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OPNIÃO: O fim da
era do carbono? 1 |
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Na história
da humanidade, raras vezes o início da vigência de uma lei gerou tanta
expectativa e esperança de um mundo melhor, quanto a aprovação do Protocolo
de Kyoto.
Para se transformar em lei internacional, o protocolo, uma resolução da ONU,
precisou preencher duas condições: primeiro, ser aprovado por pelo menos 55
países industrializados e, segundo, que estes países respondam por no mínimo
55% das emissões de gases causadores do efeito estufa. A aprovação pela
Rússia permitiu que se cumprisse esta segunda condição, atingindo o nível de
61%.
Com a entrada em vigor do protocolo, a partir do início de 2005, países
industrializados passam a ficar obrigados a reduzir, até 2012, as emissões
de gases para ficar 5% abaixo do nível registrado em 1990. Para alcançar
esta meta, não basta tomar medidas que economizem energia. É necessário
substituir combustíveis fósseis por renováveis, ou seja, implica uma radical
transformação.
É exatamente o que pretende o Protocolo de Kyoto: mudar radicalmente a
matriz energética mundial. Isto suscita duas questões.
A primeira: a implantação do protocolo pode significar o início do fim da
era do carbono? É difícil responder afirmativamente a esta questão, pois 80%
dos recursos energéticos hoje vitais para a sobrevivência humana (petróleo,
carvão e gás) ainda são de origem fóssil, não-renovável. Poluem, concentram
riquezas, geram problemas econômicos, sociais, políticos e ambientais. Além
disso, a redução de 5 % prevista no protocolo é considerada insuficiente e
apenas o início de um processo, o qual deve intensificar-se depois de 2012.
De toda forma, a implantação do protocolo vai obrigar à adoção de uma maior
racionalidade e acelerar a transição da atual economia exclusivamente
dependente de combustíveis fósseis, para uma em que o petróleo, cada vez
mais caro e escasso, tenha destino mais nobre, como é o caso da petroquímica,
deixando que fontes de biomassa, renováveis, gerem a energia que move
veículos, que dá mobilidade.
A segunda questão: qual a importância do Protocolo de Kyoto para o Brasil?
Somos reconhecidos por produzir energia limpa. Hoje, 42% da composição de
nossa matriz energética vêm de fontes renováveis, sendo 14,5% de
hidrelétricas e 13,5% advindos da biomassa da cana.
Além da frota de carros a álcool hidratado e dos veículos flex-fuel, ao usar
o álcool anidro como aditivo, evitamos as emissões da queima de 25% da
gasolina substituída.
Cada litro de álcool consumido nos automóveis retira perto de 0,19 kg de
dióxido de carbono da atmosfera. Uma enorme contribuição, pois todos os anos
são substituídos 13 bilhões de litros de gasolina por etanol.
Além disso, somos um dos poucos países no mundo que apresentam as condições
necessárias para uma vigorosa ampliação da produção de energia advinda da
biomassa: temos disponibilidade de terras, clima (sol o ano todo), água e
mão-de-obra.
Os Estados Unidos têm terras. Aliás, acabam de anunciar que, até 2020, 35
milhões de hectares das chamadas reservas estratégicas (áreas onde o governo
paga para que os agricultores não produzam) serão progressivamente liberados
para produção de biomassa. Essa liberação está acoplada à previsão de
aumento, em cerca de 25 milhões de toneladas, na produção de álcool ou de
outros biocombustíveis. Quais as dificuldades dos Estados Unidos para
cumprir esta meta? Uma delas é escassez de água. O maior aqüífero daquele
país, o Ogallala, já está mostrando sinais de depleção.
O mesmo ocorre na Índia e na China, cujos aqüíferos também já dão sinais de
esgotamento. Por isso, temos absoluta consciência do papel e da oportunidade
de o Brasil oferecer uma excepcional contribuição para compor uma nova
matriz energética mundial.
Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, passam a funcionar mecanismos
para ajudar a cumprir as metas de redução de CO2, metano e outros gases
causadores do efeito estufa. Um deles é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL), que pode beneficiar países em desenvolvimento. Projetos realizados
nesses países, como plantar árvores em áreas degradadas (que enquanto
crescem retiram carbono da atmosfera) ou de substituição de energias
poluidoras por energias limpas, poderão dar origem a certificados que serão
comprados por países industrializados.
