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OPNIÃO: O fim da era do carbono? 1

 

Na história da humanidade, raras vezes o início da vigência de uma lei gerou tanta expectativa e esperança de um mundo melhor, quanto a aprovação do Protocolo de Kyoto.
Para se transformar em lei internacional, o protocolo, uma resolução da ONU, precisou preencher duas condições: primeiro, ser aprovado por pelo menos 55 países industrializados e, segundo, que estes países respondam por no mínimo 55% das emissões de gases causadores do efeito estufa. A aprovação pela Rússia permitiu que se cumprisse esta segunda condição, atingindo o nível de 61%.
Com a entrada em vigor do protocolo, a partir do início de 2005, países industrializados passam a ficar obrigados a reduzir, até 2012, as emissões de gases para ficar 5% abaixo do nível registrado em 1990. Para alcançar esta meta, não basta tomar medidas que economizem energia. É necessário substituir combustíveis fósseis por renováveis, ou seja, implica uma radical transformação.
É exatamente o que pretende o Protocolo de Kyoto: mudar radicalmente a matriz energética mundial. Isto suscita duas questões.
A primeira: a implantação do protocolo pode significar o início do fim da era do carbono? É difícil responder afirmativamente a esta questão, pois 80% dos recursos energéticos hoje vitais para a sobrevivência humana (petróleo, carvão e gás) ainda são de origem fóssil, não-renovável. Poluem, concentram riquezas, geram problemas econômicos, sociais, políticos e ambientais. Além disso, a redução de 5 % prevista no protocolo é considerada insuficiente e apenas o início de um processo, o qual deve intensificar-se depois de 2012.
De toda forma, a implantação do protocolo vai obrigar à adoção de uma maior racionalidade e acelerar a transição da atual economia exclusivamente dependente de combustíveis fósseis, para uma em que o petróleo, cada vez mais caro e escasso, tenha destino mais nobre, como é o caso da petroquímica, deixando que fontes de biomassa, renováveis, gerem a energia que move veículos, que dá mobilidade.
A segunda questão: qual a importância do Protocolo de Kyoto para o Brasil? Somos reconhecidos por produzir energia limpa. Hoje, 42% da composição de nossa matriz energética vêm de fontes renováveis, sendo 14,5% de hidrelétricas e 13,5% advindos da biomassa da cana.
Além da frota de carros a álcool hidratado e dos veículos flex-fuel, ao usar o álcool anidro como aditivo, evitamos as emissões da queima de 25% da gasolina substituída.
Cada litro de álcool consumido nos automóveis retira perto de 0,19 kg de dióxido de carbono da atmosfera. Uma enorme contribuição, pois todos os anos são substituídos 13 bilhões de litros de gasolina por etanol.
Além disso, somos um dos poucos países no mundo que apresentam as condições necessárias para uma vigorosa ampliação da produção de energia advinda da biomassa: temos disponibilidade de terras, clima (sol o ano todo), água e mão-de-obra.
Os Estados Unidos têm terras. Aliás, acabam de anunciar que, até 2020, 35 milhões de hectares das chamadas reservas estratégicas (áreas onde o governo paga para que os agricultores não produzam) serão progressivamente liberados para produção de biomassa. Essa liberação está acoplada à previsão de aumento, em cerca de 25 milhões de toneladas, na produção de álcool ou de outros biocombustíveis. Quais as dificuldades dos Estados Unidos para cumprir esta meta? Uma delas é escassez de água. O maior aqüífero daquele país, o Ogallala, já está mostrando sinais de depleção.
O mesmo ocorre na Índia e na China, cujos aqüíferos também já dão sinais de esgotamento. Por isso, temos absoluta consciência do papel e da oportunidade de o Brasil oferecer uma excepcional contribuição para compor uma nova matriz energética mundial.
Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, passam a funcionar mecanismos para ajudar a cumprir as metas de redução de CO2, metano e outros gases causadores do efeito estufa. Um deles é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que pode beneficiar países em desenvolvimento. Projetos realizados nesses países, como plantar árvores em áreas degradadas (que enquanto crescem retiram carbono da atmosfera) ou de substituição de energias poluidoras por energias limpas, poderão dar origem a certificados que serão comprados por países industrializados.
Infelizmente, o Brasil está imensamente atrasado: o Ministério de Ciência e Tecnologia inexplicavelmente tem-se recusado a aprovar projetos que poderiam vir a ser enquadrados no MDL, e por outro lado ainda não legislamos sobre os procedimentos para comercialização em bolsa dos certificados que venham a ser emitidos. Tais omissões podem implicar a perda de uma significativa receita, pois se estima que retirar uma tonelada de carbono da atmosfera venha a valer US$ 10, o que projeta um mercado de bilhões de dólares.
Antonio Carlos de Mendes Thame é deputado federal pelo PSDB-SP.

