OPINIÃO

TRANSFERÊNCIA DE RENDA

Quando há um ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamou ao Palácio do Planalto as principais lideranças do setor canavieiro, exigindo compromisso dos usineiros no sentido de venderem o litro do álcool a menos de R$ 1,00, as distribuidoras de combustíveis aplaudiram e mostraram quem eram os vilões nesta infindável história da luta entre o bem e o mal.

Lembro-me quando, na condição de um dos coordenadores do movimento “Grito pelo Emprego e pela Produção”, em abril de 1999, decidimos por um ato de protesto, distribuindo álcool de graça na av. Maurílio Biagi. O local tinha sido escolhido estrategicamente e ninguém fora avisado com antecedência.

Enquanto o primeiro caminhão de álcool se posicionava ao lado de uma das unidades do COC, fomos até os estúdios da Rádio Clube e anunciamos no programa Clube Verdade, comandado por Wilson Toni, que a partir deste momento quem quisesse abastecer seu veículo gratuitamente, bastaria nos procurar naquele local.

Pois bem, da sede do Sistema Clube de Televisão até a av. Maurílio Biagi, levamos pouco mais de 10 minutos. Para nossa surpresa e espanto, quando lá chegamos e enquanto as primeiras dezenas dos milhares de carros que seriam abastecidos nos próximos dois dias estacionavam pacientemente, também já nos esperavam dirigentes dos sindicatos das distribuidoras e dos revendedores de combustíveis.

Com eles, pasmem, fiscais da Secretaria Estadual da Fazenda, exigindo que a operação fosse suspensa pois, temiam, estaria havendo “sonegação fiscal”. Por sorte tínhamos sido previdentes pois, além de distribuirmos gratuitamente o álcool, exigimos também que sobre a doação fosse recolhido o ICMS, como determina a lei.

Agora, enquanto as distribuidoras pagam R$ 0,47 por litro de álcool das usinas, já incluídos os impostos, o produto é repassado aos postos a R$ 0,80. O diretor do Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Dietmar Schupp, explica que “tradicionalmente as empresas repassam qualquer alteração no preço do produto 30 dias após a compra ser efetuada”.

Mentira, argumenta José Alberto Paiva, presidente do Sindicato dos Varejistas do Estado de São Paulo (Sincopetro): “Quando o preço sobe, imediatamente as distribuidoras elevam seu preço de venda aos postos. O estoque, comprado por um valor menor, não é considerado. O toma-lá-dá-cá só funciona quando é conveniente às distribuidoras”, denuncia.

Convenhamos, ganhar R$ 0,37 sobre um litro de álcool, é negócio muito mais rentável do que o tráfico de drogas ou de armas ou exploração do jogo de bingo. Este percentual deve estar envergonhando o Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, que foi flagrado exigindo apenas 1% de comissão de um conhecido bicheiro. Máfias são máfias, mas algumas são espertas do que as outras.

Ironias à parte, e sabendo-se que o preço de produção de um litro de álcool que chega a R$ 0,60, ao ser vendido por R$ 0,40, representa prejuízo e transferência de renda. Que se preparem, pois, os 400 municípios canavieiros do Estado de São Paulo além das centenas de outros municípios produtores de cana do país, para conviverem com dias difíceis, pois alguém terá que pagar esta conta que não fecha.

Enquanto isto, entre uma viagem e outra, o presidente Lula deflagra guerra contra os bingos, estratégia usada para servir de biombo da crise que se instalou no centro do poder.

Ronaldo Knack é jornalista, bacharel em Administração de Empresas e Direito

 

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Além do óleo de mesa, utilizado na culinária, e do uso como carburante ecológico, a soja oferece agora a sua participação em mais um produto: quer servir também como isolante para residências. Leia mais...

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O CARRO BICOMBUSTÍVEL PEGOU

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COTAÇÕES

ÁLCOOL ANIDRO
O contrato para março foi negociado a R$ 433,00 o m3, baixa de R$ 12,00 (Valor, 1/3/04)

Levamos ao seu conhecimento os valores dos Indicadores de Preços do Álcool Anidro, Hidratado Combustível e Álcool Hidratado Outros Fins, para o Estado de São Paulo, segundo levantamento realizado pelo CEPEA/ESALQ/USP.
Os valores apresentados constituem-se em médias semanais de preços negociados no mercado do Estado de São Paulo.
INDICADOR DE PREÇO DO ÁLCOOL ANIDRO (E.S.P.) - ESALQ
Preço Médio Semanal :

Período (R$/litro) (US$/litro)
25/02/2004 - 27/02/2004 0,38709 0,13225
16/02/2004 - 20/02/2004 0,37922 0,12909
09/02/2004 - 13/02/2004 0,42728 0,14678

* à vista, sem frete, sem impostos.

INDICADOR DE PREÇO DO ÁLCOOL HIDRATADO COMBUSTÍVEL (E.S.P.) - ESALQ
Preço Médio Semanal:
Período (R$/litro) (US$/litro)
25/02/2004 - 27/02/2004 0,36057 0,12319
16/02/2004 - 20/02/2004 0,31861 0,10846
09/02/2004 - 13/02/2004 0,37151 0,12762

* à vista, sem frete, sem impostos.

INDICADOR DE PREÇO DO ÁLCOOL HIDRATADO OUTROS FINS (E.S.P) - ESALQ
Preço Médio Semanal:
Período (R$/litro) (US$/litro)
25/02/2004 - 27/02/2004 0,42507 0,14523
16/02/2004 - 20/02/2004 0,44638 0,15195
09/02/2004 - 13/02/2004 0,54498 0,18722

*- à vista, sem frete, sem impostos.
http://cepea.esalq.usp.br

SOJA
O contrato para março foi negociado a 942,50 centavos por bushel, alta de 14,50 centavos.

PETRÓLEO
O barril de WTI para entrega em abril foi negociado a US$ 36,16, alta de US$ 0,65. Já o barril de Brent, para entrega no mesmo mês, foi negociado a US$ 32,23, alta de US$ 0,66

Valor

 

 

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