Infelizmente, o Brasil está imensamente atrasado: o Ministério de Ciência e
Tecnologia inexplicavelmente tem-se recusado a aprovar projetos que poderiam
vir a ser enquadrados no MDL, e por outro lado ainda não legislamos sobre os
procedimentos para comercialização em bolsa dos certificados que venham a
ser emitidos. Tais omissões podem implicar a perda de uma significativa
receita, pois se estima que retirar uma tonelada de carbono da atmosfera
venha a valer US$ 10, o que projeta um mercado de bilhões de dólares.
Antonio Carlos de Mendes Thame é deputado federal pelo PSDB-SP.
Fonte: Jornal de Piracicaba
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OPNIÃO:
O início do fim da era do carbono? 2 |
Na
primeira parte deste artigo, enfatizamos a preocupação com os efeitos
danosos da queima de combustíveis fosseis para a atmosfera e,
conseqüentemente para a vida em nosso planeta. A ênfase, agora, é para a
possibilidade e conveniência de o Brasil se projetar mundialmente na
produção de combustíveis renováveis, o que não se consegue com medidas
pontuais. Há necessidade de uma política pública definida, que oriente os
agentes econômicos e induza procedimentos para antecipar resultados. Esta
política pública precisa dar preços às atividades ambientalmente corretas,
imputar custos às atividades poluidoras e reestruturar o sistema fiscal.
Oystein Dahie, ex-vice-presidente da Exxon para a Noruega e Mar do Norte,
afirmou que "o socialismo só desmoronou porque não conseguiu que os preços
revelassem a verdade econômica. O capitalismo poderá desmoronar, se não
permitir que os preços revelem a verdade ecológica".
Na prática, revelar a "verdade ecológica" quer dizer: identificar e
incorporar aos preços de mercado, na forma de tributos, os custos
indiretos associados aos produtos ou atividades poluidoras; ao mesmo
tempo, atividades e produtos benéficos ao ambiente devem receber isenções
ou até mesmo subsídios. Esta reforma do sistema fiscal, que é chave para a
reestruturação da economia, não precisa obrigatoriamente alterar o nível
de arrecadação total de impostos, mas mudar sua composição, para induzir
procedimentos desejados e inibir os indesejáveis.
O caso do álcool combustível é um exemplo didático e elucidativo. Quando o
Proálcool foi implantado, na década de 70, era necessário um brutal
subsídio aos produtores, para compensar o custo de produção muito mais
alto que o da gasolina, a fim de que o preço final ao consumidor do álcool
ficasse 25% mais barato e compensasse um rendimento menor dos motores.
Implantado o Proálcool, maciços investimentos contínuos em pesquisa
permitiram um impressionante desenvolvimento tecnológico e gerencial,
tanto no campo como na área industrial, e hoje, 30 anos depois, o Brasil
consegue, sem nenhum subsídio ou incentivo, produzir um litro de álcool
por praticamente 40% menos que o custo de um litro de gasolina. É o
clássico caso de "curva de aprendizado", a qual permitiu que o custo de
produção de 1m3 de álcool caísse de US$600 no início da década de 80 para
US$180 nos dias de hoje.
Nestes dois últimos anos, o governo federal vem anunciando a implantação
de um programa de biodiesel.
Acena, para o biodiesel, com um caminho diferente daquele percorrido pelo
Proálcool. Em lugar de algum tipo de incentivo tributário, o Executivo
apenas encaminhou ao Congresso uma Medida Provisória, recentemente
aprovada, definindo um suave cronograma com as datas em que devem começar
a vigorar percentagens obrigatórias de sua mistura ao diesel mineral.É
fato que para implantar mais rapidamente o programa de biodiesel, o
governo não pode abrir mão também de medidas na área tributária. Não
necessariamente subsídios, mas certamente menor incidência de tributos
sobre os biocombustíveis, desoneração que se justifica plenamente, porque
gera diversas externalidades, altamente positivas para o País.
Quando uma política propicia ao menos uma externalidade positiva, já é
motivo para abraçá-la e tudo fazer para que seja implantada. Pois bem: uma
política para biocombustíveis apresenta 6 externalidades positivas.