Fonte: Jornal de Piracicaba

 

OPNIÃO:  O início do fim da era do carbono? 2

 

Na primeira parte deste artigo, enfatizamos a preocupação com os efeitos danosos da queima de combustíveis fosseis para a atmosfera e, conseqüentemente para a vida em nosso planeta. A ênfase, agora, é para a possibilidade e conveniência de o Brasil se projetar mundialmente na produção de combustíveis renováveis, o que não se consegue com medidas pontuais. Há necessidade de uma política pública definida, que oriente os agentes econômicos e induza procedimentos para antecipar resultados. Esta política pública precisa dar preços às atividades ambientalmente corretas, imputar custos às atividades poluidoras e reestruturar o sistema fiscal.
Oystein Dahie, ex-vice-presidente da Exxon para a Noruega e Mar do Norte, afirmou que "o socialismo só desmoronou porque não conseguiu que os preços revelassem a verdade econômica. O capitalismo poderá desmoronar, se não permitir que os preços revelem a verdade ecológica".
Na prática, revelar a "verdade ecológica" quer dizer: identificar e incorporar aos preços de mercado, na forma de tributos, os custos indiretos associados aos produtos ou atividades poluidoras; ao mesmo tempo, atividades e produtos benéficos ao ambiente devem receber isenções ou até mesmo subsídios. Esta reforma do sistema fiscal, que é chave para a reestruturação da economia, não precisa obrigatoriamente alterar o nível de arrecadação total de impostos, mas mudar sua composição, para induzir procedimentos desejados e inibir os indesejáveis.
O caso do álcool combustível é um exemplo didático e elucidativo. Quando o Proálcool foi implantado, na década de 70, era necessário um brutal subsídio aos produtores, para compensar o custo de produção muito mais alto que o da gasolina, a fim de que o preço final ao consumidor do álcool ficasse 25% mais barato e compensasse um rendimento menor dos motores.
Implantado o Proálcool, maciços investimentos contínuos em pesquisa permitiram um impressionante desenvolvimento tecnológico e gerencial, tanto no campo como na área industrial, e hoje, 30 anos depois, o Brasil consegue, sem nenhum subsídio ou incentivo, produzir um litro de álcool por praticamente 40% menos que o custo de um litro de gasolina. É o clássico caso de "curva de aprendizado", a qual permitiu que o custo de produção de 1m3 de álcool caísse de US$600 no início da década de 80 para US$180 nos dias de hoje.
Nestes dois últimos anos, o governo federal vem anunciando a implantação de um programa de biodiesel.
Acena, para o biodiesel, com um caminho diferente daquele percorrido pelo Proálcool. Em lugar de algum tipo de incentivo tributário, o Executivo apenas encaminhou ao Congresso uma Medida Provisória, recentemente aprovada, definindo um suave cronograma com as datas em que devem começar a vigorar percentagens obrigatórias de sua mistura ao diesel mineral.É fato que para implantar mais rapidamente o programa de biodiesel, o governo não pode abrir mão também de medidas na área tributária. Não necessariamente subsídios, mas certamente menor incidência de tributos sobre os biocombustíveis, desoneração que se justifica plenamente, porque gera diversas externalidades, altamente positivas para o País.
Quando uma política propicia ao menos uma externalidade positiva, já é motivo para abraçá-la e tudo fazer para que seja implantada. Pois bem: uma política para biocombustíveis apresenta 6 externalidades positivas.
A primeira é macroeconômica: podemos substituir por biodiesel todo o diesel que ainda importamos, com efeito imediato em nossa balança comercial.
A segunda é a inclusão social. Cria-se a possibilidade de gerar centenas de milhares de empregos, nas diversas regiões do Brasil, inclusive nas mais pobres, ajudando a diminuir a migração rural e as desigualdades regionais.
A terceira externalidade é ambiental. Está na esteira do Protocolo de Kyoto, porque reduz a produção de CO2 e, portanto, contribui para diminuir o efeito estufa.
A quarta é a co-geração de energia. A queima dos resíduos de oleaginosas, para produzir energia elétrica, tal como já ocorre com o bagaço de cana, pode ajudar a afastar o risco de um novo apagão.
A quinta externalidade, muitas vezes esquecida, diz respeito à saúde pública. Ao diminuir a poluição emitida pelos escapamentos dos veículos, notadamente nos grandes centros, o biodiesel dá uma imensa contribuição para a saúde de nossos pulmões. Aliás, não custa lembrar que usávamos como aditivo à gasolina o chumbo tetraetila, altamente cancerígeno, hoje completamente substituído pelo álcool anidro.
A sexta externalidade diz respeito à segurança energética, pois se consegue diminuir a dependência do petróleo e diversificar nossas fontes de energia.
Para que o biodiesel se viabilize definitivamente, porém, vai precisar de uma nova "curva do aprendizado", que incorpore conhecimento não somente para desenvolver novas tecnologias, mas também nas áreas de logística, transportes, infra-estrutura e abertura de novos mercados, a fim de viabilizar o aproveitamento das oportunidades de conquista do mercado externo de biocombustíveis e dessa forma conseguir maior escala de produção e custo unitário menor.
Para tanto, há necessidade de vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Neste sentido, a instalação do Pólo de Biocombustíveis em Piracicaba, na Esalq, desde que receba o aporte de recursos necessários, é uma medida concreta, que abre perspectivas e horizontes promissores para nosso Estado e para o País.
Antonio Carlos de Mendes Thame é deputado federal (PSDB/SP) e professor do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (licenciado).

