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Alternativas de Tecnologias Limpas são
determinantes para o futuro do nosso planeta. A PSA Peugeot Citroën e o
LADETEL - Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da USP de
Ribeirão Preto gostariam de
contar com sua presença no Simpósio Biodiesel a ser realizado em Brasilia
no dia 1 de setembro. O objetivo desse evento visa enriquecer os estudos
sobre a utilização do biodiesel no Brasil.
Nessa oportunidade serão apresentados
resultados do programa de testes, realizados com veículos do Grupo PSA
Peugeot Citroën. Os testes avaliaram itens como durabilidade, desempenho,
consumo e nível de emissões com a mistura B30, um combustível composto de
30% de biodiesel etílico, desenvolvido e produzido pelo LADETEL e 70% de
diesel metropolitano. O programa também incluiu o envio do biodiesel
etílico brasileiro para análise química e testes em motores na Europa,
além de testes laboratoriais, de bancada e rodagem no Brasil.
Solicite o seu convite, pessoal e
intransferível, caso ainda não o tenha
recebido:
http://biodieselbrasil.com.br/clip2004/180804/SymposiumPSAconvite_arquivos/slide0001.htm |
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Os preços do petróleo estão chegando aos píncaros dos US$ 50
por barril de 159 litros. Esta é boa hora para que os combustíveis
alternativos assumam importância estratégica que lhes cabe. Um dos
candidatos a ocupar o lugar do petróleo é o biodiesel. O programa de Energia
do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry, deixa
claro que, em caso de vitória eleitoral, a utilização desse combustível será
estimulada. Até novembro, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá
regulamentar seu uso no Brasil. Os postos de combustível serão autorizados a
comercializar o produto misturado ao diesel de petróleo, numa proporção de
2% de biodiesel para 98% de diesel convencional – o chamado B2.
O professor Miguel Dabdoub, do Laboratório de Desenvolvimento
de Tecnologias Limpas da USP (Ladetel), que conduz pesquisas de uso do
biodiesel em parceria com a Pegeout-Citroen e com a International Engines (cujos
motores equipam os tratores Massey Fergusson e os utilitários da Land Rover),
garante que essa mistura não exige necessidade de adaptação dos motores. O
objetivo do Ministério das Minas e Energia é aumentar gradativamente a
proporção do produto na mistura, até o máximo de 5% (B5), em 2010.
FRITURA
Pode ser obtido a partir de óleos vegetais: de mamona, dendê, milho, caroço
de algodão e soja. Mas, também, de gorduras de origem animal e até mesmo de
óleos usados em frituras. Sua principal vantagem é ambiental. O biodiesel
puro (B100) diminui as emissões de monóxido de Carbono (CO) em 48%; as de
óxidos de enxofre (SOx, causadores da chuva ácida), em 100%; e as de fumaça
preta (material particulado que causa problemas respiratórios), em 47%.
Outro benefício potencial é a geração de créditos de carbono a serem
comercializados, a partir das normas do Protocolo de Kyoto. Isso significa o
seguinte: países sem condições de reduzir ainda mais suas emanações de
poluentes podem “comprar” de outros países a obrigação de fazê-lo. Se o
Brasil reduzir ainda mais do que o acertado a poluição do ar, pode “vender”
essa obrigação. Não dá para subestimar os obstáculos para o projeto do
biodiesel. O Brasil não possui capacidade de produção capaz de dar conta do
aumento da demanda que fatalmente ocorrerá quando a mistura B2 começar a ser
comercializada. No ano passado, foram consumidos aqui 37 bilhões de litros
de diesel, o que significa que serão necessários pelo menos 740 milhões de
litros de biodiesel (2%) para compor a mistura. Se a economia brasileira
crescer o que já se prevê (5% em 2005), como aponta a última pesquisa Focus,
do Banco Central, a demanda será ainda maior. O principal projeto de
produção de biodiesel, da Petroquímica Capital, a ser instalado em
Charqueada (SP), não obterá mais que 100 milhões de litros anuais. “O país
não tem condições de produzir o suficiente para atender à demanda”, avalia
Marcello Brito, diretor comercial do projeto Agropalma, de produção de
biodiesel.
RABO-DE-GALO
Há a questão da viabilidade econômica. Uma tonelada de diesel comum sai por
R$ 1.400, na bomba de combustível. Enquanto isso, o óleo de soja vale R$
1.440; o de mamona, R$ 2.100; e o óleo de palma (dendê) R$ 1.200. Convém
pontuar que esses números não são comparáveis entre si porque apontam o
preço do diesel pronto para ser levado ao tanque do veículo enquanto os
outros preços correspondem aos vigentes no mercado atacadista. O preço final
do biodiesel tende a ser bem mais alto. No entanto, na proporção de 2% na
mistura, seu custo maior terá baixo impacto sobre o preço total. O professor
Dabdoub calcula que, na mistura de 5%, os preços finais do produto não
seriam superiores a 1%. Em todo o caso, este é um problema. Um relatório do
Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados,
publicado no ano passado, sugere que a equivalência de preços seja obtida
por meio da isenção de impostos em toda a cadeia de produção do biodiesel.
Essa equivalência é importante porque, na hipótese de haver diferença de
preços, haverá risco de superutilização do produto mais barato. Nesse caso,
teríamos o risco de ocorrência de uma espécie de “bio-rabo-de-galo”. Na
Alemanha, por exemplo, isso é comum. Lá o biodiesel é subsidiado e sai pelo
equivalente a 0,84 euro por litro e o diesel comum, por 0,94 euro. Enfim, é
provável que o próprio esticão dos preços do petróleo acabe sendo o empurrão
que falta para tornar o biodiesel competitivo.
O Estado de S.Paulo, 22/8/04 |