A primeira é macroeconômica: podemos substituir por biodiesel todo o
diesel que ainda importamos, com efeito imediato em nossa balança
comercial.
A segunda é a inclusão social. Cria-se a possibilidade de gerar centenas
de milhares de empregos, nas diversas regiões do Brasil, inclusive nas
mais pobres, ajudando a diminuir a migração rural e as desigualdades
regionais.
A terceira externalidade é ambiental. Está na esteira do Protocolo de
Kyoto, porque reduz a produção de CO2 e, portanto, contribui para diminuir
o efeito estufa.
A quarta é a co-geração de energia. A queima dos resíduos de oleaginosas,
para produzir energia elétrica, tal como já ocorre com o bagaço de cana,
pode ajudar a afastar o risco de um novo apagão.
A quinta externalidade, muitas vezes esquecida, diz respeito à saúde
pública. Ao diminuir a poluição emitida pelos escapamentos dos veículos,
notadamente nos grandes centros, o biodiesel dá uma imensa contribuição
para a saúde de nossos pulmões. Aliás, não custa lembrar que usávamos como
aditivo à gasolina o chumbo tetraetila, altamente cancerígeno, hoje
completamente substituído pelo álcool anidro.
A sexta externalidade diz respeito à segurança energética, pois se
consegue diminuir a dependência do petróleo e diversificar nossas fontes
de energia.
Para que o biodiesel se viabilize definitivamente, porém, vai precisar de
uma nova "curva do aprendizado", que incorpore conhecimento não somente
para desenvolver novas tecnologias, mas também nas áreas de logística,
transportes, infra-estrutura e abertura de novos mercados, a fim de
viabilizar o aproveitamento das oportunidades de conquista do mercado
externo de biocombustíveis e dessa forma conseguir maior escala de
produção e custo unitário menor.
Para tanto, há necessidade de vultosos investimentos em pesquisa e
desenvolvimento. Neste sentido, a instalação do Pólo de Biocombustíveis em
Piracicaba, na Esalq, desde que receba o aporte de recursos necessários, é
uma medida concreta, que abre perspectivas e horizontes promissores para
nosso Estado e para o País.
Antonio Carlos de Mendes Thame é deputado federal (PSDB/SP) e professor do
Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(licenciado).
Fonte: jornal de
Piracicaba.
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Um grão para germinar: Mais uma opção para o
nordeste |
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Região Nordeste ganha nova
variedade de amendoim de pele clara e resistente à seca
Se sairmos
por este Brasil afora perguntando quem gosta de pé-de-moleque e paçoca,
poucos, muito poucos, vão responder não. Doces feitos de amendoim ou mesmo o
grão puro e torrado ou cozido fazem parte das preferências nacionais,
principalmente na Região Nordeste, responsável pelo segundo lugar em consumo
no país com 50 mil toneladas de vagens por ano, embora só produza 13 mil
toneladas. Com tamanha popularidade e altos índices de proteína, o amendoim
deverá estar mais disponível nos campos dessa região a partir do segundo
semestre do próximo ano quando uma nova variedade de sementes desenvolvida
pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estará disponível
aos agricultores. Chamada de BRS Havana, ela foi preparada especialmente
para o semi-árido nordestino com as características de ser resistente à seca
e render boa produtividade para as condições da região. Outra vantagem
importante da nova semente é a película de cor creme que envolve os grãos, e
não vermelha como a maioria das existentes no mercado.
Películas da cor da semente são extremamente importantes para o agricultor
vender sua produção para a indústria de doces e produtos elaborados com
amendoim. "Como a película creme é da cor da semente, a indústria pode moer
diretamente os grãos para fazer pastas, doces e salgados sem se importar com
as impurezas visuais deixadas pela película vermelha", diz a agrônoma
Roseane Cavalcanti dos Santos, responsável pelo desenvolvimento das sementes
BRS Havana na Embrapa Algodão, em Campina Grande, na Paraíba. "Com a semente
parecida com a película elimina-se uma fase do processo industrial, chamada
de despeliculação."