Fonte: jornal de Piracicaba.

 

Um grão para germinar: Mais uma opção para o nordeste

 

Região Nordeste ganha nova variedade de amendoim de pele clara e resistente à seca

 Se sairmos por este Brasil afora perguntando quem gosta de pé-de-moleque e paçoca, poucos, muito poucos, vão responder não. Doces feitos de amendoim ou mesmo o grão puro e torrado ou cozido fazem parte das preferências nacionais, principalmente na Região Nordeste, responsável pelo segundo lugar em consumo no país com 50 mil toneladas de vagens por ano, embora só produza 13 mil toneladas. Com tamanha popularidade e altos índices de proteína, o amendoim deverá estar mais disponível nos campos dessa região a partir do segundo semestre do próximo ano quando uma nova variedade de sementes desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estará disponível aos agricultores. Chamada de BRS Havana, ela foi preparada especialmente para o semi-árido nordestino com as características de ser resistente à seca e render boa produtividade para as condições da região. Outra vantagem importante da nova semente é a película de cor creme que envolve os grãos, e não vermelha como a maioria das existentes no mercado.

Películas da cor da semente são extremamente importantes para o agricultor vender sua produção para a indústria de doces e produtos elaborados com amendoim. "Como a película creme é da cor da semente, a indústria pode moer diretamente os grãos para fazer pastas, doces e salgados sem se importar com as impurezas visuais deixadas pela película vermelha", diz a agrônoma Roseane Cavalcanti dos Santos, responsável pelo desenvolvimento das sementes BRS Havana na Embrapa Algodão, em Campina Grande, na Paraíba. "Com a semente parecida com a película elimina-se uma fase do processo industrial, chamada de despeliculação."

