obrigatória em 2%, o que vai gerar a necessidade de se ofertar ao mercado 800 milhões de litros do biocombustível.


Em 2013, o percentual será de 5%, o que gerará uma demanda de 2 bilhões de litros de biodiesel. Apesar da lei, que prevê prazo suficiente para que o setor produtivo nacional faça os investimentos adequados para atender à demanda futura, a engenharia tributária prevista na legislação inibe os investimentos, na opinião do especialista.


Segundo Dabdoub, o marco tributário e o marco tarifário ainda travam o deslanche desse grande programa.
Incentivos - Em primeiro lugar porque a lei cria incentivos maiores para produção do biodiesel através da agricultura familiar e que favorecem prioritariamente os produtores da região Norte e Nordeste.


Estes terão isenção de 100% sobre o PIS e Cofins e ainda assim, se plantarem apenas a palma (dendê) e ou a mamona. Se a produção proveniente da agricultura familiar do Norte e Nordeste for com outras oleaginosas, como girassol ou amendoim, a redução de impostos será apenas de 68%. E se o cultivo for feito por grandes produtores, os tradicionais ou comerciais conforme especifica a lei, a redução é de apenas 32%. “Isso quer dizer que o resto das regiões brasileiras e as outras oleaginosas, como soja e amendoim, não têm incentivo fiscal nenhum, ou seja, pagarão o mesmo imposto que o diesel paga, equivalente a R$ 218 para cada metro cúbico”.


A expectativa dos pesquisadores é discutir esses fatores para provocar a desoneração fiscal que incentive a produção. “Caso contrário que seja delineada a compra obrigatória por parte das distribuidoras com uma política de preço adequada, como foi feita com o álcool em sua primeira fase há 30 anos atrás.”


Para ele, essas distorções inibem os investimentos.


Se a alterações no marco tributário da lei não for feita a tempo, o professor não descarta a necessidade do Brasil importar biodiesel. “Países como Peru, Paraguai e Colômbia, por exemplo, têm sido mais ágeis que o Brasil tanto na definição das regras para utilização do biodiesel quanto mercadologicamente, na produção do biocombustível”. Ele conclui lembrando que a lei prevê a possibilidade de importação do produto.

 

 

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