A nova variedade, desenvolvida ao longo de quatro anos, foi planejada para
proporcionar um outro benefício aos agricultores. As novas sementes resultam
em plantas de porte médio e eretas, do jeito ideal para pequenos e médios
produtores que fazem a colheita com a mão, sem maquinário, como acontece em
grande parte das culturas da Região Sudeste, responsável por 80% da produção
nacional (cerca de 300 mil toneladas anuais), e feita, muitas vezes, em
rotação com a cana-de-açúcar.
Grandes produtores preferem as variedades que crescem rentes ao solo,
chamadas de rasteiras, porque elas favorecem a colheita mecânica. Roseane
aponta também um ganho nutricional na nova semente. "A preservação da
película garante ao consumidor uma maior dosagem de vitaminas do complexo B,
como riboflavina e tiamina. Além disso, as novas sementes contêm 27% de
proteína e baixo teor de óleo, 43%, um fator exigido pelo mercado porque
assim o produto se torna menos indigesto e com melhor consistência para o
fabrico de paçocas."
Para formar a nova semente, Roseane liderou uma equipe multidisciplinar de
pesquisadores da Embrapa Algodão, da Empresa Baiana de Desenvolvimento
Agropecuário (EBDA), da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA),
da Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Sergipe, e da Universidade Federal Rural
de Pernambuco. Eles utilizaram 250 tipos (também chamados de acessos) de
semente da mesma espécie comercial de amendoim, a Arachis hypogaea.
A principal variedade utilizada para se chegar à BRS Havana foi um tipo
denominado Película Havana, cedido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
e pouco utilizado pelos agricultores da Região Sudeste, onde também existem
outras variedades específicas com película creme. Atualmente, sementes com
esse tipo de película têm sido muito procuradas pelos produtores nacionais
de amendoim, especialmente das regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, que
preferem as variedades rasteiras, como por exemplo a IAC Caiapó.
"O problema é que as
rasteiras, além de se adaptarem melhor ao clima do Sudeste, não são
adequadas ao pequeno e médio agricultor por crescer muito rente ao solo e
ter ciclo de 120 a 140 dias, da plantação até a colheita. Os produtores do
Nordeste preferem ciclos de 90 dias e sementes bem tolerantes à seca", diz
Roseane. A BRS Havana, além de ter essas características, tem a
produtividade semelhante à variedade Tatu, plantada na região, e possui de
três a quatro sementes por vagem. "Na estação das águas (janeiro a março) no
semi-árido, a BRS Havana produz entre 1.800 e 2.500 quilos de vagem por
hectare (kg/ha), enquanto a Caiapó, que possui duas sementes em cada vagem,
tem uma produção entre 2.300 e 3.500 kg/ha, porém necessita de muito mais
água para se desenvolver, exigindo investimentos em irrigação e equipamentos
para a colheita mecanizada."
Híbrido antifungos
Os avanços científicos no cultivo do amendoim, uma das poucas espécies
comerciais da família das leguminosas a dar frutos embaixo da terra (existem
espécies de amendoim forrageiro - Arachis pintoi e A. glabrata
- que possuem essa característica), também acontecem em Brasília, na Embrapa
Recursos Genéticos e Biotecnologia. Lá, um grupo de pesquisadores,
coordenados pelo agrônomo José Francisco Valls, desenvolveu plantas híbridas
de amendoim resistentes à mancha-preta, à mancha-castanha e à ferrugem,
doenças provocadas por fungos que podem dizimar até 70% da produção.
"Os fungos atacam as folhas que depois caem, deixando a planta sem
fotossíntese. Assim, não há o crescimento dos grãos e a produtividade é
reduzida", explica a agrônoma Alessandra Pereira Fávero. "O que nós fizemos
foi levar a resistência natural contra os fungos de duas espécies selvagens
(não selecionadas pelo homem) para a espécie comercial por meio de
cruzamento." As duas espécies são a Arachis ipaënsis e a A. duranensis,
originárias da Bolívia e da Argentina. Também estão em testes os cruzamentos
de A. hypogaea com A. hoehnei (do Mato Grosso do Sul), A. cardenasii (da
Bolívia) e A. helodes (Mato Grosso), entre outras.