A nova variedade, desenvolvida ao longo de quatro anos, foi planejada para proporcionar um outro benefício aos agricultores. As novas sementes resultam em plantas de porte médio e eretas, do jeito ideal para pequenos e médios produtores que fazem a colheita com a mão, sem maquinário, como acontece em grande parte das culturas da Região Sudeste, responsável por 80% da produção nacional (cerca de 300 mil toneladas anuais), e feita, muitas vezes, em rotação com a cana-de-açúcar.

Grandes produtores preferem as variedades que crescem rentes ao solo, chamadas de rasteiras, porque elas favorecem a colheita mecânica. Roseane aponta também um ganho nutricional na nova semente. "A preservação da película garante ao consumidor uma maior dosagem de vitaminas do complexo B, como riboflavina e tiamina. Além disso, as novas sementes contêm 27% de proteína e baixo teor de óleo, 43%, um fator exigido pelo mercado porque assim o produto se torna menos indigesto e com melhor consistência para o fabrico de paçocas."

Para formar a nova semente, Roseane liderou uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Embrapa Algodão, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA), da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), da Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Sergipe, e da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Eles utilizaram 250 tipos (também chamados de acessos) de semente da mesma espécie comercial de amendoim, a Arachis hypogaea.

A principal variedade utilizada para se chegar à BRS Havana foi um tipo denominado Película Havana, cedido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pouco utilizado pelos agricultores da Região Sudeste, onde também existem outras variedades específicas com película creme. Atualmente, sementes com esse tipo de película têm sido muito procuradas pelos produtores nacionais de amendoim, especialmente das regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, que preferem as variedades rasteiras, como por exemplo a IAC Caiapó.
 

"O problema é que as rasteiras, além de se adaptarem melhor ao clima do Sudeste, não são adequadas ao pequeno e médio agricultor por crescer muito rente ao solo e ter ciclo de 120 a 140 dias, da plantação até a colheita. Os produtores do Nordeste preferem ciclos de 90 dias e sementes bem tolerantes à seca", diz Roseane. A BRS Havana, além de ter essas características, tem a produtividade semelhante à variedade Tatu, plantada na região, e possui de três a quatro sementes por vagem. "Na estação das águas (janeiro a março) no semi-árido, a BRS Havana produz entre 1.800 e 2.500 quilos de vagem por hectare (kg/ha), enquanto a Caiapó, que possui duas sementes em cada vagem, tem uma produção entre 2.300 e 3.500 kg/ha, porém necessita de muito mais água para se desenvolver, exigindo investimentos em irrigação e equipamentos para a colheita mecanizada." 

Híbrido antifungos

Os avanços científicos no cultivo do amendoim, uma das poucas espécies comerciais da família das leguminosas a dar frutos embaixo da terra (existem espécies de amendoim forrageiro - Arachis pintoi e A. glabrata - que possuem essa característica), também acontecem em Brasília, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Lá, um grupo de pesquisadores, coordenados pelo agrônomo José Francisco Valls, desenvolveu plantas híbridas de amendoim resistentes à mancha-preta, à mancha-castanha e à ferrugem, doenças provocadas por fungos que podem dizimar até 70% da produção.

"Os fungos atacam as folhas que depois caem, deixando a planta sem fotossíntese. Assim, não há o crescimento dos grãos e a produtividade é reduzida", explica a agrônoma Alessandra Pereira Fávero. "O que nós fizemos foi levar a resistência natural contra os fungos de duas espécies selvagens (não selecionadas pelo homem) para a espécie comercial por meio de cruzamento." As duas espécies são a Arachis ipaënsis e a A. duranensis, originárias da Bolívia e da Argentina. Também estão em testes os cruzamentos de A. hypogaea com A. hoehnei (do Mato Grosso do Sul), A. cardenasii (da Bolívia) e A. helodes (Mato Grosso), entre outras.

