EDITORIAL

“Biodiesel: Posso abastecer o meu caminhão no seu posto?”

Produção, Comercialização e Distribuição

Resolvi discorrer sobre este assunto após receber o telefonema de um cidadão que tendo lido uma notícia veiculada na imprensa (e repetida no Clipping BiodieselBrasil) me perguntou: “por quanto vocês vendem o litro de biodiesel?”.

Mas essa não foi a única pergunta. Ele ainda perguntou: “posso abastecer a minha pick up ou meu caminhão agora, ou terei que esperar a inauguração do posto que vocês da USP e o pessoal da SHELL vão inaugurar?”

Fica claro o cuidado que devemos ter para esclarecer a sociedade. Também devemos cuidar a forma em que são veiculadas as notícias. Caso contrário, poderiam haver prejuízos para instituições, empresas, para a sociedade, para o país e até para projetos de governo. 

Ficou claro que há pessoas que nem sequer sabem ler corretamente, e isso provoca interpretações erradas. E ainda tem pessoas que interpretam as coisas de forma intencionalmente erradas.

E se algum funcionário de governo ou de alguma agência reguladora interpretasse assuntos como esse de forma errada?  E se alguns empreendedores ou a população interpretasse esses assuntos erroneamente? Ainda bem que isso não aconteceu, mas sempre existe essa possibilidade, podendo prejudicar projetos de pesquisa e muito mais. Em nível de governo, poderiam ser gastos recursos públicos em telefonemas, tempo em reuniões, pressões e influências sobre instituições ou sobre empresas. Poderia se discorrer sobre o interesse da participação (pelo menos de forma pioneira) de empresas puramente nacionais ou sobre o interesse de algum funcionário dessas empresas. Seriam cometidos erros, e após algum tempo poderia até se chegar a seguinte conclusão: quem leu, interpretou, comentou e agiu, simplesmente não sabia ler ou tinha “as suas intenções e objetivos escusos”.

Ainda, algum cidadão poderia achar que é possível produzir, e comercializar esse combustível sem ter preocupações com normas, legislação ou portarias definidas. Isso poderia causar problemas quanto a qualidade e a durabilidade dos veículos e arranharia a credibilidade de um projeto maior como o do “Biodiesel para o Brasil”.

A universidade não comercializa biodiesel, pois não é o seu papel nem a sua função. O biodiesel na universidade é um projeto de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico que pretendemos possa beneficiar a sociedade brasileira. O máximo que podemos fazer é fornecer o biodiesel para centros de ensino e pesquisa ou ainda para empresas que trabalham no desenvolvimento e utilização desse biocombustível. Da mesma maneira alguém que vai realizar testes dentro das normas poderá obter o “nosso biodiesel” e isso está dentro das normas de pesquisa e de funcionamento de entidades que desenvolvem conhecimento, processos e tecnologia como é o caso da melhor Universidade da América Latina e a 27ª Universidade do mundo: a Universidade de São Paulo. Isso também está dentro das portarias da Agência Nacional de Petróleo (ANP) que autoriza testes com biodiesel, embora as universidades são independentes nas pesquisas que realizam.

 A Universidade de São Paulo já tem o seu posto de abastecimento dos veículos da sua frota interna com álcool, com gasolina ou com diesel. Mas isso é para abastecimento interno e não para comercialização. Isso acontece também em centenas de instituições e empresas. Agora que temos dentro da USP, no Campus de Ribeirão Preto, um ônibus de circulação interna que vai usar o diesel aditivado com biodiesel e que temos outros veículos na fase de pesquisa da utilização desse combustível, estamos montando um tanque de abastecimento dentro de um posto já existente.

Tem uma empresa distribuidora que está colaborando com a montagem do mesmo, mas isso não significa que o “posto” tenha finalidade comercial, a não ser para as empresas que fornecem o diesel de petróleo que a nossa instituição consome. E ainda eu perguntaria: tem algo de errado que uma determinada empresa ajude e aprenda com algum projeto de pesquisa desenvolvido nas universidades brasileiras? Tem alguém o direito de interferir para que essa tão incentivada parceria Universidade-Empresa não aconteça? Não estão sendo apregoadas as PPP (Parcerias Público Privadas) para onerar menos os cofres públicos? 

O país está discutindo com intensidade e seriedade a implantação do biodiesel na nossa matriz energética. A imprensa, a sociedade, o governo federal através do grupo interministerial executivo recentemente formado, além dos governos estaduais estão discorrendo a diário sobre o assunto. Muita gente quer comprar o produto. Muita gente quer produzir. Porém, sequer um litro de biodiesel pode ou deve ser comercializado de forma oficial se não tivermos a definição de legislações pertinentes e uma regulamentação para balizar a produção em escala industrial, a comercialização, a distribuição e o controle de qualidade. O consumidor também precisa ter certeza que usando esse novo combustível ou a mistura dele como aditivo no diesel de petróleo não vai ter problema algum e particularmente que pode contar com a garantia dos fabricantes de autopeças e sistemas de injeção, pois caso contrário será ele quem pagará a conta. Esses são fatores fundamentais para o sucesso de um programa de biodiesel, assim como é fundamental que todos nós trabalhemos dentro de um marco legal que inclusive passa pela ética obrigando todo mundo a ter certeza daquilo que comenta e das ações que influencia. Produzir é possível e já é feito em muitos lugares do país para realização de pesquisas e de testes. Porém, devemos ter a preocupação de que todo esse biodiesel atenda a qualidade suficiente para não causar problemas nos equipamentos que o utilizam em médio e longo prazo. Portanto, ações rápidas e concretas devem ser tomadas. As autoridades devem agir rápido para que o Brasil tenha um marco regulatório definido e que assim seja possível contarmos com mais um Combustível renovável e possamos descansar dos “discursos renováveis”.

“As pesquisas científicas são movidas pela curiosidade, pela imaginação, pela vontade de servir à sociedade e à nação. São uma eterna corrida que não pode ficar sem combustível para levar o homem a alcançar o seu sonho: um mundo melhor”.

 

 

Neste clipping estamos extraordinariamente mandando duas únicas notícias:

-A UE libera de impostos a cadeia produtiva dos biocombustíveis até 2009.

O biodiesel na Europa esta sendo realmente incentivado. Ele já emplacou! E no Brasil, o que podemos esperar?

-Maior participação de empresas em pesquisas públicas.

Segundo o novo ministro Eduardo Campos, "...a universidade, a pesquisa, tem que ir até as empresas. Este é um padrão que ja foi superado em países que viveram recentemente ciclos de modernização. O Brasil esta maduro para este salto."

-Comentário do Portal BiodieselBrasil:

"Não podemos ficar sentados à beira do caminho vendo o progresso passar e não embarcar."

 BIOCOMBUSTÍVEIS: UE APROVA ISENÇÃO FISCAL ATÉ 2009

Legisladores da União Européia (UE) aprovaram hoje uma proposta da Alemanha para isentar de impostos os combustíveis ecologicamente corretos. A Comissão Européia, braço executivo da UE, anunciou que a adoção de medidas que protejam o ambiente é compatível com as regras do bloco.  Leia mais...

MAIOR PARTICIPAÇÃO DE EMPRESAS EM PESQUISAS PÚBLICAS

A política de ciência e tecnologia do governo Lula vai mudar. Empossado a menos de um mês, o novo ministro, Eduardo Campos, decidiu que os recursos para pesquisa não serão mais descentralizados como vinha defendendo seu antecessor. Leia mais...

 

 

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