A primeira fase do projeto foi cruzar as duas espécies silvestres que
geraram plantas híbridas estéreis e com 20 cromossomos. O problema é que a
espécie comercial possui 40 cromossomos, impossibilitando o cruzamento. A
saída foi duplicar os cromossomos dos híbridos silvestres por um processo
químico em laboratório utilizando uma substância chamada colchicina. Com
isso, os pés de amendoim silvestres passaram a contar com 40 cromossomos e
se tornaram férteis. Assim foi possível fazer o cruzamento dos híbridos
silvestres com a espécie comercial de forma normal por polinização cruzada
das flores.
Os cruzamentos resultaram em plantas férteis com 50% do genoma da espécie
cultivada e 50% da silvestre. Em relação às sementes, as híbridas possuem um
ou dois grãos por vagem, como acontece nas espécies silvestres. As
comerciais têm até quatro grãos. "Para chegar a mais sementes numa vagem
precisamos fazer mais cruzamentos para melhorar o híbrido", avalia
Alessandra. Essa etapa de melhoramento da planta vai começar a partir do
plantio das novas sementes na Estação Experimental do IAC, na cidade de
Pindorama, em São Paulo, sob os cuidados dos pesquisadores Sérgio Almeida de
Moraes e Ignácio José de Godoy, também do IAC. O trabalho de ambos já
resultou no desenvolvimento de cinco variedades nos últimos oito anos, sendo
duas já comercializadas.
Coleção estratégica
"O plantio dos híbridos, que deve começar até o final deste ano, vai nos
mostrar também se a resistência aos fungos prevaleceu na semente híbrida",
explica Alessandra. Se comprovados os resultados em campo, o aproveitamento
genético dos amendoins selvagens pode crescer. Na sede da Embrapa Recursos
Genéticos estão reunidas sementes de 76 espécies de amendoim das 81
existentes no mundo. "Uma das cinco que faltam é da região da cidade de
Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e está extinta", diz Alessandra. No
Brasil foram encontradas 64 espécies, sendo 47 exclusivas do país.
A espécie cultivada, segundo os últimos estudos, surgiu na área entre o sul
da Bolívia e noroeste da Argentina, embora existam evidências de centros de
variação (hábitats secundários provavelmente fruto de transporte e cultivo
de humanos) na região do rio Xingu, no Mato Grosso, e no Peru. "Os índios,
que já cultivavam o amendoim quando os portugueses chegaram ao Brasil, devem
ter espalhado as sementes pelas Américas", conta Alessandra. Além do
desenvolvimento de novas variedades de amendoim, mais resistentes a doenças,
mais produtivas e adaptáveis à seca, as pesquisas realizadas na Embrapa
podem, no futuro, ajudar na repovoação de áreas desmatadas. Outra
possibilidade é oferecer genes que exerçam alguma função importante e
necessária para experimentos em transgenia, com a transferência de genes do
amendoim para outras espécies.
http://www.revistapesquisa.fapesp.br/show.php?lang=pt&id=revistas1.fapesp1..20041105.200411105..SEC7_4
Fonte: Revista Pesquisa,
FAPESP
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Ressonância magnética automatiza análise
de grãos |
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Vinculada ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a
Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos completa 20 anos de
existência. E, para marcar a data, ontem, durante as comemorações, Ladislau
Martin Neto, chefe geral da unidade, anunciou o lançamento de cinco projetos
aprovados que serão desenvolvidos em parceria com a iniciativa privada.
Durante o encontro, os participantes tiveram a oportunidade de discutir
sobre os desafios do agronegócio para o desenvolvimento nacional, com a
presença do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, e do membro do Comitê
Gestor do Fundo Setorial do Agronegócio, Alyson Paulinelli.
Após a mesa redonda, os convidados participaram da inauguração do prédio
para pré-incubados de empresas de base tecnológica da Embrapa. “Este projeto
foi desenvolvido com recursos do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento
e visa implementar parcerias dentro do Proeta (Projeto de Apoio à Criação de
Empresas de Base Tecnológica)”, ressalta Martin, lembrando que o
desenvolvimento de sensores inteligentes, irrigação de precisão, aplicação
de novos materiais, estudos da dinâmica e reatividade da matéria orgânica em
solos tropicais são alguns dos resultados de pesquisa conquistado pela
unidade.
Criada em 1984, a unidade formou uma ponte permanente entre a Embrapa, as
ciências básicas e engenharias, priorizando pesquisas interdisciplinares e
projetos em redes. Hoje conta com uma equipe de 57 funcionários, 20 são
pesquisadores com doutorado e pós-doutorado em diferentes áreas.