A primeira fase do projeto foi cruzar as duas espécies silvestres que geraram plantas híbridas estéreis e com 20 cromossomos. O problema é que a espécie comercial possui 40 cromossomos, impossibilitando o cruzamento. A saída foi duplicar os cromossomos dos híbridos silvestres por um processo químico em laboratório utilizando uma substância chamada colchicina. Com isso, os pés de amendoim silvestres passaram a contar com 40 cromossomos e se tornaram férteis. Assim foi possível fazer o cruzamento dos híbridos silvestres com a espécie comercial de forma normal por polinização cruzada das flores.

Os cruzamentos resultaram em plantas férteis com 50% do genoma da espécie cultivada e 50% da silvestre. Em relação às sementes, as híbridas possuem um ou dois grãos por vagem, como acontece nas espécies silvestres. As comerciais têm até quatro grãos. "Para chegar a mais sementes numa vagem precisamos fazer mais cruzamentos para melhorar o híbrido", avalia Alessandra. Essa etapa de melhoramento da planta vai começar a partir do plantio das novas sementes na Estação Experimental do IAC, na cidade de Pindorama, em São Paulo, sob os cuidados dos pesquisadores Sérgio Almeida de Moraes e Ignácio José de Godoy, também do IAC. O trabalho de ambos já resultou no desenvolvimento de cinco variedades nos últimos oito anos, sendo duas já comercializadas.

Coleção estratégica

"O plantio dos híbridos, que deve começar até o final deste ano, vai nos mostrar também se a resistência aos fungos prevaleceu na semente híbrida", explica Alessandra. Se comprovados os resultados em campo, o aproveitamento genético dos amendoins selvagens pode crescer. Na sede da Embrapa Recursos Genéticos estão reunidas sementes de 76 espécies de amendoim das 81 existentes no mundo. "Uma das cinco que faltam é da região da cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e está extinta", diz Alessandra. No Brasil foram encontradas 64 espécies, sendo 47 exclusivas do país.

A espécie cultivada, segundo os últimos estudos, surgiu na área entre o sul da Bolívia e noroeste da Argentina, embora existam evidências de centros de variação (hábitats secundários provavelmente fruto de transporte e cultivo de humanos) na região do rio Xingu, no Mato Grosso, e no Peru. "Os índios, que já cultivavam o amendoim quando os portugueses chegaram ao Brasil, devem ter espalhado as sementes pelas Américas", conta Alessandra. Além do desenvolvimento de novas variedades de amendoim, mais resistentes a doenças, mais produtivas e adaptáveis à seca, as pesquisas realizadas na Embrapa podem, no futuro, ajudar na repovoação de áreas desmatadas. Outra possibilidade é oferecer genes que exerçam alguma função importante e necessária para experimentos em transgenia, com a transferência de genes do amendoim para outras espécies.

http://www.revistapesquisa.fapesp.br/show.php?lang=pt&id=revistas1.fapesp1..20041105.200411105..SEC7_4

Fonte: Revista Pesquisa, FAPESP

 

Ressonância magnética automatiza análise de grãos



Vinculada ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos completa 20 anos de existência. E, para marcar a data, ontem, durante as comemorações, Ladislau Martin Neto, chefe geral da unidade, anunciou o lançamento de cinco projetos aprovados que serão desenvolvidos em parceria com a iniciativa privada.
Durante o encontro, os participantes tiveram a oportunidade de discutir sobre os desafios do agronegócio para o desenvolvimento nacional, com a presença do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, e do membro do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Agronegócio, Alyson Paulinelli.
Após a mesa redonda, os convidados participaram da inauguração do prédio para pré-incubados de empresas de base tecnológica da Embrapa. “Este projeto foi desenvolvido com recursos do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento e visa implementar parcerias dentro do Proeta (Projeto de Apoio à Criação de Empresas de Base Tecnológica)”, ressalta Martin, lembrando que o desenvolvimento de sensores inteligentes, irrigação de precisão, aplicação de novos materiais, estudos da dinâmica e reatividade da matéria orgânica em solos tropicais são alguns dos resultados de pesquisa conquistado pela unidade.
Criada em 1984, a unidade formou uma ponte permanente entre a Embrapa, as ciências básicas e engenharias, priorizando pesquisas interdisciplinares e projetos em redes. Hoje conta com uma equipe de 57 funcionários, 20 são pesquisadores com doutorado e pós-doutorado em diferentes áreas.
Orçamento
Com um orçamento em torno de R$ 1 milhão, a Embrapa Instrumentação Agropecuária tem na captação de recursos externos a alternativa que faltava para o sucesso das pesquisas em mandamento. Entre os parceiros já estruturados, está a Gil empreendimentos Industriais Ltda., de Ribeirão Preto, que implementará o programa de análise de sementes e grãos através de ressonância magnética.
“Só em 2004, o Centro conseguiu mais de R$ 2 milhões com a aprovação de projetos de pesquisas”. Martin explica que este projeto avaliado em R$ 300 mil prevê medidas e avaliação da qualidade de produtos agroindustriais via rede de computadores.
Chamada de estado estacionário, esta metodologia, segundo ele, permite a aquisição de milhares de dados por segundos contra apenas uma análise pelos métodos convencionais.