Orçamento
Com um orçamento em torno de R$ 1 milhão, a Embrapa Instrumentação
Agropecuária tem na captação de recursos externos a alternativa que faltava
para o sucesso das pesquisas em mandamento. Entre os parceiros já
estruturados, está a Gil empreendimentos Industriais Ltda., de Ribeirão
Preto, que implementará o programa de análise de sementes e grãos através de
ressonância magnética.
“Só em 2004, o Centro conseguiu mais de R$ 2 milhões com a aprovação de
projetos de pesquisas”. Martin explica que este projeto avaliado em R$ 300
mil prevê medidas e avaliação da qualidade de produtos agroindustriais via
rede de computadores.
Chamada de estado estacionário, esta metodologia, segundo ele, permite a
aquisição de milhares de dados por segundos contra apenas uma análise pelos
métodos convencionais.
Aeromodelo revoluciona monitoramento
Desenvolvido na Embrapa Instrumentação Agropecuária em parceria com o
Laboratório de Computação de Alto Desempenho do Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação da USP São Carlos a aeronave não tripulável está
revolucionando o sistema de monitoramento agrícola, principalmente em
grandes extensões territoriais. Acompanhado de perto pelo engenheiro
elétrico e pesquisador da Embrapa, Lucio André de Castro Jorge, o projeto
piloto está em fase de testes por três segmentos diferentes: madeira, grãos
e cana.
Em desenvolvimento desde 1998, o projeto já absorveu cerca de R$ 1,5 milhão
em recursos e os pesquisadores anunciam para 2005 a chegada de uma versão
autônoma, que dispensa o piloto. Hoje o sistema é composto de uma aeronave,
duas câmaras, sendo uma para direcionar o piloto e outra para registrar as
imagens e um computador. O sistema pode ser monitorado por até 10
quilômetros de distância. E o aeromodelo tem autonomia para sete horas de
vôo, com sete litros de gasolina. Um software de processamento das imagens
faz a análise automática de pragas, deficiência hídrica, zoneamento de
sítios homogêneos, conservação de solo, entre outros.
“Com este sistema o produtor tem condições de saber exatamente qual é e onde
está o foco do problema que atinge sua plantação e poderá tomar decisões
direcionadas para sanar a questão. Outro benefício é que este sistema é bem
mais barato do que o monitoramento por satélite e pode ser feito a cada três
dias, ou de acordo com a necessidade do produtor”. Jorge explica que depois
de fotografada a área em questão, as imagens são analisadas pelos técnicos
da Embrapa que geram um mapa de deficiência. “Munido destas informações, o
trabalho de combate a pragas e doenças é feito de maneira eficaz e direta.
Com isto registramos uma sensível redução nos custos de manejo e consumo de
insumos”.
Jorge observa que a unidade não visa a construção em escala industrial, mas
o equipamento estará à disposição no mercado em sistema de locação, ao custo
aproximado de R$ 1,00 por hectare monitorado.
Tecnologia deverá estar disponível em dois anos
O pesquisador Luiz Alberto Colnago, responsável pela pesquisa estima que em
dois anos a tecnologia esteja disponível no mercado. As análises são feitas
num espectrômetro de ressonância magnética avaliado em US$ 500 mil, único em
instituição de pesquisa agrícola do País. “A tecnologia permite a análise
sem destruir a semente e poderá agilizar programas de melhoramento genético
e biodiesel”.
Clayton Campanhola presidente da Embrapa ressalta que os pesquisadores
precisam estar à frente da demanda, detectando as necessidades e criando
mecanismos que visam a redução de custos, desenvolvimento sustentável do
agronegócio.
“Neste sentido as pesquisas colocam à disposição do produtor, uma série de
ferramentas com que pode agregar maior valor aos produtos. Ele ressalta que
a biotecnologia e a nanotecnologia já renderam excelentes frutos e a Embrapa
domina a tecnologia já presente em vários equipamentos desenvolvidos na
unidade de São Carlos”.
Fonte: Jornal A
Cidade, Rose Rubini
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Para maiores informações, visite o Portal
Biodiesel Brasil,
www.biodieselbrasil.com.br/tindex.htm
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