Aeromodelo revoluciona monitoramento
Desenvolvido na Embrapa Instrumentação Agropecuária em parceria com o Laboratório de Computação de Alto Desempenho do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos a aeronave não tripulável está revolucionando o sistema de monitoramento agrícola, principalmente em grandes extensões territoriais. Acompanhado de perto pelo engenheiro elétrico e pesquisador da Embrapa, Lucio André de Castro Jorge, o projeto piloto está em fase de testes por três segmentos diferentes: madeira, grãos e cana.
Em desenvolvimento desde 1998, o projeto já absorveu cerca de R$ 1,5 milhão em recursos e os pesquisadores anunciam para 2005 a chegada de uma versão autônoma, que dispensa o piloto. Hoje o sistema é composto de uma aeronave, duas câmaras, sendo uma para direcionar o piloto e outra para registrar as imagens e um computador. O sistema pode ser monitorado por até 10 quilômetros de distância. E o aeromodelo tem autonomia para sete horas de vôo, com sete litros de gasolina. Um software de processamento das imagens faz a análise automática de pragas, deficiência hídrica, zoneamento de sítios homogêneos, conservação de solo, entre outros.
“Com este sistema o produtor tem condições de saber exatamente qual é e onde está o foco do problema que atinge sua plantação e poderá tomar decisões direcionadas para sanar a questão. Outro benefício é que este sistema é bem mais barato do que o monitoramento por satélite e pode ser feito a cada três dias, ou de acordo com a necessidade do produtor”. Jorge explica que depois de fotografada a área em questão, as imagens são analisadas pelos técnicos da Embrapa que geram um mapa de deficiência. “Munido destas informações, o trabalho de combate a pragas e doenças é feito de maneira eficaz e direta. Com isto registramos uma sensível redução nos custos de manejo e consumo de insumos”.
Jorge observa que a unidade não visa a construção em escala industrial, mas o equipamento estará à disposição no mercado em sistema de locação, ao custo aproximado de R$ 1,00 por hectare monitorado.

Tecnologia deverá estar disponível em dois anos
O pesquisador Luiz Alberto Colnago, responsável pela pesquisa estima que em dois anos a tecnologia esteja disponível no mercado. As análises são feitas num espectrômetro de ressonância magnética avaliado em US$ 500 mil, único em instituição de pesquisa agrícola do País. “A tecnologia permite a análise sem destruir a semente e poderá agilizar programas de melhoramento genético e biodiesel”.
Clayton Campanhola presidente da Embrapa ressalta que os pesquisadores precisam estar à frente da demanda, detectando as necessidades e criando mecanismos que visam a redução de custos, desenvolvimento sustentável do agronegócio.
“Neste sentido as pesquisas colocam à disposição do produtor, uma série de ferramentas com que pode agregar maior valor aos produtos. Ele ressalta que a biotecnologia e a nanotecnologia já renderam excelentes frutos e a Embrapa domina a tecnologia já presente em vários equipamentos desenvolvidos na unidade de São Carlos”.

Fonte: Jornal A Cidade, Rose Rubini

 

 

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